POLÍTICA NACIONAL

Para debatedores, DF precisa de autonomia para gerir segurança pública

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O governo do Distrito Federal precisa ter autonomia para gerenciar o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e aumentar os salários dos agentes de segurança da capital do país. Essa foi a conclusão entre participantes da audiência pública da Comissão de Segurança Pública (CSP) nesta segunda-feira (14). A medida está na proposta de emenda à Constituição (PEC) 1/2025, que também prevê a equiparação dos salários da Polícia Civil do Distrito Federal aos da Polícia Federal.

A proposta é do senador Izalci Lucas (PL-DF), que também foi autor do requerimento para o debate. Izalci explicou que o DF é o único ente federativo que precisa de autorização de Congresso Nacional para fazer concursos para as forças de segurança, por exemplo. Ele considerou que o contingente das polícias Civil e Militar está defasado e que “não faz sentido” exigir autorização para uso de recursos que já são repassados para o Distrito Federal.

— Na prática, o recurso do fundo já está no orçamento tanto da União quanto do GDF. São burocracias que não deveriam existir. Ninguém está pedindo mais recursos, estamos pedindo o que já está no cofre do GDF e tem sido usado para outros fins. A gente precisa dar ao GDF os mesmos poderes dos outros 26 governadores, que têm autonomia para fazer concurso, chamar, reajustar, sem depender de governo, sem depender de Congresso.

Autonomia

O delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Distrito Federal, Saulo Ribeiro Lopes, defendeu a autonomia do GDF para gerir o fundo e a recomposição salarial da categoria, afirmando que a capital do país sofre hoje “discriminação e prejuízo” em relação aos demais entes federativos. Além da proteção ao FCDF, o delegado considerou importante simplificar o reajuste do salário dos policiais, classificando a burocracia para esses aumentos uma desvalorização da categoria.

— É extremamente importante a autonomia completa para o DF. A complexidade na revisão dos vencimentos dos servidores da PCDF, envolvendo processo de negociação tanto com o governo do Distrito Federal como com o governo federal, não tem paralelo no país e talvez nem no mundo. Ora não é momento político para tratar da negociação no DF, ora não é momento para tratar da negociação no Executivo, o que gera muito desgaste para os atores envolvidos.

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Chefe da Assessoria Especial de Articulação da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, Benito Augusto Tiezzi ressaltou que gerenciar as forças de segurança é prerrogativa dos governadores dos estados, cuja atuação básica e elementar é o aumento de salários. Para ele, o GDF vive “uma autonomia ferida”.

— A segurança pública é um complexo de diversas forças. Desconheço, no mundo inteiro, um país onde a capital da República não tenha um tratamento diferenciado para as suas forças [de segurança]. O assunto tratado aqui nos parece óbvio, já que segurança pública é o maior clamor da população brasileira e está também diretamente relacionada a desenvolvimento econômico, já que as empresas olham para isso antes de investir.

Valorização

Na opinião do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol/DF), Enoque Venâncio de Freitas, o FCDF é o instrumento que permite à Polícia Civil do DF ser uma das mais eficientes do país, mesmo com salários “abaixo do ideal” e atuando com estrutura “precária”. Ele defendeu a equiparação salarial desses profissionais, afirmando que a desigualdade é “injusta e desmoralizante” e tem levado muitos policiais a buscarem carreiras mais atrativas e de menor risco.  

— Enfraquecer esse fundo e permitir que ele seja corroído é abrir as portas de Brasília para a violência. Não protegemos apenas uma cidade, mas a capital federal. Protegemos o símbolo da democracia brasileira e o fazemos mantendo o nosso Distrito Federal livre do domínio de facções criminosas e do crime organizado. É com orgulho que afirmamos que a Polícia Civil do DF tem os melhores índices de resolução de crimes do país.

A PEC 1/2025 iguala os salários das carreiras da Polícia Civil com os da Polícia Federal, com o argumento de que ambas exercem funções semelhantes — ambas são polícias investigativas — e são custeadas com recursos federais. A medida, segundo os defensores, busca valorizar os profissionais da PCDF e reduzir a perda de profissionais, mas enfrenta impasses fiscais, especialmente diante das regras do teto de gastos e das restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal. 

— Esta Casa tem papel fundamental de fazer justiça ao aprovar o restabelecimento da nossa simetria salarial, já que somos regidos pelas mesmas leis e temos atribuições similares — declarou Enoque, que disse acreditar na aprovação da PEC.

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Contraponto

Para a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo-DF), Cláudia Aparecida da Silva Alcântara, a PEC 1/2025 produz uma “falsa autonomia”, pois podde colocar o FCDF em risco. Na avaliação dela, a proposta tira a Polícia Civil do DF da estrutura federal e torna a União “mera organizadora” do sistema, sem responsabilidade pela gestão. Para Cláudia, essa mudança torna o fundo “vulnerável” a revisões políticas e jurídicas no futuro.

