POLÍTICA NACIONAL

Relatório aponta falhas na Política Nacional de Inteligência Artificial

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A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) aprovou, nesta quarta-feira (10), relatório com sugestões ao poder público para aperfeiçoar práticas voltadas ao desenvolvimento da inteligência artificial no Brasil. O texto, do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), é resultado da avaliação do colegiado sobre a Política Pública Nacional de Inteligência Artificial.

— A inteligência artificial deixou de ser apenas uma fronteira tecnológica, ela se tornou um dos principais fatores de transformação econômica, produtiva, científica e social em todo o mundo. Por isso, políticas públicas de inteligência artificial não podem ser improvisadas, tampouco dispersas, precisam ser coerentes, avaliáveis e juridicamente seguras e orientadas ao interesse público — afirmou o relator.

A análise partiu de uma avaliação integrada de três instrumentos: Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (Ebia), Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia) e o Projeto de Lei (PL) 2.338/2023, que trata sobre o desenvolvimento e uso da inteligência artificial.

Segundo Pontes, o Ebia estabelece diretrizes estratégicas e princípios éticos alinhados às melhores práticas internacionais. O Pbia apresenta avanço importante e traduz visão estratégica em ações programáticas. Já o PL 2338/2023 estabelece um marco regulatório amplo, moderno e equilibrado que dá segurança jurídica a empresas, pesquisadores, órgãos públicos e cidadãos.

Os resultados levaram em conta nove critérios: planos e objetivos; monitoramento e avaliação; institucionalização; participação; capacidade organizacional e recursos; planejamento e gestão orçamentária; coordenação e coerência; gestão de riscos e controle interno e accountability (termo inglês usado para descrever práticas relacionadas a transparência e prestação de contas).

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Falhas estruturais

De acordo com o documento, os resultados apontam que a consolidação de uma política nacional de IA ainda demandará esforços significativos do poder público. Isso porque, segundo Pontes, apesar dos avanços identificados, a avaliação revela lacunas estruturais que podem comprometer a efetividade da Política Nacional de Inteligência Artificial.

As falhas identificas são:

  • Ausência de metas, indicadores e linhas de base: a estratégia brasileira e o plano brasileiro não apresentam metas quantificadas nem indicadores claros de resultado e impacto;
  • Falta de governança unificada e coordenação interministerial;
  • Fragilidade na gestão de dados e interoperabilidade (capacidade de diferentes sistemas e tecnologias trabalharem juntos);
  • Capacidade limitada do Estado;
  • Déficits na sustentabilidade financeira;
  • Ausência de mecanismos formais de gestão de riscos e de auditoria algorítmica;
  • Territorialização insuficiente.

Segundo o relator, o Brasil reúne condições únicas para assumir posição de destaque na inteligência artificial global, uma vez que possui centros de pesquisas de excelência, sistemas públicos robustos, biodiversidade incomparável e tradição na produção científica responsável. No entanto, ele argumenta que esses ativos isoladamente não se sustentam, sendo necessário corrigir as falhas apontadas.

— A Política Nacional de Inteligência Artificial precisa evoluir de planos setoriais para uma verdadeira arquitetura de Estado, capaz de resistir ao tempo, aos ciclos políticos e ao dinamismo tecnológico — defendeu.

Dados e interoperabilidade

O relator apontou como elemento central da avaliação a questão dos dados e da interoperabilidade. Segundo ele, só há inteligência artificial confiável e desenvolvimento tecnológico sustentável com a gestão de dados padronizados, seguros e interoperáveis.

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O senador destacou a área da saúde, que pode se beneficiar da vigilância epidemiológica em tempo real e da otimização logística. Para isso, ele argumenta que é preciso haver integração, documentação e governança responsável.  

Centros de pesquisa

O relatório destaca o protagonismo dos centros de pesquisas aplicadas em inteligência artificial, criados pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e parceiros desde 2020, que operam como laboratórios nacionais que conectam universidades, governo e setor produtivo.

Segundo Pontes, os centros desenvolvem tecnologias aplicadas, treinam profissionais e testam, em ambiente controlado, padrões éticos e protocolos de governança de IA. A continuidade deles, explica, depende do financiamento plurianual estável, integração federativa, métricas de desempenho transparentes e a expansão para regiões ainda sub representadas, como a Norte e a Centro-Oeste.

Recomendações

As recomendações do relatório aprovado são:

  • Instituir e coordenar um painel nacional de indicadores de inteligência artificial;
  • Estabelecer mecanismo de financiamento plurianual para os centros de inteligência artificial;
  • Implementar programas de formação técnica e científica em inteligência artificial;
  • Criar instância interministerial permanente de coordenação da Política Nacional de Inteligência Artificial;
  • Desenvolver normas complementares sobre auditoria algorítmica e avaliações de impacto em inteligência artificial;
  • Integrar a Política Nacional de Inteligência Artificial às agendas de inovação industrial.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Oficina Legislativa promove premiação para estudantes e professores do DF

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A Oficina Legislativa do Senado Federal iniciou, nessa quarta-feira (29), o cadastro de propostas legislativas para a premiação de estudantes e professores do Distrito Federal. A iniciativa vai reconhecer, na categoria aluno, os dois autores das ideias legislativas com maior número de apoios no portal e-Cidadania. Na categoria professor, serão premiados os dois docentes com maior número de alunos com ideias aprovadas e publicadas. 

Criada em 2020, a Oficina Legislativa busca aproximar estudantes do processo legislativo. A atividade estimula a identificação de problemas nas comunidades e a elaboração de propostas que podem se transformar em projetos de lei.  

Nesta edição piloto de 2026, somente as instituições públicas e privadas do Distrito Federal podem participar. Serão entregues quatro notebooks, doados pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis), sendo dois para estudantes e dois para professores. 

Como funciona 

Podem participar estudantes a partir de 12 anos e professores de instituições de ensino público e privado do Distrito Federal, incluindo educação básica, ensino técnico e superior, além de modalidades como Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino especial, do campo, indígena e quilombola.  

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Para concorrer, o professor deve cadastrar ao menos uma turma no sistema e gerar um código. Os alunos devem utilizar esse código ao enviar suas ideias legislativas pelo portal e-Cidadania, vinculando a proposta à turma. Os vencedores precisarão comprovar vínculo com a instituição de ensino por meio de ofício assinado via Gov.br. 

Cronograma

  • Cadastro de ideias: de 29 de abril a 5 de novembro de 2026. 
  • Contagem de apoios: de 29 de abril a 20 de novembro de 2026. 
  • Divulgação do resultado preliminar: até 4 de dezembro de 2026. 
  • Prazo para recursos: até três dias úteis após a divulgação do resultado preliminar. 
  • Resultado final: após a análise dos recursos. 

Mais informações estão disponíveis no regulamento da premiação. 

Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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