POLÍTICA NACIONAL

CDH aprova medidas protetivas em caso de violência política contra a mulher

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A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou na quarta-feira (28) projeto que prevê medidas protetivas de urgência para os casos de violência política contra a mulher, como proibição de contato e suspensão de conteúdo em rede social. O texto segue para decisão final, no Senado, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O projeto de lei (PL) 2.341/2024, da ex-senadora Janaína Farias (CE), recebeu apoio da relatora, a senadora Jussara Lima (PSD-PI). A senadora explica, no documento, que algumas das medidas protetivas são diferentes das previstas na Lei Maria da Penha. Segundo ela, algumas medidas protetivas como o “direito de resposta” são mais pertinentes para o tipo de violência.

“A previsão dessas medidas no rol da Lei Maria da Penha poderia gerar incertezas na aplicação da lei… [O direito de resposta] aborda uma dimensão mais sensível e crucial do espaço de fala, distinguindo-se das disposições previstas na legislação vigente”, diz Jussara Lima no relatório.

As medidas poderão ser concedidas pelo juiz em contextos de atuação política da mulher. Para isso, o projeto altera a Lei 14.192, de 2021, que combate violência política. A lei define a agressão como “toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir ou restringir os direitos políticos da mulher”.

Medidas protetivas

Pelo texto, as medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz por iniciativa própria ou mediante pedido do Ministério Público ou da vítima, sem necessidade de haver boletim de ocorrência ou inquérito sobre a agressão.

As medidas seguintes podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia:

  • suspensão da posse ou restrição do porte de armas;
  • comparecimento do agressor a programas de recuperação e reeducação;
  • acompanhamento psicossocial do agressor; 
  • direito de resposta; e
  • proibição de determinadas condutas, como: aproxima-se da vítima, seus familiares e testemunhas; ter contato com a vítima, seus familiares e testemunhas; frequentar determinados lugares.
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As medidas protetivas de urgência vigorarão enquanto persistir risco aos direitos de participação política da mulher e poderão ser reavaliadas pelo juiz.

Retirada de conteúdo

Além desses, pode haver a suspensão de conteúdo que promova violência política em rede social ou outro canal de comunicação, caso haja discurso de ódio, incitação à violência, informação ou notícia inverídica ou violação manifesta à dignidade feminina. 

As condições foram incluídas por Jussara para atender parcialmente a emenda do senador Eduardo Girão (Novo-CE), apresentada após pedido de vista que ocorreu na reunião do dia 26 de março.

Marina Silva

Ao tratar de violência política contra as mulheres, os senadores divergiram sobre o embate da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, com parlamentares na terça-feira (27), na Comissão de Infraestrutura (CI). Ela abandonou a audiência pública após desentendimento com o senador Plínio Valério (PSDB-AM). 

Na reunião da CDH, Plínio Valério reafirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”.

— Quantas pessoas acham que eu sou um senador de quinta categoria? É uma opinião. A Marina me chamou de psicopata, é uma opinião dela. Quando eu digo que não respeito a ministra, eu não respeito mesmo.

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Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da CDH, avaliou que governo e oposição saíram prejudicados com o episódio de terça-feira. Ela afirmou que há a tendência de tratar mulheres de forma desigual na política.

— Eu já fui muito agredida no Parlamento como ministra. Nós falamos mais baixo com os senhores, e, quando a gente tenta levantar a voz, vocês acham que a gente está gritando. A ministra chegou em uma situação bem vulnerável: ela chega tentando o pouco que podia para salvar as ideias dela. Mas conheço meus colegas, sei como Plínio e o senador Marcos Rogério [PL-RO] me tratam com respeito. Com o senador Omar Aziz (PSD-AM), não vejo misoginia… Não queremos ser tratadas como coitadinhas. Quem bate também apanha, mas sobre a forma do debate temos que conversar entre nós — disse Damares.

Eduardo Girão, por sua vez, criticou a postura de parlamentares da base governista, que defendem Marina Silva, mas foram agressivos com mulheres que representavam o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro na CPI da Pandemia, em 2021.

— Fico indignado com a questão seletiva da abordagem. Na CPI da Pandemia, tivemos algumas reuniões em que mulheres foram agredidas, como a Mayra Pinheiro [ex-secretária do Ministério da Saúde], porque não corroboravam com a narrativa que o comando da CPI queria empurrar goela abaixo — disse Girão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Conselho de Comunicação Social lamenta agressões sofridas por jornalistas

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Em reunião nesta segunda-feira (4), o Conselho de Comunicação Social (CCS) registrou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, com discursos que chamaram atenção para as ameaças sofridas por jornalistas. Para a presidente do colegiado, Patrícia Blanco, a data serve para destacar as preocupações dos profissionais de comunicação, que “sofrem e vêm sofrendo violências diárias de todos os tipos”.

João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, saudou a melhora da posição do Brasil, desde 2022, no ranking mundial de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Para ele, trata-se de uma conquista do conjunto da sociedade brasileira. Porém, ele sugeriu uma “comemoração comedida”.