— Hoje a União tem o dever de manter. Amanhã, com essa PEC, [a União] poderá dizer: “Se o DF tem essa responsabilidade, que o DF assuma tudo”. Não estamos pensando só neste momento, mas no futuro, já que fundo constitucional pode estar em risco. Então, na nossa opinião, [a PEC] gera uma falsa autonomia porque, sem garantia constitucional de recursos, pode ser uma armadilha, e não um avanço.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que o tema não é de interesse apenas do Distrito Federal e, por isso, precisa ser aprofundado. Ela considerou a PEC 1/2025 “uma matéria ousada e que traz riscos”, mas ressaltou que o senador Izalci Lucas construiu o texto com base em debates. A parlamentar pontuou ainda que os senadores são “maduros” para buscar entendimento sobre a proposta e para apresentar as eventuais sugestões de mudanças.

Contexto

O Fundo Constitucional do DF surgiu em 1998, com o objetivo de assegurar recursos da União para a manutenção de serviços públicos típicos de competência federal no DF — como segurança pública — além de complementar recursos para saúde e educação. Ele é regulamentado pela Lei 10.633, de 2002.

A PEC 1/2025 garante que os valores transferidos anualmente ao FCDF sejam corrigidos pela variação da receita corrente líquida (RCL) da União, e não mais apenas pela inflação. Também assegura que o fundo cubra integralmente os custos com segurança pública, saúde e educação no DF. O texto aguarda votação na Comissão de Constituiçãoe Justiça (CCJ) e, se aprovada no Senado, seguirá para análise da Câmara dos Deputados.

Outra audiência pública da CSP sobre a proposta de Izalci está marcada para as 9h30 da quarta-feira (16).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

José Sarney relança três de seus romances no Senado

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O ex-presidente da República e do Senado, e escritor, José Sarney relançou, na noite desta quarta-feira (20), no Salão Negro do Congresso Nacional, três de seus principais romances em um evento marcado por homenagens à sua trajetória política e literária. A coletânea, publicada pela editora Ciranda Cultural, reúne os títulos “O Dono do Mar”, “Saraminda” e “A Duquesa Vale uma Missa”, obras que percorrem diferentes cenários e personagens da formação cultural brasileira — dos garimpos amazônicos à cultura ribeirinha do Maranhão.

Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Sarney é autor de contos, crônicas, ensaios e romances. A obra “O Dono do Mar”, traduzida para diversos idiomas, ganhou versão cinematográfica e se tornou um dos títulos mais conhecidos de sua produção literária.

O ex-senador afirmou que sua trajetória foi marcada por “duas vertentes”: a literatura e a política. Segundo ele, a literatura sempre foi uma vocação cultivada desde a infância, impulsionada pela convivência com os livros. Sarney afirmou ter passado “20% da vida em companhia dos livros, lendo e escrevendo” e destacou já ter publicado 123 títulos. 

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— Ao nascer Deus me deu um grande amigo, que foi o livro, que me acompanha até hoje — disse. 

Sobre a carreira pública, José Sarney afirmou que a política não surgiu como uma escolha pessoal, mas como um caminho traçado pela própria vida.

 — A política não é uma vocação, é um destino. Eu tive a oportunidade de trabalhar pelo povo brasileiro — declarou. 

Sarney disse ainda que a atuação política lhe trouxe “profundas responsabilidades”, que procurou exercer ao longo da trajetória em cargos como a presidência da República, o governo do Maranhão e a presidência do Senado.

Biografia marcante

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que José Sarney construiu “uma das biografias mais marcantes da vida nacional”, tanto como homem público quanto como intelectual. Segundo ele, a trajetória de Sarney sempre foi marcada pelo “talento, dignidade e honradez”. Ao comentar o relançamento dos romances do ex-presidente, Davi destacou que as obras estão entre as mais importantes da literatura produzida sobre o Norte do país.

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—São livros que revelam não apenas o talento do escritor José Sarney, mas também a profunda conexão de Vossa Excelência com o Brasil e com a formação cultural do nosso país — afirmou. 

‘Imaginar caminhos’

Para o presidente da Câmara, Hugo Motta, não é possível dissociar o escritor do política. Ele apontou que literatura e política compartilham a capacidade de “imaginar caminhos” para o país e que a obra de Sarney revela sensibilidade para compreender as diferentes realidades brasileiras, qualidade que também considera essencial para a atividade política. 

— A política exige a capacidade de imaginar todos os dias como o nosso país pode ser melhor — disse. 

O evento contou também com as presenças do ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski; do ex-procurador-geral da República Augusto Aras; além de senadores, deputados, representantes do Judiciário, prefeitos e outras autoridades.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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