Se os trabalhos da CPMI do INSS não forem prorrogados, o relatório final da comissão deverá ser entregue e votado na próxima semana.
A informação foi dada nesta quarta-feira (18) pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), durante entrevista à imprensa.
Ele entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a prorrogação dos trabalhos da comissão.
A CPMI do INSS foi instalada em agosto de 2025, e o prazo final dos trabalhos é 28 de março — a não ser que haja a prorrogação. Carlos Viana ainda aguarda a decisão do STF.
— Se a prorrogação não vier, se o mandado de segurança que impetramos resultar em uma negativa por parte do Supremo Tribunal Federal, do ministro André Mendonça, naturalmente na semana que vem, por força de lei e de prazo, teremos de partir para a leitura do relatório, ainda que parcial, e para a tentativa de aprovação do texto até no final da próxima semana — afirmou o presidente da CPMI.
Ele ressaltou que tem esperança no adiamento dos trabalhos do colegiado, “em nome dos aposentados, em nome daqueles que foram lesados na Previdência, em nome dos cidadãos de bem deste país que querem uma investigação limpa”.
— É interesse do país ter um relatório forte, abrangente, um relatório que cumpra o papel de apontar os culpados (…). Para nós, hoje, é fundamental que a gente dê as respostas. O povo brasileiro espera muito da CPMI. E eu não quero decepcionar essas pessoas — declarou o senador.
Daniel Vorcaro
Viana enfatizou que, se os trabalhos forem prorrogados, a prioridade será ouvir o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília.
— Trazer Daniel Vorcaro à CPMI é uma questão pessoal, é uma questão minha de honra, porque estava acertado que ele viria, mas ele acabou preso nessas operações [de investigação] do Banco Master. Como presidente da comissão, entendo que precisamos trazer aqui o senhor Daniel Vorcaro e o senhor Fabiano Zettel [cunhado de Vorcaro] para que eles possam esclarecer ao povo brasileiro todos esses detalhes. Eles vão responder às perguntas, se desejarem, porque ficar em silêncio é um direito constitucional, mas eu quero que eles venham, para que eles possam dar esclarecimentos — disse ele.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária que poderá abrir um dos julgamentos mais incomuns da história da Corte: a análise sobre a possibilidade de instaurar uma investigação envolvendo o próprio ministro Alexandre de Moraes.
O caso envolve suspeitas relacionadas à suposta atuação de Moraes em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Antes de entrar no mérito das acusações, porém, os ministros deverão analisar questões preliminares, incluindo a validade do material produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
A sessão está prevista para começar às 10h e poderá ser acompanhada pela transmissão oficial do STF.
O julgamento ocorre depois de a Polícia Federal reunir elementos que, segundo os investigadores, indicariam que Vorcaro teria procurado Moraes para tentar obter ajuda em questões relacionadas ao Banco Master e evitar medidas de órgãos como a própria PF, o Ministério Público e o Banco Central.
PF encontrou 52 registros atribuídos a Vorcaro
De acordo com os elementos citados no caso, a perícia realizada no celular de Vorcaro identificou 52 registros enviados a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
Segundo a investigação, Vorcaro escrevia as mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e posteriormente encaminhava as imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
O conteúdo desses registros está entre os elementos que motivaram o questionamento sobre uma eventual relação entre o ex-banqueiro e o ministro do STF.
A existência das mensagens, porém, não significa, por si só, que tenha havido crime ou que Moraes tenha atendido aos pedidos. É justamente a apuração dessas circunstâncias que poderá ser objeto de investigação caso o procedimento avance.
STF pode encerrar caso antes de analisar acusações
O primeiro desafio dos ministros nesta terça-feira será processual.
O plenário deverá avaliar se o relatório produzido pela Polícia Federal e os dados extraídos do aparelho de Vorcaro podem ser utilizados no procedimento.
Caso seja identificado algum impedimento jurídico, o caso poderá ser encerrado sem que o conteúdo das suspeitas seja efetivamente investigado.
Se os ministros entenderem que os requisitos estão preenchidos, o STF poderá avançar para decidir se autoriza a abertura formal da investigação.
A decisão, portanto, não representa necessariamente uma conclusão sobre a existência de crime. Trata-se de definir se há elementos e condições jurídicas para que as suspeitas sejam apuradas.
Participação de Moraes é incerta
A presença de Alexandre de Moraes na sessão é considerada incerta justamente porque ele é o ministro diretamente envolvido nas suspeitas que serão analisadas.
A situação cria um cenário excepcional para a Corte, que terá de decidir sobre um procedimento que envolve um de seus próprios integrantes.
Outro ministro que pode ficar fora da análise é Dias Toffoli. Ele já declarou impedimento em outros desdobramentos relacionados ao caso Banco Master.
O julgamento, dessa forma, poderá estabelecer não apenas os próximos passos da apuração sobre Vorcaro, mas também os limites para a investigação de integrantes do próprio Supremo quando surgem suspeitas envolvendo relações com pessoas investigadas pela Justiça.
Caso ganhou dimensão política
O episódio ganhou ainda mais repercussão depois que vieram a público informações sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e sobre a atuação da Polícia Federal na análise do aparelho celular.
Moraes nega irregularidades e apresentou defesa contestando as suspeitas e a forma como a investigação foi conduzida. A defesa sustenta que não há mensagens de autoria do ministro que indiquem favorecimento ao ex-banqueiro e questiona a validade de elementos utilizados no procedimento.
Agora, caberá ao próprio STF decidir se o caso deve avançar para uma investigação formal.
O resultado da sessão poderá determinar se as suspeitas serão aprofundadas ou se o procedimento será encerrado antes mesmo da análise de mérito.
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