POLÍTICA NACIONAL

Jovem Senador: live nesta segunda debate os 40 anos da redemocratização

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Para marcar as quatro décadas da redemocratização no Brasil, o Programa Jovem Senador e Jovem Senadora Brasileiros promove nesta segunda-feira (17), às 19h, uma roda de conversa aberta ao público. O debate, intitulado 40 anos da Redemocratização Brasileira: caminhos percorridos, terá transmissão ao vivo pelo YouTube da TV Senado.

Com participação do historiador João Carlos Nara, o debate será mediado por Tadeu Sposito, gestor do Núcleo de Mídias Sociais da Secretaria de Comunicação Social do Senado. Haverá espaço para perguntas do público e a exibição de vídeos do jornalista Ricardo Kotscho — que cobriu a campanha Diretas Já e relatou o fim da ditadura militar — e do senador Paulo Paim (PT-RS), parlamentar que atuou na Assembleia Nacional Constituinte de 1988 na defesa dos direitos humanos, sociais e trabalhistas.

Para o chefe do Serviço Jovem Senador, George Cardim, a live é uma oportunidade para revisitar acontecimentos históricos e para apresentar aos mais jovens este período recente e rico para a consolidação do regime democrático no país.

 Segundo o IBGE, metade da população brasileira tem até 35 anos de idade e já nasceu podendo votar em quem quiser, expressar a sua opinião e ouvir a música que preferir. Muitos não sabem que estes direitos básicos garantidos na Constituição de 1988 foram conquistados com lutas e mobilizações sociais. É importante aprender com o passado para construir um futuro melhor  ressalta.

Para o historiador João Carlos Nara, é essencial discutir os caminhos da democracia. Ele afirma que, em tempos de polarização, quem compreende a jornada dos últimos 40 anos pode ajudar a escrever os próximos capítulos com mais sabedoria e responsabilidade, cultivando o diálogo como ferramenta de construção do futuro que queremos para nosso país”. 

Os espectadores terão acesso gratuito a certificado de participação, que será disponibilizado em QR code durante a transmissão. Também terão acesso à versão em PDF do livro Explode um Novo Brasil: Diário da Campanha das Diretas, escrito por Kotscho e agora publicado pelo Conselho Editorial do Senado.

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O programa

O Programa Jovem Senador e Jovem Senadora Brasileiros traz anualmente para Brasília estudantes do ensino médio de escolas públicas, um de cada estado e do Distrito Federal, selecionados por um concurso de redação, que neste ano tem como tema “Emergência Climática, pense no futuro, aja no presente”. As inscrições estão abertas até o dia 30 de abril.

Os vencedores participam da Semana de Vivência Legislativa, no Senado, atuam como senadores de seus estados e apresentam sugestões legislativas que podem ser transformadas em projetos de lei. Em 2024, o programa teve a participação recorde de 170 mil alunos de mais de 4 mil escolas de todo o país.

Homenagem

A iniciativa faz parte das ações do Senado Federal para lembrar os 40 anos da Redemocratização do Brasil. Nesta terça (18), às 10h, uma sessão especial no Plenário do Senado vai homenagear a data. Durante a sessão, serão destacadas as trajetórias de Tancredo Neves e de José Sarney, respectivamente presidente e vice-presidente eleitos no Colégio Eleitoral, depois de 21 anos de ditadura militar, e que tiveram papéis de destaque na transição para o regime democrático. Tancredo Neves foi internado na véspera da posse e José Sarney assumiu a Presidência da República entre 1985 e 1990.

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A sessão marca também o lançamento da segunda edição do livro de Kotscho, Explode um Novo Brasil: Diário da Campanha das Diretas. Com prefácio de Ulysses Guimarães, a obra apresenta um relato da campanha Diretas Já, em 1984, mobilização nacional pela realização de eleições diretas para presidente da República depois de mais de duas décadas de ditadura militar. São reportagens, análises e bastidores dos principais comícios e articulações políticas da época. As manifestações pelas diretas foram fundamentais para o processo de redemocratização do Brasil, que se consolidou na Constituição de 1988.

Serviço 

Evento: Live 40 anos da Redemocratização Brasileira: caminhos percorridos
Data e horário: 17/3/2025, às 19h
Transmissão: Youtube da TV Senado 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Levantamento inédito do DataSenado confirma violência contra trans e travestis

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Agressões, constrangimentos em espaços coletivos, discriminação no mercado de trabalho, problemas no atendimento em órgãos públicos e violência sexual. Essas são algumas das situações relatadas por mulheres transexuais e travestis entrevistadas na 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado. O levantamento mostra que 56% das entrevistadas passaram por situações de violência nos últimos 12 meses.

Conduzida entre maio e julho de 2025 pelo DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), a edição mais recente da pesquisa traz um recorte inédito, específico sobre as mulheres trans. Das 43 entrevistadas que se identificaram como trans ou travestis, 40% relataram agressões verbais associadas diretamente à sua identidade de gênero. Outras 17% disseram terem sido agredidas fisicamente e 12% sofreram violência sexual no último ano.

Rolf Regehr, psicólogo e chefe do serviço de pesquisa e análise do DataSenado, ressalva que a falta de dados populacionais oficiais sobre mulheres trans e travestis no Brasil restringe análises com maior precisão estatística. Mas os dados desse novo recorte da pesquisa, explica, ajudam a entender aspectos como a naturalização das violências sofridas, detectada nas entrevistas.

