POLÍTICA NACIONAL
Plenário celebra 30 anos da TV Senado, primeira emissora legislativa do país
Publicado em
11 de março de 2026por
Da Redação
Em uma sessão especial no Plenário, parlamentares, servidores e profissionais da comunicação celebraram nesta quarta-feira (11) os 30 anos da primeira emissora de televisão legislativa do Brasil, a TV Senado.
Autor do requerimento para a homenagem, o primeiro-vice-presidente da Casa, senador Eduardo Gomes (PL-TO), disse que o aniversário, celebrado em 5 de fevereiro, é um marco para todo o Brasil, já que a atuação da emissora é “exemplo de transparência e de comunicação pública nacional”.
De acordo com Eduardo, a TV Senado tem desempenhado seu papel com maestria, mantendo o diálogo aberto com as pessoas, sem perder sua essência e sem desistir de informar com equilíbrio e responsabilidade.
— Ao idealizar e implementar a primeira emissora pública do país com sinal aberto, o ex-presidente do Senado José Sarney compreendeu que a democracia brasileira carecia de uma janela direta, sem filtro ou edições, entre o representante e o representado. Esse pioneirismo transformou o rito parlamentar em patrimônio acessível, permitindo que a transparência deixasse de ser um conceito abstrato para se tornar uma realidade cotidiana na sala de estar de milhões de brasileiros.
Para o senador Izalci Lucas (PL-DF), a TV Senado não apenas transmite, “mas educa, forma, informa e ajuda o brasileiro a entender o país e a participar da vida pública com consciência e responsabilidade”. Na opinião do parlamentar, celebrar a existência do canal é valorizar uma das maiores conquistas da comunicação pública do Brasil.
Caminhada conjunta
O senador Paulo Paim (PT-RS), que se despedirá da vida pública em 2028, após quase 30 anos de mandatos consecutivos, disse que a trajetória da TV Senado e a dele como parlamentar representam “uma caminhada conjunta”. Emocionado, ele disse que a emissora é um orgulho para os brasileiros, “com seus diversos prêmios recebidos, inclusive em caráter internacional”.
— O que seria do trabalho e da ação legislativa dos senadores sem a TV Senado? Isso é democracia da comunicação. A comunicação legislativa brasileira tem um antes e um depois da TV Senado que, além de ser um veículo de comunicação, é, sobretudo, um instrumento de cidadania — declarou.
Também estiveram na solenidade e reforçaram a qualidade dos serviços prestados pela TV Senado os senadores Plinio Valério (PSDB-AM), Teresa Leitão (PT-PE), Humberto Costa (PT-PE), Margareth Buzetti (PP-MT), Leila Barros (PDT-DF).
Nas palavras da senadora Zenaide Maia (PSD-RN), a difusão do conhecimento ajuda a mudar e a salvar vidas. Para ela, a TV Senado proporciona transparência e legitimidade ao trabalho do Parlamento, “sendo um filtro balizador da informação correta e contextualizada”.
— Sou fã incondicional de todos os que fazem a TV Senado. Por meio desta “janela eletrônica”, nosso trabalho chega a todos os lugares do meu Rio Grande do Norte e de todo o país, até mesmo em seus lugares mais remotos. É essa informação que permite ao povo criticar, sugerir, fiscalizar e, aos parlamentares, prestar contas do seu trabalho.
Essência do Legislativo
Diretor da Secretaria de Comunicação no período de 2009 a 2013, o jornalista Fernando César Mesquita ressaltou que a TV Senado foi criada para mostrar a essência do trabalho legislativo.
— Ela foi criada para ser independente, imparcial e refletir tudo o que acontece na Casa, sem nenhum tipo de censura ou preferência, fazendo com que tudo esteja à tona. Essa premissa foi seguida e, nesses 30 anos, a emissora tem cumprido com excelência esse papel.
A diretora da TV Senado no período de 1996 a 2005, Marilena Chiareli, lembrou de dificuldades enfrentadas na implementação da TV e destacou a emoção de acompanhar a evolução da emissora nesses 30 anos.
