POLÍTICA NACIONAL

CI discute soluções para aumento de tarifas no aeroporto de Joinville

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O aumento das tarifas sobre as cargas transportadas para o aeroporto de Joinville (SC), quando provenientes dos aeroportos de Viracopos e Guarulhos, foi tema de debate promovido nesta terça-feira (18) pela Comissão de Infraestrutura (CI). O senador Esperidião Amin (PP-SC), representantes do governo e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) discutiram possíveis soluções para a questão.

Essas tarifas se referem à armazenagem, à remoção e às movimentações de cargas nos armazéns dos aeroportos — a incidência delas ocorre sobre as cargas importadas e as destinadas à exportação. O aumento em questão ocorreu após a adoção de novas regras pelas empresas que controlam os aeroportos de Viracopos e Guarulhos, ambos do estado de São Paulo.

Para Esperidião Amin, o aumento dessas tarifas foi súbito e desproporcional. Ao lembrar que elas estão temporariamente suspensas, o senador defendeu o fim dessa cobrança.

— O custo das operações [no aeroporto de Joinville] foi majorado em 624% nas operações de um dia e em até 3.405% [em alguns casos]. Se a execução de um contrato se extravia da modicidade, isso não pode vigorar. A regulação [do setor aéreo] existe para impedir absurdos. Joinville é o segundo polo metalúrgico mais importante do Brasil — protestou ele.

Mas o superintendente de Regulação Econômica de Aeroportos da Anac, Renan Essucy Gomes Brandão, afirmou que a decisão que resultou no aumento das tarifas é legal e está amparada pelo contrato de concessão dos aeroportos de Viracopos e Guarulhos. Por outro lado, ele disse que a Anac se compromete com uma solução que “respeite tanto o contrato [de concessão de Viracopos e Guarulhos] quanto a estabilidade econômica de Joinville”.

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Soluções

Representante da Secretaria Nacional de Aviação Civil, que faz parte do Ministério de Portos e Aeroportos, Daniel Ramos Longo informou que na próxima semana integrantes desse ministério e da Receita Federal devem se reunir para discutir a possível manutenção dos valores atuais. A reunião atende a pedido da empresa concessionária do aeroporto de Joinville — a CCR Aeroportos.

Segundo Daniel, a Receita Federal pode levar os dois aeroportos paulistas a voltar à classificação anterior do aeroporto catarinense (como “zona primária”), que utilizava uma tabela de valores com os preços cobrados antes do aumento. Esse aumento ocorreu após a reclassificação do aeroporto de Joinville como “zona secundária”, que utiliza outra tabela de valores. 

Por outro lado, de acordo com ele, uma alternativa viável para evitar o aumento das tarifas é transformar o aeroporto de Joinville em um aeroporto internacional.

— A concessionária [CCR Aeroportos] concluiu um estudo de custo-benefício para aferir os investimentos que ela teria de fazer para adequar o aeroporto àquilo que prescrevem os órgãos de fronteira. E o estudo indica que é vantajoso a internacionalização do aeroporto — ressaltou Daniel.

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Dificuldades

No entanto, o secretário de governo do município de Joinville, Gilberto de Souza Leal Junior, argumentou que uma eventual internacionalização do aeroporto levaria muito tempo para ser implementada.

Gilberto também avalia que o aumento das tarifas levará as empresas do município a trocarem os aeroportos paulistas por outros da região, como o de Navegantes (SC), o que sobrecarregará o trecho catarinense da rodovia BR-101.

— Uma viagem de Joinville a Navegantes, com 80 km apenas de distância, está levando duas horas. Uma viagem de Joinville a Florianópolis, de 180 km, que se fazia em duas horas e meia, agora estamos fazendo em quatro horas. Como é que nós vamos botar centenas e centenas de caminhões dentro da BR-101 já colapsada?

Já o presidente da Câmara de Vereadores de Joinvile, Diego Machado, declarou que o município vai “deixar de arrecadar R$ 130 milhões em impostos”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

MP do Frete: comissão mista aprova alterações na medida provisória

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A comissão mista — formada por senadores e deputados federais — que analisa a Medida Provisória 1.343/2026 aprovou nesta quarta-feira (17) o parecer do deputado Zé Trovão (PL-SC). Além de reforçar os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, o texto aprovado institui um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.

Devido às alterações feitas, a medida provisória foi transformada em um projeto de lei de conversão (PLV). As próximas etapas em sua tramitação serão a votação da matéria nos Plenários da Câmara e do Senado, respectivamente.

Fiscalização

Em vigor desde março, a MP 1.343/2026 foi editada pela Presidência da República para fortalecer a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Para isso, torna obrigatório o registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga e valor do frete.

O respectivo sistema deve impedir a emissão do código quando a contratação registrar valor inferior ao piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Parecer

O parecer aprovado pela comissão mista mantém a estrutura da medida provisória, mas promove alterações em sua redação.

Uma das alterações é a que modifica a Lei 13.103, de 2015, que regulamenta a profissão de motorista. Essa mudança prevê: 

  • piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas empregados no transporte rodoviário de cargas de longa distância;
  • ampliação das ações apoiadas pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), incluindo renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho;
  • criação, no âmbito do Procargas, da Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas (PNPR-Cargas);
  • prioridade para transportadores autônomos de cargas (TACs) e cooperativas de transporte de cargas no acesso a ações, financiamentos, incentivos e programas vinculados ao Procargas.

Entre as demais mudanças, o parecer detalha a metodologia que deverá ser utilizada pela ANTT para calcular os pisos mínimos de frete, além de determinar a publicação semestral das planilhas e das memórias de cálculo.

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O texto também amplia as regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que passa a registrar informações sobre a forma e o prazo de pagamento do frete.

Frete adiantado

O parecer assegura aos transportadores autônomos de cargas o adiantamento de pelo menos 70% do valor do frete no momento da contratação, com pagamento do saldo em até três dias úteis após a entrega da carga.

A comissão

A comissão mista responsável pela análise da MP 1.343/2026 foi instalada em 9 de junho — e nessa mesma data foram eleitos o vice-presidente, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS); o relator, deputado Zé Trovão (PL-SC); e o relator-revisor, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).

O presidente da comissão, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), foi eleito nesta quarta-feira.

Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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