— A imprensa cumpre um papel estratégico, altamente relevante, de interesse público. Isso deve suscitar nas instituições um olhar de retribuição igualmente vigilante, sobre em que medida essa liberdade está sendo garantida e promovida, efetivamente, para que ela possa cumprir, todos os dias, bem o seu papel — afirmou.

Brant disse considerar necessária a participação do Brasil em uma agenda global de enfrentamento à desinformação e ao discurso de ódio. Ele defendeu um ambiente regulatório capaz de proteger e promover a liberdade de imprensa. Citou o ambiente digital como capaz de pôr em risco a sustentabilidade das empresas de mídia.

Adauto Soares, coordenador do setor de Comunicação e Informação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), apontou desafios na governança do ambiente digital, em aspectos como a disseminação acelerada de desinformação e os discursos de ódio. Soares observou que o índice mundial de liberdade de expressão, medido pela Unesco, caiu 10% desde 2012.

A entidade internacional está preocupada, segundo Soares, com a falta de segurança dos jornalistas e a impunidade em casos de crimes contra profissionais de imprensa.

Esses dados precisam ser lidos com atenção. Eles não dizem respeito apenas ao setor de comunicação. Eles dizem respeito à qualidade do debate público, à confiança social, à segurança de quem informa e à capacidade da sociedade de tomar decisões com base em informações confiáveis — disse.

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Representando as organizações Repórteres Sem Fronteiras e Coalizão em Defesa do Jornalismo, Bia Barbosa repercutiu dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que apontaram, em 2024, 144 casos de agressões a profissionais de comunicação no Brasil. Ela alertou para uma alta significativa dos casos de assédio judicial contra jornalistas, principalmente fora dos grandes centros, e manifestou temor de que a situação se agrave na campanha eleitoral deste ano.

— A gente está falando de prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, juízes e senadores contra jornalistas, visando silenciar o trabalho da imprensa. O assédio judicial transformou-se hoje, no Brasil, em uma das principais ferramentas de silenciamento e de intimidação do trabalho jornalístico — afirmou.

A jornalista Basília Rodrigues disse nem saber se há motivo para comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, diante das várias formas de violência às quais os profissionais estão expostos.

— Ser um bom jornalista é cuidar das informações, é prezar pela isenção, por ouvir todos os lados, dentro do possível. E, de uns tempos para cá, esses valores – liberdade, verdade, democracia – acabaram sendo utilizados politicamente por todos os lados, das piores formas possíveis, como se fossem só para alguns — afirmou.

Conselheiros

Além dos membros da sociedade civil ouvidos pelo CCJ, os conselheiros também manifestaram preocupação quanto à liberdade de imprensa. Rita Freire associou o declínio do índice de liberdade de imprensa nos Estados Unidos ao ímpeto da “extrema direita” de sufocar o debate e reescrever a História. Flavio Lara Resende pediu atenção ao impacto da inteligência artificial na campanha eleitoral.

Paulo Zocchi denunciou a atuação no Brasil de plataformas digitais estrangeiras, que não são tipificadas como empresas de comunicação e não controlam a violência contra jornalistas. Carlos Magno pediu ao CCS vigilância diante das agressões sofridas pelos profissionais.

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A vice-presidente do colegiado, Angela Cignachi, salientou a importância da imprensa como testemunha da história. Afirmou que a liberdade de expressão sofre ataques tanto de governos de esquerda quanto de direita. Rafael Soriano defendeu a liberdade dos órgãos de imprensa regionais e condenou o assédio judicial contra jornalistas.

Streaming

O CCS recebeu o relatório dos conselheiros Valderez Donzelli, Caio Loures e Carlos Magno sobre o PL 2.331/2022, que trata da regulamentação das plataformas de vídeo sob demanda (VOD), conhecidas como serviços de streaming (como a Netflix e a HBO). O projeto é do senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Aprovado na Câmara dos Deputados na forma de substitutivo, o texto retornou ao Senado para análise final e aguarda tramitação.

Entre outras providências, o relatório sugere a criação de uma comissão temática de regulamentação do audiovisual e a apresentação de outras proposições para harmonização do texto do projeto.

Identificamos lacunas que demandam veículo legislativo autônomo, entre elas, o condicionamento da dedução à propriedade intelectual, a escalonação da janela de cinema, a salvaguarda para microempresas e a reaproximação progressiva ao padrão europeu de cota de 30%”, diz o relatório, que apontou ainda “lacunas estruturais que extrapolam o escopo do projeto: a transparência algorítmica, obsolescência tecnológica, pejotização, o impacto da inteligência artificial generativa sobre a criação”.

Os conselheiros examinarão o relatório, que será votado na próxima reunião do CCS, prevista para 1º de junho.

Outros temas

O CCS acatou sugestão de Angela Cignachi para a realização de audiência pública sobre a comunicação nas eleições de 2026, com foco no risco de desinformação e de influência da inteligência artificial nas campanhas.

Outra audiência pública, prevista para agosto, deverá ser dedicada a uma demonstração da TV 3.0, nova geração da televisão aberta no Brasil, com acesso via aplicativos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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