— A TV Senado foi extremamente importante do ponto de vista da expansão da democracia. A pessoa em casa, lá no Amazonas, poderia e continua podendo ver o que faz o senador no qual ela votou. Antes de existir a TV Senado, isso não era possível, é bom a gente frisar. A TV Senado representa a pluralidade e a democratização no nosso país.
Diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado (Secom), Luciana Rodrigues disse que viu a TV Senado nascer e crescer. Servidora concursada, a jornalista ingressou no Senado em 1995, como estagiária, num tempo em que as transmissões ocorriam apenas em partes, já que não havia câmeras em número suficiente para todas as gravações. Ela destacou a entrada do trabalho parlamentar na casa dos cidadãos em todo o país por meio da emissora e enalteceu a atuação de todo o núcleo profissional que integra a TV.
— Ao expressar meus agradecimentos a todos os que fizeram e fazem esse trabalho possível, menciono também cinegrafistas, auxiliares, técnicos de áudio, geradores de caracteres, editores, produtores, técnicos de engenharia, enfim, todos os colegas que organizam nossa rotina, elaboram roteiros, selecionam a nossa programação. Também aos que estão à frente das câmeras, aos nossos repórteres, apresentadores e enfim todos aqueles que fizeram e fazem essa estrutura funcionar e se manter no ar 24 horas por dia, sete dias por semana, sendo uma referência de atividade pública.
Credibilidade
O diretor da TV Senado, Érico da Silveira, destacou a confiança e a credibilidade da população sobre os conteúdos da emissora. Ele apontou a visibilidade dada à identidade nacional em todos os programas e documentários, “que provocam a reflexão e proporcionam o diálogo entre o Brasil e a atividade legislativa”.
— Fazer leis é construir o nosso país. E a TV Senado contribui para o país se ver, se discutir, se mostrar, se reconhecer e propor o Brasil que queremos a cada ano, a cada instante.
TV 3.0
Em 2026, a TV Senado ampliará as formas de distribuição de seu conteúdo. Entre as iniciativas estão o início dos testes de transmissão no padrão TV 3.0, a nova geração da televisão aberta e gratuita, que integra transmissão via antena com a internet, melhor imagem e som imersivo, além de interatividade. Também estão previstos o lançamento de edital para uma plataforma de streaming própria e a realização de uma chamada pública para plataformas e canais interessados em distribuir a programação da TV Senado.
A emissora lançou novas tarjas e reorganizou elementos visuais para facilitar a circulação de conteúdos em diferentes plataformas, permitindo cortes mais ágeis para redes sociais, melhor leitura em telas menores e maior integração com formatos digitais.
A presença digital da emissora também tem crescido. Somente no Instagram, o perfil da TV Senado acabou de atingir 500 mil seguidores. São 1,8 milhão de inscritos no YouTube e outros 480 mil no TikTok. Por meio da rede e do programa Digitaliza Brasil, o sinal da TV Senado chega hoje a mais de 1,6 mil municípios brasileiros na TV aberta.
As comemorações pelo aniversário da TV Senado também incluem novidades na programação e na identidade visual, com base nas transformações tecnológicas da TV 3.0. Também serão reforçadas as transmissões ao vivo entre plenários e comissões e a integração entre jornalismo e cobertura legislativa, com a presença simultânea na TV aberta e nas plataformas digitais.
Cidadão
O secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch, considerou de alto nível o conteúdo produzido pela TV Senado e destacou a referência da emissora como promotora do direito do cidadão de compreender as atividades parlamentares. Para ele, a evolução do canal merece ser celebrada e incentivada, de modo a aumentar o acesso da população à informação qualificada e transparente.
— É importantíssimo que a TV Senado esteja “nessa onda” da TV 3.0, porque isso permitirá ainda mais proximidade do Parlamento com o povo brasileiro. Essa evolução se traduz em inclusão digital e social por meio de uma comunicação que contribui cada vez mais com a construção da cidadania em nosso país.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Paciente com doença rara deve ter acesso a terapias experimentais, aponta debate
Published
4 horas agoon
15 de junho de 2026By
Da Redação
A agilidade no acesso a tratamentos médicos experimentais por pacientes com doenças raras e sem outra alternativa de terapia foi defendida nesta segunda-feira (15) em audiência pública das Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Ciência e Tecnologia (CCT). O debate tratou do chamado uso compassivo, que permite a pacientes graves a adoção de medicamentos ou procedimentos médicos que ainda estão em fase de estudos e não possuem registro oficial no Brasil.
