POLÍTICA NACIONAL

Orçamento deve considerar ‘dimensão climática’, dizem parlamentares

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Os orçamentos públicos devem prever ações transversais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A avaliação é dos presidentes das comissões de Meio Ambiente dos Senados do Brasil, do Chile e da Argentina.

Os senadores Fabiano Contarato (PT-ES), Alfonso Longton e Edith Terenzi participaram nesta quarta-feira (6) de uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente (CMA). O evento fez parte II Cúpula Parlamentar de Mudança Climática e Transição Justa da América Latina e o Caribe, realizada até quinta-feira (7) em Brasília.

Para Fabiano Contarato, presidente da CMA do Senado, “os parlamentos têm um papel essencial” na definição de políticas públicas com recorte ambiental.

  É preciso revisar, aprimorar e, em muitos casos, reconstruir nossas legislações para que estejam à altura dos desafios do nosso tempo. Isso significa incorporar a dimensão climática de forma transversal nas políticas públicas, garantindo que cada setor atue com responsabilidade ambiental, justiça social e visão de futuro. Cabe a nós legisladores assegurar que as respostas à crise climática estejam refletidas nos marcos legais, no orçamento público e nas prioridades nacionais, com atenção especial às populações em situação de vulnerabilidade ao ao fortalecimento da democracia — disse Contarato.

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O senador Alfonso Longton, presidente do colegiado chileno, também defendeu a inclusão da temática ambiental nas legislações orçamentárias.

— Acredito que é importante incorporarmos os conteúdos climáticos transversais nas leis de orçamento para melhor gestão de financiamentos e investimentos púbicos. É muito importante existir um orçamento verde — disse.

Negacionismo

Para a senadora Edith Terenzi, presidente da comissão argentina, além da questão orçamentária, os legisladores têm um desafio político: fortalecer o multilateralismo climático quando o mundo atravessa “um contexto político fragmentado”. Terenzi criticou a postura do presidente argentino, Javier Milei, que considera retirar o país do Acordo de Paris.

— Muitos de vocês estão notando o posicionamento que tem o atual presidente da Argentina com relação as mudanças climáticas. Sua politica é praticamente negacionista. Ele considera que a mudança climática é uma falácia. A pergunta é: de que forma os parlamentos podem avançar e sustentar suas prioridades, quando temos disparidades com nossos Executivos? — questionou.

A audiência pública também contou com a participação de Ana Toni, diretora-executiva da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), marcada para novembro em Belém (PA). Para ela, um dos desafios desta edição é definir fontes para o “financiamento climático”.

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— A gente sabe que recursos existem no planeta para lidar com as mudanças no clima. Infelizmente, eles estão sendo alocados para os países desenvolvidos para outros temas, como as guerras. É necessário que a gente volte ao assunto financeiro para assegurar a mobilização de recursos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, nas questões de mitigação, transição energética, proteção de florestas e pessoas, assim como para ações de adaptação — disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

MP do Frete: comissão mista aprova alterações na medida provisória

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A comissão mista — formada por senadores e deputados federais — que analisa a Medida Provisória 1.343/2026 aprovou nesta quarta-feira (17) o parecer do deputado Zé Trovão (PL-SC). Além de reforçar os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, o texto aprovado institui um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.

Devido às alterações feitas, a medida provisória foi transformada em um projeto de lei de conversão (PLV). As próximas etapas em sua tramitação serão a votação da matéria nos Plenários da Câmara e do Senado, respectivamente.

Fiscalização

Em vigor desde março, a MP 1.343/2026 foi editada pela Presidência da República para fortalecer a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Para isso, torna obrigatório o registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga e valor do frete.

O respectivo sistema deve impedir a emissão do código quando a contratação registrar valor inferior ao piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Parecer

O parecer aprovado pela comissão mista mantém a estrutura da medida provisória, mas promove alterações em sua redação.

Uma das alterações é a que modifica a Lei 13.103, de 2015, que regulamenta a profissão de motorista. Essa mudança prevê: 

  • piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas empregados no transporte rodoviário de cargas de longa distância;
  • ampliação das ações apoiadas pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), incluindo renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho;
  • criação, no âmbito do Procargas, da Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas (PNPR-Cargas);
  • prioridade para transportadores autônomos de cargas (TACs) e cooperativas de transporte de cargas no acesso a ações, financiamentos, incentivos e programas vinculados ao Procargas.

Entre as demais mudanças, o parecer detalha a metodologia que deverá ser utilizada pela ANTT para calcular os pisos mínimos de frete, além de determinar a publicação semestral das planilhas e das memórias de cálculo.

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O texto também amplia as regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que passa a registrar informações sobre a forma e o prazo de pagamento do frete.

Frete adiantado

O parecer assegura aos transportadores autônomos de cargas o adiantamento de pelo menos 70% do valor do frete no momento da contratação, com pagamento do saldo em até três dias úteis após a entrega da carga.

A comissão

A comissão mista responsável pela análise da MP 1.343/2026 foi instalada em 9 de junho — e nessa mesma data foram eleitos o vice-presidente, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS); o relator, deputado Zé Trovão (PL-SC); e o relator-revisor, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).

O presidente da comissão, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), foi eleito nesta quarta-feira.

Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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