POLÍTICA NACIONAL

Davi defende protagonismo dos Legislativos na definição da agenda internacional

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendeu o envolvimento dos Poderes Legislativos na construção das políticas públicas dos países do Brics. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (5), durante entrevista coletiva sobre os resultados do 11º Fórum Parlamentar do bloco.

Davi lembrou que a definição de agendas multilaterais passa necessariamente pelos Poderes Legislativos — os parlamentos têm a atribuição de aprovar os acordos firmados pelos seus governos com outros países.

— A agenda desses governos, quando dos acordos e da cooperação, consolida-se a partir da aprovação dada pelos respectivos parlamentos. Quando os parlamentos estão envolvidos na construção da agenda, acontece a forma mais efetiva para nós participarmos das discussões: como atores principais, e não coadjuvantes — afirmou.

‘Exemplos exitosos’

O presidente do Senado citou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Sistema Único de Saúde (SUS) como experiências nacionais positivas a serem divulgadas para a comunidade internacional. Ele disse, por outro lado, que o Brasil pode buscar no exterior “exemplos exitosos” na área de inteligência artificial.

— Cabe ao Brasil buscar os exemplos exitosos desses países para enfrentar a inteligência artificial, para que não fiquemos alguns anos como reféns do que estamos vivendo nas redes sociais. Não conseguimos ter um instrumento que possa dar tranquilidade para as pessoas na comunicação virtual. É um mundo sobre o qual não temos conhecimento. Precisamos buscar aqueles atores, e a Índia é um exemplo disso — argumentou.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também participou da entrevista. Ele destacou que o projeto de lei que regula o uso de inteligência artificial no Brasil (PL 2.338/2023) deve ser votado no Plenário da Câmara até o final deste ano. O texto, do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já passou pelo Senado e, atualmente, aguarda a análise de uma comissão especial de deputados federais.

— A expectativa é votar o projeto até o final do ano. É natural que, em um tema complexo como esse, a Câmara faça um texto diferente daquele que veio do Senado. Então a matéria deve retornar ao Senado, que dará a palavra final — declarou Motta.

Meio ambiente

Davi Alcolumbre citou a preservação ambiental como um dos principais temas debatidos no 11º Fórum Parlamentar do Brics. Para ele, os países desenvolvidos não podem “apontar o dedo” para cobrar mais preservação do Brasil.

— Somos um exemplo de preservação. Mesmo com as críticas, o Brasil tem 66% do seu território protegido. Apresentem outro país do planeta que tenha isso. É muito fácil para aqueles que já industrializaram suas nações há 200, 300, 500 anos apontar o dedo para o Brasil. Mas ninguém tem autoridade para apontar o dedo para o Brasil do ponto de vista da preservação ambiental — ressaltou.

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Após ser questionado por jornalistas, o presidente do Senado respondeu que a criação de uma moeda própria a ser adotada pelos países do Brics não está entre as principais preocupações do bloco.

— Em todos os encontros que tive no fórum, não percebi isso como preocupação principal. Eu pessoalmente estou tentando entender a questão. Acho que, do ponto de vista internacional, competir com o dólar é muito difícil. Mas acho que é um debate a se iniciar. Acho que isso ainda precisa ser muito amadurecido neste contexto global — enfatizou.

Davi apontou a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) como uma das principais conquistas do Brics. Essa instituição de fomento multilateral é formada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

— Esse grupo seleto, em tão pouco tempo, conseguiu constituir um banco de desenvolvimento. Olha a relevância deste momento que estamos vivendo, do ponto de vista do fortalecimento das nossas relações. Estamos falando de 50% da população do mundo. Ou seja: estamos falando de 3,5 bilhões de pessoas representadas no Brics; estamos falando de 40% do Produto Interno Bruto global; e isso nunca será pouca coisa.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

MP do Frete: comissão mista aprova alterações na medida provisória

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A comissão mista — formada por senadores e deputados federais — que analisa a Medida Provisória 1.343/2026 aprovou nesta quarta-feira (17) o parecer do deputado Zé Trovão (PL-SC). Além de reforçar os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, o texto aprovado institui um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.

Devido às alterações feitas, a medida provisória foi transformada em um projeto de lei de conversão (PLV). As próximas etapas em sua tramitação serão a votação da matéria nos Plenários da Câmara e do Senado, respectivamente.

Fiscalização

Em vigor desde março, a MP 1.343/2026 foi editada pela Presidência da República para fortalecer a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Para isso, torna obrigatório o registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga e valor do frete.

O respectivo sistema deve impedir a emissão do código quando a contratação registrar valor inferior ao piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Parecer

O parecer aprovado pela comissão mista mantém a estrutura da medida provisória, mas promove alterações em sua redação.

Uma das alterações é a que modifica a Lei 13.103, de 2015, que regulamenta a profissão de motorista. Essa mudança prevê: 

  • piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas empregados no transporte rodoviário de cargas de longa distância;
  • ampliação das ações apoiadas pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), incluindo renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho;
  • criação, no âmbito do Procargas, da Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas (PNPR-Cargas);
  • prioridade para transportadores autônomos de cargas (TACs) e cooperativas de transporte de cargas no acesso a ações, financiamentos, incentivos e programas vinculados ao Procargas.

Entre as demais mudanças, o parecer detalha a metodologia que deverá ser utilizada pela ANTT para calcular os pisos mínimos de frete, além de determinar a publicação semestral das planilhas e das memórias de cálculo.

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O texto também amplia as regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que passa a registrar informações sobre a forma e o prazo de pagamento do frete.

Frete adiantado

O parecer assegura aos transportadores autônomos de cargas o adiantamento de pelo menos 70% do valor do frete no momento da contratação, com pagamento do saldo em até três dias úteis após a entrega da carga.

A comissão

A comissão mista responsável pela análise da MP 1.343/2026 foi instalada em 9 de junho — e nessa mesma data foram eleitos o vice-presidente, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS); o relator, deputado Zé Trovão (PL-SC); e o relator-revisor, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).

O presidente da comissão, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), foi eleito nesta quarta-feira.

Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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