Uma área de soltura parceira da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) no município de Sorriso foi o local escolhido para reintrodução à natureza de dois animais este ano. Um bicho-preguiça que foi resgatado após ser atropelado na BR-163 e uma capivara encontrada na área urbana de Sinop voltaram ao seu habitat natural após passarem por tratamento médico veterinário.
O bicho-preguiça foi encontrado pela equipe de inspeção da Nova Rota, na beira da BR-163, no dia 12 de janeiro, vítima de atropelamento e encaminhado para uma clínica especializada, em Sorriso, onde foi tratado pela médica veterinária Lilian Medeiros.
“O animal apresentava lesões nas unhas, hemorragia nasal e oral, e dificuldade para respirar. A preguiça ficou internada por 13 dias até ser considerada estável o suficiente para voltar à natureza”, explicou Lilian. A soltura foi realizada pela veterinária no dia 25 de janeiro, com supervisão da Sema.
Já a capivara foi solta neste último sábado (15.2). A fêmea jovem, de 38 quilos, foi resgatada no dia 7 de fevereiro, pela Diretoria de Unidade Desconcentrada de Sinop (DUD/Sema-MT) e passou por tratamento também com a médica veterinária Lilian Medeiros.
A capivara apresentava lesão de pele extensa no membro posterior, várias escoriações e verminose. O tratamento durou oito dias até estar em condições de ser devolvida à natureza. A soltura foi realizada em área livre, pré-determinada pela Sema, onde já habitam vários animais da mesma espécie.
Orientações
A Sema orienta que, ao se deparar com crimes contra animais silvestres, a população denuncie por meio da Ouvidoria setorial da Sema no número 3613-7398 ou 98153-0255 (por telefone ou WhatsApp) pelo e-mail [email protected], pelo aplicativo MT Cidadão, ou em uma das unidades regionais.
Se encontrar animais silvestres que necessitem de resgate, acione a Polícia Militar pelo 190, ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. O procedimento é importante para evitar riscos desnecessários tanto à saúde do animal quanto do cidadão.
Assista ao vídeo da soltura do bicho preguiça aqui.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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