O uso compassivo é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele possibilita que os doentes tenham acesso antecipado a tecnologias inovadoras ainda desprovidas de registro nacional. Esse cenário é muito comum em relação às doenças raras, das quais 95% ainda não possuem tratamento, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O uso das substâncias é avaliado a partir de indicação médica, que aponta a necessidade de soluções alternativas para combater doenças degenerativas ou incapacitantes.
O debate reuniu pacientes, pesquisadores e órgãos reguladores para discutir formas de superar obstáculos burocráticos e dar mais rapidez no acesso aos tratamentos ainda não homologados. Para debatedores, a facilitação do processo poderia evitar a deterioração da saúde dos doentes e processos judiciais desgastantes.
“Janela de esperança”
A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que propôs audiência pública, ressaltou que é preciso buscar respostas, e não impor obstáculos ao acesso célere a direitos, à inclusão social e à vida.
— Quem sofre tem pressa. Buscar o uso compassivo de terapias ainda em estudo se torna uma janela de esperança, que não podemos fechar a ninguém. E tudo se torna ainda mais dramático porque 75% das doenças raras afetam crianças, e os índices de mortalidade ainda são muito elevados. A ciência vem avançando nos últimos anos em uma velocidade sem precedentes, mas os avanços sociais precisam acompanhar na mesma medida — afirmou.
Lacunas regulatórias
Professora adjunta da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Aline Spagnol Fedoce-Silva é mãe de uma criança com síndrome de Krabbe. Ela destacou que já existe uma terapia comprovada e executada em outros países tão logo seja identificada a doença, que afeta o sistema nervoso central e periférico. No entanto, a terapia, baseada em transplante de células-tronco, ainda não é reconhecida no Brasil.
Além de lacunas regulatórias em procedimentos de alta complexidade no país, Aline destacou que a Lei 14.154, de 2021, que aperfeiçoa o Programa Nacional de Triagem Neonatal, segue em fase de regulamentação pelo Ministério da Saúde até hoje. No entanto, algumas unidades da Federação, como o Distrito Federal, já rastreiam a doença. Enquanto isso, famílias aguardam decisões da Justiça para ter acesso ao tratamento.
— Isso traz tamanha angústia, pois o processo judicial é demorado, desgastante e custoso, e nem sempre tem final feliz. Os pais de crianças com doença de Krabbe sofrem muito e sofrem também por imaginar que o próximo filho pode passar por todas as doenças, sofrimentos e desafios que o primeiro diagnosticado, justamente por não termos um respaldo do Ministério da Saúde — afirmou Aline, ressaltando que a espera pelo diagnóstico e pelo transplante prejudicou a filha.
Doação e controle
Pai de um menino portador da síndrome de Olmsted, que afeta principalmente a pele, Ricardo de Lima Agostinho apontou dificuldades na identificação da doença e na realização de testes genéticos via planos de saúde e laboratórios.
Entre os tratamentos utilizados, está o uso compassivo do Tarceva (erlotinibe), a que a família teve acesso por meio de doações e que se tornou fundamental para o controle da doença e da qualidade de vida da criança, que sofria com dores e perda de movimentos. A Justiça negou o medicamento, sob alegação de falta de evidências científicas hoje já comprovadas, disse Agostinho.
— A gente luta até hoje, a gente pede ajuda de um remédio compassivo para uma doença ultrarrara, para dar segurança jurídica ao médico e dar uma via administrativa. A Justiça nos ajudaria. Negar o remédio é condenar à incapacidade — lamentou.
