POLÍTICA NACIONAL

Vai à Câmara projeto que inclui mulher indígena em planos de combate à violência

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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou, em caráter terminativo, nesta quarta-feira (21), projeto de lei que inclui as mulheres indígenas e as mulheres de povos e comunidades tradicionais nos planos de metas de enfrentamento à violência doméstica. Esse projeto (PL 2.799/2024) segue agora para análise na Câmara dos Deputados — a não ser que haja pedido para votação no Plenário do Senado.

A autora da proposta é a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que é a presidente da CDH. A matéria contou com o parecer favorável do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), que foi o relator do projeto nessa comissão.

O texto altera a Lei 14.899, de 2024. Essa lei cria regras para a elaboração e a implementação de plano de metas para o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Conforme a proposta, esses planos de metas deverão contemplar também as mulheres indígenas e as mulheres de povos e comunidades tradicionais, levando em conta as questões socioculturais, a diversidade e as especificidades de cada povo.

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Além disso, o projeto prevê que os órgãos responsáveis pela política indigenista e pelas políticas de proteção das mulheres de povos tradicionais deverão participar da elaboração desses planos de metas.

Na texto de sua proposta, Damares observa que, apesar dos avanços legislativos, “ainda existe no Brasil uma preocupante invisibilidade da mulher indígena e das mulheres membros de povos e comunidades tradicionais, em especial quando falamos de normas protetivas contra a violência física, sexual, psicológica, social, obstétrica e doméstica, além da chamada violência simbólica, decorrente de olhares e proibições no tocante às vestimentas e à linguagem própria dos povos tradicionais”.

Em seu parecer, Zequinha Marinho afirma que as mulheres integrantes de povos e comunidades tradicionais são frequentemente ignoradas nas políticas de combate à violência: “Essa invisibilidade impossibilita que as políticas públicas sejam eficazes para esses grupos, o que é de extrema gravidade, especialmente porque as mulheres indígenas e as mulheres de povos e comunidades tradicionais são gravemente atingidas pela violência de gênero”.

Esse parecer foi lido durante a reunião da CDH pelo senador Jorge Seif (PL-SC).

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

IA entra na mira do TSE e pode ser proibida em vídeos de campanha nas eleições

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O uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais entrou no centro das discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte avalia alternativas para conter abusos envolvendo vídeos produzidos ou modificados por IA, em um debate que pode estabelecer novos limites para a propaganda política nas eleições de 2026.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ainda não definiu publicamente como deverá votar em um processo que envolve um vídeo produzido com inteligência artificial e atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso ganhou relevância porque envolve a reprodução de uma mensagem de Bolsonaro durante uma convenção do Partido Liberal.

A discussão ocorre justamente quando a tecnologia permite criar vídeos e áudios cada vez mais próximos de conteúdos reais. O principal desafio para a Justiça Eleitoral é estabelecer mecanismos capazes de combater manipulações sem transformar a fiscalização eleitoral em uma restrição desproporcional à utilização legítima de novas ferramentas.

As regras eleitorais de 2026 já tratam especificamente de conteúdo sintético produzido por inteligência artificial. A regulamentação do TSE prevê mecanismos para responsabilização e, em determinadas situações, permite que o juiz determine a inversão do ônus da prova quando a comprovação técnica da manipulação for excessivamente difícil. Nessa hipótese, quem produziu ou divulgou o conteúdo pode ser obrigado a demonstrar como a IA foi utilizada e comprovar a veracidade da informação divulgada.

O próprio TSE também estabeleceu que os tribunais eleitorais poderão firmar acordos com universidades e instituições especializadas em perícia digital e inteligência artificial para auxiliar na análise de possíveis ilícitos durante o processo eleitoral.

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A possível discussão sobre uma proibição mais ampla, portanto, representa um passo além das regras atualmente estabelecidas. Em vez de apenas exigir transparência ou responsabilizar conteúdos considerados ilícitos, a Corte poderá discutir se determinadas formas de utilização da tecnologia devem ser impedidas durante a campanha.

O caso envolvendo Bolsonaro pode se tornar um dos primeiros testes relevantes desse novo cenário. A decisão deverá ajudar a estabelecer parâmetros para situações em que uma pessoa pública aparece dizendo algo que não disse, especialmente quando o material é distribuído nas redes sociais com potencial de alcançar milhares ou milhões de eleitores em poucas horas.

A preocupação não se limita aos vídeos. A Justiça Eleitoral também terá de lidar com áudios clonados, imagens manipuladas e outros conteúdos capazes de simular declarações ou acontecimentos que nunca ocorreram.

Pesquisas também entram na pauta

Além da inteligência artificial, outro tema relacionado diretamente à disputa presidencial está sob análise de Nunes Marques: a pesquisa AtlasIntel que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.

Em junho, o ministro determinou liminarmente a suspensão da divulgação da pesquisa após pedido apresentado pelo PL. Nunes Marques apontou suspeitas de indução dos entrevistados por causa da metodologia utilizada no levantamento. A decisão, entretanto, é liminar e depende de análise do plenário do TSE.

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A AtlasIntel contestou a decisão e afirmou que o questionário havia sido concluído antes da exposição dos entrevistados ao áudio relacionado ao caso Dark Horse, defendendo a regularidade da metodologia.

Os dois episódios colocam o TSE diante de uma questão que deverá acompanhar toda a campanha de 2026: qual é o limite entre fiscalização necessária para proteger o eleitor e restrição ao debate político?

No caso da inteligência artificial, a resposta poderá ter impacto direto na forma como partidos e candidatos produzirão conteúdo eleitoral. A tecnologia pode ser usada para criação e edição de materiais, mas a utilização de recursos capazes de fabricar declarações, acontecimentos ou informações falsas coloca a Justiça Eleitoral diante de um dos desafios mais complexos da próxima eleição.

O calendário oficial do TSE estabelece 15 de agosto como prazo final para o registro das candidaturas às eleições gerais de 2026. A partir daí, a disputa entra em uma etapa ainda mais intensa, aumentando também a pressão sobre a Corte para definir rapidamente os limites aplicáveis à propaganda digital.

O julgamento sobre o uso de inteligência artificial, portanto, não deverá tratar apenas de um vídeo específico. A decisão poderá criar um precedente para toda a campanha eleitoral e determinar como a Justiça Eleitoral pretende enfrentar uma tecnologia que já faz parte da disputa política.

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