O senador Esperidião Amin (PP-SC), em pronunciamento nesta terça-feira (12), defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a chamada “vaza-toga”. Segundo ele, há indícios de que houve produção de provas dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.
O parlamentar destacou que a maioria dos senadores já assinou o pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Também afirmou que o Senado deve agir para evitar abusos e garantir o equilíbrio entre os Poderes.
— Os fatos que estão vindo à baila vão merecer uma CPI desta Casa, a se confirmarem os anúncios que vêm sendo feitos — declarou.
Sobre as alegações contra Alexandre de Moraes, ele disse que provas teriam sido produzidas de “forma criativa” para confirmar certas narrativas. E questionou a classificação dos fatos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 como golpe de estado.
Para Esperidião Amin, o grupo envolvido nos atos era “desorganizado e foi responsável por atos de vandalismo, mas não por um golpe”.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária que poderá abrir um dos julgamentos mais incomuns da história da Corte: a análise sobre a possibilidade de instaurar uma investigação envolvendo o próprio ministro Alexandre de Moraes.
O caso envolve suspeitas relacionadas à suposta atuação de Moraes em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Antes de entrar no mérito das acusações, porém, os ministros deverão analisar questões preliminares, incluindo a validade do material produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
A sessão está prevista para começar às 10h e poderá ser acompanhada pela transmissão oficial do STF.
O julgamento ocorre depois de a Polícia Federal reunir elementos que, segundo os investigadores, indicariam que Vorcaro teria procurado Moraes para tentar obter ajuda em questões relacionadas ao Banco Master e evitar medidas de órgãos como a própria PF, o Ministério Público e o Banco Central.
PF encontrou 52 registros atribuídos a Vorcaro
De acordo com os elementos citados no caso, a perícia realizada no celular de Vorcaro identificou 52 registros enviados a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
Segundo a investigação, Vorcaro escrevia as mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e posteriormente encaminhava as imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
O conteúdo desses registros está entre os elementos que motivaram o questionamento sobre uma eventual relação entre o ex-banqueiro e o ministro do STF.
A existência das mensagens, porém, não significa, por si só, que tenha havido crime ou que Moraes tenha atendido aos pedidos. É justamente a apuração dessas circunstâncias que poderá ser objeto de investigação caso o procedimento avance.
STF pode encerrar caso antes de analisar acusações
O primeiro desafio dos ministros nesta terça-feira será processual.
O plenário deverá avaliar se o relatório produzido pela Polícia Federal e os dados extraídos do aparelho de Vorcaro podem ser utilizados no procedimento.
Caso seja identificado algum impedimento jurídico, o caso poderá ser encerrado sem que o conteúdo das suspeitas seja efetivamente investigado.
Se os ministros entenderem que os requisitos estão preenchidos, o STF poderá avançar para decidir se autoriza a abertura formal da investigação.
A decisão, portanto, não representa necessariamente uma conclusão sobre a existência de crime. Trata-se de definir se há elementos e condições jurídicas para que as suspeitas sejam apuradas.
Participação de Moraes é incerta
A presença de Alexandre de Moraes na sessão é considerada incerta justamente porque ele é o ministro diretamente envolvido nas suspeitas que serão analisadas.
A situação cria um cenário excepcional para a Corte, que terá de decidir sobre um procedimento que envolve um de seus próprios integrantes.
Outro ministro que pode ficar fora da análise é Dias Toffoli. Ele já declarou impedimento em outros desdobramentos relacionados ao caso Banco Master.
O julgamento, dessa forma, poderá estabelecer não apenas os próximos passos da apuração sobre Vorcaro, mas também os limites para a investigação de integrantes do próprio Supremo quando surgem suspeitas envolvendo relações com pessoas investigadas pela Justiça.
Caso ganhou dimensão política
O episódio ganhou ainda mais repercussão depois que vieram a público informações sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e sobre a atuação da Polícia Federal na análise do aparelho celular.
Moraes nega irregularidades e apresentou defesa contestando as suspeitas e a forma como a investigação foi conduzida. A defesa sustenta que não há mensagens de autoria do ministro que indiquem favorecimento ao ex-banqueiro e questiona a validade de elementos utilizados no procedimento.
Agora, caberá ao próprio STF decidir se o caso deve avançar para uma investigação formal.
O resultado da sessão poderá determinar se as suspeitas serão aprofundadas ou se o procedimento será encerrado antes mesmo da análise de mérito.
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