O peso do tempo
Diretora jurídica da Casa Hunter e da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), Andreia Bessa disse que os pacientes de doenças raras “sentem diretamente o peso do tempo”:
— Há dois tempos que raramente se sincronizam: o tempo da regulação, que segue seus ritos necessários, e o tempo da doença, que não espera. Então, quando essa janela se fecha, o tratamento pode chegar tarde demais. Falar sobre o uso compassivo é falar sobre isso.
Casos excepcionais
Professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Coelho de Sampaio defendeu o uso compassivo em terapias de saúde. Ela está à frente das pesquisas sobre a polilaminina, proteína considerada promissora na regeneração de lesões medulares.
— O uso compassivo é uma oportunidade de se avaliar as questões de forma excepcional. Existe um processo [de regulação], a gente pode tentar mudar isso; mas existe uma oportunidade de se trazer a excepcionalidade para que a resposta seja mais rápida. A gente precisa ter noção de que é fundamental ter janelas de excepcionalidade. O uso compassivo precisa continuar existindo — afirmou.
Autonomia ao paciente
Professora de genética do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, a cientista Mayana Katz disse que é importante dar celeridade na aprovação de novos protocolos de tratamento em saúde. A bióloga também cobrou mais crédito a pesquisas ainda não regulamentadas, relacionadas a doenças certamente letais para as quais não existe alternativa terapêutica.
— O vírus da zika, por exemplo, pode ser um aliado muito importante para destruir tumores cerebrais. Há tratamentos não aprovados clinicamente, mas que já são aprovados cientificamente em modelos animais. O que eu defendo é que se dê mais autonomia ao paciente (e mais autonomia aos pais, no caso de uma criança) quando não há mais alternativa, e com serenidade. [O paciente] deveria ter autonomia de dizer ”eu quero fazer um tratamento experimental, eu não quero morrer em vão”.
Limites claros
Integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM), Alcindo Cerci Neto disse que é importante que o método científico seja respeitado e aplicado de forma adequada com ”claros e certos limites”.
— O método científico é importante justamente porque precisa dividir o que é emoção do que é razão, principalmente na escolha de terapias. O paciente, embora tenha autonomia plena, e nós buscamos isso, nem sempre domina a parte científica. Além do pilar científico, nós temos o pilar bioético, e ele é muito importante e acaba de alguma maneira gerando algum tipo de conflito, inclusive com o método científico — afirmou.
Pesquisas e princípios
A coordenadora da Instância Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde (Inaep), Meiruze Sousa Freitas, destacou que a Lei 14.874, de 2024 — que estabelece as diretrizes e regras para pesquisas com seres humanos no Brasil — fundamenta-se em princípios da proteção, especialmente na condução de pesquisas e princípios bioéticos, acrescidos do princípio da justiça, do consentimento livre e esclarecido e da avaliação benefício/risco para participação em pesquisa.
— Nesse contexto, o uso compassivo vem no bojo de produtos que estariam realizando pesquisas com seres humanos no Brasil, especialmente pesquisas clínicas. E um dos princípios basilares para condução e utilização de produtos em seres humanos é você conhecer e garantir, especialmente antes de iniciar as fases clínicas 1, 2 e 3, o maior conhecimento possível desses produtos quanto às avaliações pré-clínicas e não clínicas, para que se possa avançar para estudos em humanos — explicou.
Acesso a tratamentos
Coordenador de Pesquisa Clínica em Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Claudiosvam Martins Alves de Sousa disse que no mundo inteiro há algum mecanismo de excepcionalidade para acesso a tratamentos de saúde.
— Para acessar tratamento que não tem registro, temos, por exemplo, a importação para uso pessoal, que se dá a partir de prescrição médica. Temos ainda os programas assistenciais, que são o uso compassivo, o acesso expandido e o fornecimento pós-estudo. Os regulamentos são vivos, eles têm que acompanhar a evolução de inovação tecnológica, de novas opções. Para além de aceitar doar o produto para uso compassivo, o patrocinador é responsável por acompanhar os pacientes que receberam aquela droga que ele doou, por notificar a Anvisa por eventos adversos graves, incluindo óbitos, por arcar com custos de eventuais eventos adversos que necessitem de intervenções — afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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