POLÍTICA NACIONAL

Gravação sem autorização como prova criminal passa na CSP

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A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (12) projeto que permite que a gravação ambiental feita sem autorização da polícia ou do Ministério Público seja usada como prova de acusação (PL 2.998/2022). O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que terá a palavra final.

Atualmente, a lei autoriza o uso da gravação feita por um dos interlocutores sem autorização, mas apenas para a defesa, e não para a acusação. A proposta também autoriza que a gravação seja realizada por um terceiro, sem autorização judicial, em casos de iminente risco à vida, à integridade física, à liberdade ou à dignidade sexual. O texto é do ex-senador Lasier Martins (RS), com parecer favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Para Damares, a impossibilidade de uso da prova pela acusação dificulta a responsabilização de crimes praticados em ambientes privados. Neles, muitas vezes a prova só pode ser obtida por meio da gravação realizada pela própria vítima ou por testemunhas.

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A senadora considera que, ao permitir o uso de gravações pela acusação, o projeto promove a cooperação processual e a busca pela verdade real, sem abrir mão das garantias individuais. Ela lembrou também que decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceram a legitimidade da gravação ambiental como prova legítima.

— A preocupação comum é com a proteção das vítimas e com o fortalecimento dos instrumentos de combate ao crime, especialmente nos casos de violência doméstica, crimes sexuais e situações em que não há tempo hábil para atuação prévia das autoridades — defendeu a relatora. 

Damares citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, que mostram aumento de 6,5% nos casos de estupro entre 2022 e 2023. A maior parte das ocorrências do crime em 2023 foram estupro de vulnerável, ou seja, com vítimas menores de 14 anos ou incapazes de consentir por qualquer motivo (como deficiência ou enfermidade). Além disso, em 2023 foram registrados 1.467 casos de feminicídio e mais de 300 mil ocorrências de violência doméstica, segundo o Anuário.

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— Esses números evidenciam a necessidade de fortalecer os instrumentos legais para a proteger as mulheres e a integridade do ambiente familiar, e garantir respostas mais efetivas do sistema de justiça diante de crimes cometidos em ambientes privados — afirmou Damares.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) disse que o projeto é “fundamental” e que é preciso entender que a busca da “verdade real” é um dos objetivos. Para o senador Sergio Moro (União-PR) o projeto corrige uma “distorção” e é uma forma de habilitar as autoridades a terem os instrumentos necessários para poder avançar no combate ao crime. Já o senador Magno Malta (PL-ES) ratificou a importância do projeto, principalmente para o combate aos crimes sexuais contra vulneráveis.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Nunes Marques restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL

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Às vésperas do prazo final para o registro de candidaturas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL). A decisão ocorre após o nome do parlamentar aparecer como filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, justamente no período em que ele busca registrar sua candidatura à Presidência da República.

A medida foi tomada a pedido do próprio PL. Na decisão, Nunes Marques considerou que a filiação partidária é uma condição necessária para que o cidadão possa disputar uma eleição e destacou que o vínculo não poderia ser alterado sem a manifestação de vontade do filiado.

Segundo o ministro, documentos apresentados no processo comprovam que Flávio Bolsonaro mantém vínculo com o PL desde 30 de novembro de 2021. Uma certidão da Justiça Eleitoral, citada na decisão, apontaria a regularidade e a exclusividade da filiação do senador à legenda.

Nunes Marques também considerou incompatível com as circunstâncias do caso a hipótese de uma mudança voluntária de partido. Flávio é apresentado publicamente como pré-candidato do PL à Presidência, enquanto o Missão já possui Renan Santos como nome lançado para a disputa ao Palácio do Planalto.

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A decisão ocorreu no mesmo dia em que o presidente do TSE determinou a abertura de investigação para apurar como a filiação ao Missão foi registrada. De acordo com o tribunal, não houve invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A suspeita é de uso indevido das credenciais de acesso de alguém autorizado a realizar filiações em nome do partido.

O caso também deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral para as providências cabíveis, enquanto a Polícia Federal investigará as circunstâncias do registro.

Em nota, o Missão afirmou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta e informou que já havia comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre as tentativas de inclusão do senador no quadro partidário desde o dia 2 de agosto.

O partido também declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.

Com a decisão do TSE, Flávio Bolsonaro volta a ter oficialmente o PL como partido de filiação, afastando, neste momento, um dos obstáculos para o registro de sua candidatura à Presidência da República.

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