POLÍTICA NACIONAL

Brics: presidentes das CREs debaterão comércio, investimento e finanças

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Presidentes das Comissões de Relações Exteriores (CREs) dos parlamentos que participam da 11ª edição do Fórum Parlamentar do Brics reúnem-se nesta terça-feira (3), a partir de 10h30. Os parlamentares vão debater estratégias de fortalecimento do fórum de articulação político-diplomática e de cooperação do chamado “sul global”, a partir do âmbito do comércio, dos investimentos e das finanças.

Os parlamentares podem participar de três sessões de trabalho, a serem sediadas no Plenário de Comissão 1 da Câmara dos Deputados:

  • Fortalecendo o comércio do Brics no atual cenário internacional;
  • Promoção de investimentos e transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável e;
  • Instrumentos financeiros para um Brics mais resiliente e sustentável.

Estão previstas a participação de representantes de dez dos 11 países membros do grupo: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito e Indonésia, último país a ingressar no fórum. Também estarão presentes à reunião membros de países parceiros como Belarus, Bolívia e Cuba.

Presidente da CRE no Senado, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirma que a expectativa é que os debates avancem com propostas que fortaleçam o comércio, os investimentos e os instrumentos financeiros entre os países do Brics. Além disso, ressaltou, o Parlamento brasileiro quer estar “no centro do debate” em torno de um novo equilíbrio global.

— O Fórum é oportunidade para discutir o uso de meios de pagamento e moedas locais, a redução de barreiras comerciais e a troca de tecnologia, além de cobrar que o Banco do Brics financie mais projetos com impacto direto na vida das pessoas. O Brasil deve seguir construindo pontes com o mundo todo, com equilíbrio e foco em resultados — diz Trad, para quem o Brics tem “papel fundamental na construção de uma nova ordem internacional, mais multipolar, inclusiva e cooperativa”. 

Segundo Guilherme Del Negro, consultor legislativo do Senado da área de Direito Internacional, Relações Internacionais e Defesa Nacional, os debates dessa reunião, assim como o Fórum Parlamentar de que ela é parte, permitem trazer a perspectiva do Poder Legislativo para espaços normalmente ocupados apenas pelo Poder Executivo, e com isso renová-los e torná-los mais representativos, com ganhos para todos.

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— A construção desses espaços também é particularmente útil para estabelecer um canal direto voltado ao aprimoramento da atividade legislativa e fiscalizatória, atribuições próprias do Congresso Nacional e de suas Casas Legislativas, permitindo um melhor alinhamento do que fazemos do nosso lado com os objetivos estratégicos que compartilhamos no bloco. Assim, temos ganhos nos dois sentidos, tanto podendo influenciar melhor as discussões do Brics a partir do Poder Legislativo, quanto podendo receber mais informações de política externa do lado do Poder Legislativo — afirma Del Negro.

Outras vantagens desses eventos são a troca de experiências e de boas práticas em legislação e regulação entre os parlamentos participantes e a possibilidade de construção de novos consensos pela linguagem parlamentar, mais pragmática e acessível e menos cautelosa do que a linguagem diplomática, segundo o consultor.

— Em termos práticos, como entrega concreta, posso destacar que as conclusões do Fórum Parlamentar serão apresentadas aos chefes de Estado e de governo do Brics, com o potencial de produzir efeitos na política externa de cada país-membro ou parceiro ou mesmo do bloco como um todo — expõe Del Negro.

Comércio, investimento e finanças

Os temas escolhidos para orientar as sessões de trabalho situam-se no âmbito de “comércio, investimentos e finanças”, uma das seis áreas prioritárias adotadas pela presidência brasileira do Brics. Esses temas também mantêm contato com outras áreas, como mudança do clima e governança da inteligência artificial. A primeira sessão, às 11h, destaca o comércio:

— Entram nesse campo os debates sobre o reforço dos fluxos comerciais entre os países-membros e parceiros do Brics, explorando complementariedades e sinergias, bem como as medidas de facilitação do comércio, que estão voltadas a agilizar e baratear as próprias transações comerciais. Outro tópico de interesse se refere aos desafios globais para o comércio, em um cenário de crescente protecionismo e de adoção de medidas unilaterais, muitas vezes disfarçadas — enfatiza Del Negro.

