POLÍTICA NACIONAL

CCT aprova criação da Política Nacional de Transformação Digital na Agricultura

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A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) aprovou nesta quarta-feira (8) o projeto que cria a Política Nacional de Transformação Digital na Agricultura. Com o objetivo de fomentar inovação, modernização e transformação digital do setor agropecuário, o PL 4.132/2025 segue para a Comissão de Reforma Agrária (CRA).

De autoria do senador Jaques Wagner (PT-BA) e relatoria favorável do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), a proposta orienta ações da União, em cooperação com estados, municípios, produtores rurais, agricultores familiares, povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil, com foco na digitalização inclusiva, sustentável e inovadora do meio rural.

Segundo o relator, a matéria contribui para uma maior participação da sociedade na transformação digital agropecuária. Petecão acatou uma emenda que inclui entre os instrumentos da política nacional a criação de plataformas digitais abertas e ambientes colaborativos de inovação, respeitando o sigilo das descobertas científicas.

Os instrumentos de implementação incluem programas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, capacitação e assistência técnica, certificação digital, rastreabilidade e criação dos Centros de Serviço Compartilhado Digital Rural (CSC Digital Rural). Também é proposto o Programa Nacional de Incubação de Soluções Digitais para Agricultura Familiar e Tradicional, com foco em tecnologias adaptadas à realidade local.

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Requerimento

A CCT deve realizar uma audiência pública sobre o papel da pesquisa científica na revitalização de campos maduros e marginais de petróleo e gás. O requerimento (REQ 3/2026 — CCT), também aprovado nesta quarta-feira, foi proposto pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP).

Por Bruno Augusto, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

IA entra na mira do TSE e pode ser proibida em vídeos de campanha nas eleições

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O uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais entrou no centro das discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte avalia alternativas para conter abusos envolvendo vídeos produzidos ou modificados por IA, em um debate que pode estabelecer novos limites para a propaganda política nas eleições de 2026.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ainda não definiu publicamente como deverá votar em um processo que envolve um vídeo produzido com inteligência artificial e atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso ganhou relevância porque envolve a reprodução de uma mensagem de Bolsonaro durante uma convenção do Partido Liberal.

A discussão ocorre justamente quando a tecnologia permite criar vídeos e áudios cada vez mais próximos de conteúdos reais. O principal desafio para a Justiça Eleitoral é estabelecer mecanismos capazes de combater manipulações sem transformar a fiscalização eleitoral em uma restrição desproporcional à utilização legítima de novas ferramentas.

As regras eleitorais de 2026 já tratam especificamente de conteúdo sintético produzido por inteligência artificial. A regulamentação do TSE prevê mecanismos para responsabilização e, em determinadas situações, permite que o juiz determine a inversão do ônus da prova quando a comprovação técnica da manipulação for excessivamente difícil. Nessa hipótese, quem produziu ou divulgou o conteúdo pode ser obrigado a demonstrar como a IA foi utilizada e comprovar a veracidade da informação divulgada.

O próprio TSE também estabeleceu que os tribunais eleitorais poderão firmar acordos com universidades e instituições especializadas em perícia digital e inteligência artificial para auxiliar na análise de possíveis ilícitos durante o processo eleitoral.

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A possível discussão sobre uma proibição mais ampla, portanto, representa um passo além das regras atualmente estabelecidas. Em vez de apenas exigir transparência ou responsabilizar conteúdos considerados ilícitos, a Corte poderá discutir se determinadas formas de utilização da tecnologia devem ser impedidas durante a campanha.

O caso envolvendo Bolsonaro pode se tornar um dos primeiros testes relevantes desse novo cenário. A decisão deverá ajudar a estabelecer parâmetros para situações em que uma pessoa pública aparece dizendo algo que não disse, especialmente quando o material é distribuído nas redes sociais com potencial de alcançar milhares ou milhões de eleitores em poucas horas.

A preocupação não se limita aos vídeos. A Justiça Eleitoral também terá de lidar com áudios clonados, imagens manipuladas e outros conteúdos capazes de simular declarações ou acontecimentos que nunca ocorreram.

Pesquisas também entram na pauta

Além da inteligência artificial, outro tema relacionado diretamente à disputa presidencial está sob análise de Nunes Marques: a pesquisa AtlasIntel que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.

Em junho, o ministro determinou liminarmente a suspensão da divulgação da pesquisa após pedido apresentado pelo PL. Nunes Marques apontou suspeitas de indução dos entrevistados por causa da metodologia utilizada no levantamento. A decisão, entretanto, é liminar e depende de análise do plenário do TSE.

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A AtlasIntel contestou a decisão e afirmou que o questionário havia sido concluído antes da exposição dos entrevistados ao áudio relacionado ao caso Dark Horse, defendendo a regularidade da metodologia.

Os dois episódios colocam o TSE diante de uma questão que deverá acompanhar toda a campanha de 2026: qual é o limite entre fiscalização necessária para proteger o eleitor e restrição ao debate político?

No caso da inteligência artificial, a resposta poderá ter impacto direto na forma como partidos e candidatos produzirão conteúdo eleitoral. A tecnologia pode ser usada para criação e edição de materiais, mas a utilização de recursos capazes de fabricar declarações, acontecimentos ou informações falsas coloca a Justiça Eleitoral diante de um dos desafios mais complexos da próxima eleição.

O calendário oficial do TSE estabelece 15 de agosto como prazo final para o registro das candidaturas às eleições gerais de 2026. A partir daí, a disputa entra em uma etapa ainda mais intensa, aumentando também a pressão sobre a Corte para definir rapidamente os limites aplicáveis à propaganda digital.

O julgamento sobre o uso de inteligência artificial, portanto, não deverá tratar apenas de um vídeo específico. A decisão poderá criar um precedente para toda a campanha eleitoral e determinar como a Justiça Eleitoral pretende enfrentar uma tecnologia que já faz parte da disputa política.

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