— [Os resultados da pesquisa] são achados exploratórios sobre o grupo entrevistado. A pesquisa, nesse sentido, procura contribuir para uma compreensão mais precisa de aspectos relevantes de suas vivências, como nesse caso, a recorrência e naturalização das violências sofridas — diz Regehr.

Naturalização das agressões

Para o psicólogo, a naturalização das agressões no cotidiano fica clara quando muitas das situações enfrentadas diariamente por essas mulheres sequer são identificadas prontamente como violência. Apenas 4% das entrevistadas afirmaram, inicialmente, ter sofrido violência de gênero. Depois, quando questionadas situações específicas, 56% delas afirmaram ter passado por algumas delas no último ano.

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Foi o medo de passar por situações como essas que fez a escritora Rafaela Miranda, de 37 anos, parar de frequentar certos espaços públicos, como banheiros coletivos.

— Eu não frequento de forma alguma. Prefiro ficar me segurando, porque sei que se eu entrar num banheiro público as pessoas vão começar a olhar de forma diferente, já que não tenho “passabilidade” — diz Rafaela, usando o termo que se refere ao reconhecimento social das mulheres trans como mulheres.

A violência de gênero, no caso de Rafaela, também se mostra no tratamento por pronomes masculinos, mesmo com todos os documentos retificados e a identificação como mulher trans.

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De acordo com a antropóloga Beatriz Accioly, essas exclusões, pela frequência com que acontecem, podem acabar sendo naturalizadas e fazer com que mulheres trans entendam que determinados espaços não são feitos para elas.

— Quando uma mulher é hostilizada na rua, mal atendida em um serviço público ou tem sua identidade constantemente questionada, ela recebe a mensagem de que aquele espaço não foi feito para ela. Esses episódios produzem medo, restringem a circulação e afetam o acesso a direitos — explicou ao DataSenado Beatriz, que é gerente de políticas públicas pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, parceiro no Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Mesmo nos serviços públicos, as mulheres trans relatam episódios de mau atendimento e transfobia. É o caso de uma das mulheres entrevistadas pela pesquisa, moradora do Distrito Federal, que relatou dificuldade ao procurar serviços de saúde: “Só por eu falar meu nome de mulher, né? Ele falava meu nome de homem, e eu pedindo pra falar meu nome de mulher, e não queriam me atender como mulher.”

Tornar essas experiências visíveis, explica Vitória Régia da Silva, diretora executiva da organização Gênero e Número — também parceira do Senado no mapa —, é um passo fundamental para ampliar a produção de evidências, fortalecer políticas de proteção e garantir que mulheres trans e travestis sejam incluídas no debate público sobre enfrentamento à violência de gênero.

Violência Doméstica

Das entrevistadas, 47% disseram já ter sofrido violência doméstica. Para 70% das vítimas, a violência afetou o convívio com outras pessoas e para 55%, a rotina diária. A vida profissional (45%) e os estudos (35%) também são prejudicados pela violência, que é, na maior parte das vezes, psicológica. 

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Mercado de trabalho

No mercado de trabalho, a exclusão das mulheres trans e travestis também fica clara. Apesar de ser qualificada, Rafaela tem dificuldade de conseguir emprego e relata que o comportamento dos recrutadores muitas vezes muda quando ela se identifica como uma mulher trans.

— Mandei um currículo para uma empresa. A pessoa começou conversar comigo pelo WhatsApp, me tratou bem, elogiou meu currículo. No final da entrevista, eu sempre aviso que sou transexual, para não ter o constrangimento de chegar no dia da entrevista presencial e ficarem me tratando diferente, né? Assim que eu falei que era transexual, a empresa simplesmente parou de me responder — lamenta.

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A dificuldade relatada por Rafaela aparece nos resultados da pesquisa, com 26% das entrevistadas tendo declarado que não conseguem se sustentar. “Tenho três formações, chego pra fazer entrevista vejo no olhar do entrevistador que não vai me chamar”, disse uma das mulheres entrevistadas, do Paraná.

— Então o que está em avaliação não é a competência, não é a formação, não é o quanto a pessoa estudou, é ela ser trans. São pessoas capacitadas em alguma profissão, mas que não conseguem emprego, ou só conseguem com renda muito baixa — disse Rolf ao comentar o resultado da pesquisa.  

Das mulheres ouvidas no levantamento, 51% se declararam ocupadas e 42% estão fora da força de trabalho. Outras 7% estão desocupadas. Em relação à renda, 56% das mulheres ganham menos que dois salários mínimos, 19% ganham entre dois e seis salários mínimos e 14%, acima de seis. Outras 12% não quiseram ou souberam informar.

Copeira do Senado há dois anos, Scarlety Pereira só teve a primeira carteira de trabalho assinada aos 30 anos. Para ela, é preciso dar oportunidades para que as mulheres trans possam deixar o rótulo de que nasceram para servir, inclusive na prostituição.

— O Senado me deu oportunidade de estudar. Hoje eu faço jornalismo e secretariado. Graças a Deus, esse trabalho me deu a oportunidade de aprender e de poder me colocar em um lugar melhor na sociedade — comemora.

Mapa Nacional

O recorte sobre mulheres trans e travestis estará disponível, a partir de quinta-feira (25), na página “Pesquisa Nacional” do Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma parceria entre o Senado, o Instituto Natura e a Gênero e Número, que reuniram seus projetos em uma plataforma pública e interativa com dados sobre a violência de gênero no Brasil.

Criado em 2016 pelo Senado, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, produz e integra informações para subsidiar políticas públicas e alimentar o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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