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Já a segunda sessão de trabalho, que se inicia às 14h, elenca os investimentos estratégicos em transporte, logística, infraestrutura digital, desenvolvimento urbano, entre outros.

— E esses investimentos são pensados em termos de seus impactos ambientais, sendo crescentemente necessário apostar em tecnologias, sistemas e técnicas que sejam sustentáveis, com impacto ambiental reduzido, além de resilientes, capazes de resistir a desastres e outros fenômenos naturais — expõe o consultor.

Além disso, segundo Del Negro, a reunião pode tratar das chamadas transições justas, para que essas mudanças não sejam insensíveis às populações mais vulneráveis, que nem sempre terão condições de arcar com novos custos sem o apoio estatal. Com isso, podem-se debater na sessão os caminhos para o desenvolvimento sustentável de todos os países do Brics.

Por fim, às 15h, os representantes das CREs debruçam-se sobre a questão dos instrumentos financeiros para um Brics mais resiliente e sustentável. É a hora de pensar sobre os recursos e examinar mecanismos para a captação e direcionamento.

O consultor do Senado explica que foram sugeridos, para balizar os debates, a discussão sobre a Parceria para a Nova Revolução Industrial (PartNIR), grande estratégia do bloco para modernizar a indústria e alinhá-la com tecnologias digitais e de inteligência artificial de ponta, que deverá contar com apoio financeiro suficiente.

— Além disso, em um cenário de compressão fiscal vivenciado no Brasil e em outros países e também de expansão do próprio Brics, é importante olhar com ainda mais atenção para os mecanismos de segurança e liquidez do bloco, com destaque para o Arranjo Contingente de Reservas, e também de financiamento, como o Novo Banco de Desenvolvimento — salienta Del Negro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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MP do Frete: comissão mista aprova alterações na medida provisória

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A comissão mista — formada por senadores e deputados federais — que analisa a Medida Provisória 1.343/2026 aprovou nesta quarta-feira (17) o parecer do deputado Zé Trovão (PL-SC). Além de reforçar os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, o texto aprovado institui um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.

Devido às alterações feitas, a medida provisória foi transformada em um projeto de lei de conversão (PLV). As próximas etapas em sua tramitação serão a votação da matéria nos Plenários da Câmara e do Senado, respectivamente.

Fiscalização

Em vigor desde março, a MP 1.343/2026 foi editada pela Presidência da República para fortalecer a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Para isso, torna obrigatório o registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga e valor do frete.

O respectivo sistema deve impedir a emissão do código quando a contratação registrar valor inferior ao piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Parecer

O parecer aprovado pela comissão mista mantém a estrutura da medida provisória, mas promove alterações em sua redação.

Uma das alterações é a que modifica a Lei 13.103, de 2015, que regulamenta a profissão de motorista. Essa mudança prevê: 

  • piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas empregados no transporte rodoviário de cargas de longa distância;
  • ampliação das ações apoiadas pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), incluindo renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho;
  • criação, no âmbito do Procargas, da Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas (PNPR-Cargas);
  • prioridade para transportadores autônomos de cargas (TACs) e cooperativas de transporte de cargas no acesso a ações, financiamentos, incentivos e programas vinculados ao Procargas.

Entre as demais mudanças, o parecer detalha a metodologia que deverá ser utilizada pela ANTT para calcular os pisos mínimos de frete, além de determinar a publicação semestral das planilhas e das memórias de cálculo.

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O texto também amplia as regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que passa a registrar informações sobre a forma e o prazo de pagamento do frete.

Frete adiantado

O parecer assegura aos transportadores autônomos de cargas o adiantamento de pelo menos 70% do valor do frete no momento da contratação, com pagamento do saldo em até três dias úteis após a entrega da carga.

A comissão

A comissão mista responsável pela análise da MP 1.343/2026 foi instalada em 9 de junho — e nessa mesma data foram eleitos o vice-presidente, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS); o relator, deputado Zé Trovão (PL-SC); e o relator-revisor, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).

O presidente da comissão, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), foi eleito nesta quarta-feira.

Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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