POLÍTICA NACIONAL
Agência Senado celebra 29 anos ampliando a transparência do Legislativo
Publicado em
29 de janeiro de 2026por
Da Redação
Criada no contexto da redemocratização e do uso pioneiro da internet pelo Senado, a Agência Senado chega aos 29 anos, nesta quinta-feira (29), consolidada como referência em jornalismo legislativo, com mais de 21 milhões de acessos anuais, produção diária intensa e um papel central na divulgação transparente da atividade parlamentar.
A principal missão da Agência é informar a população sobre o que acontece no Senado e no Congresso Nacional, com clareza, precisão e compromisso com o interesse público. Esse trabalho contínuo se reflete, ano a ano, no crescimento dos indicadores de acesso e de compartilhamento do conteúdo produzido.
Na avaliação da diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Luciana Rodrigues, o diferencial da Agência Senado está no acompanhamento contínuo e explicativo do processo legislativo, e não apenas na divulgação dos resultados finais. Para ela, essa cobertura completa contribui para que o público tenha condições de avaliar criticamente as decisões políticas.
— Não nos limitamos a noticiar as decisões finais: acompanhamos e explicamos todo o processo decisório, o que amplia as possibilidades de participação cidadã e assegura o acesso amplo e qualificado à informação sobre o Parlamento. Isso faz com que o público se torne capaz de avaliar criticamente, questionar, apoiar ou buscar a transformação das decisões políticas. Esse trabalho aproxima o cidadão do Senado e contribui de forma concreta para o fortalecimento da democracia.
Alcance digital
Em 2025, o Portal Senado Notícias registrou mais de 21 milhões de acessos, com aproximadamente 2 mil cópias diárias de matérias e a disponibilização de um acervo com mais de 4 milhões de fotografias, garantindo informação pública qualificada e acessível sobre a atividade legislativa e institucional.
Temas como a CPMI do INSS, a regulamentação da reforma tributária e a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mobilizaram a equipe de jornalismo da Agência, que se dedicou a uma apuração minuciosa e à produção de conteúdos contextualizados, com linguagem clara e acessível, de forma a contribuir para a compreensão dos leitores.
Os dados de acesso mostram que o interesse dos leitores se concentrou, especialmente, em temas ligados a benefícios financeiros e direitos de categorias profissionais, o que demonstra o impacto direto das decisões do Parlamento na vida cotidiana da população.
Nesse período, o Portal Senado Notícias alcançou 12,9 milhões de usuários únicos, e o conteúdo produzido pela Agência foi copiado mais de 605 mil vezes, em uma demonstração do uso recorrente das reportagens por veículos de comunicação, instituições públicas e cidadãos em busca de informação confiável sobre a agenda legislativa.
Serviço público e democracia
Mais do que cobrir votações e debates legislativos, a atuação da Agência Senado se destaca pela prestação de um serviço público de interesse direto do cidadão. Em anos eleitorais, por exemplo, o portal se diferencia por ser o único a reunir o perfil de todos os candidatos ao Senado em cada estado. É mais uma forma de contribuir para ampliar o acesso a informações qualificadas e apoiar o eleitor no processo de escolha.
Esse banco de dados costuma gerar picos de acesso às vésperas das eleições e é resultado de um trabalho atento de apuração, organização e checagem de informações. Um esforço coletivo que reflete o compromisso da equipe da Agência Senado com a qualidade jornalística, a transparência institucional e o fortalecimento da democracia, como avaliou a diretora da Agência, Paola Lima.
— O acompanhamento das eleições é uma parte disso. O objetivo é explicar aos cidadãos como o Senado funciona e sua importância para o país, qual o papel efetivo dos senadores da República e quem são as pessoas que se propõem a representar seus estados no Congresso. Sem tratar de partidos ou ideologia política, nosso trabalho é contribuir para que o eleitor possa exercer seu direito com mais informação e consciência. Os perfis dos candidatos ao Senado, por exemplo, costumam ser as páginas mais acessadas do Portal no dias que antecedem a eleição e no dia da votação. Para nós, é a comprovação de que estamos no caminho certo.
Reconhecimento e credibilidade
Embora a cobertura jornalística diária seja o carro-chefe da Agência, a direção, em parceria com outras unidades administrativas do Senado, tem buscado constantemente novas formas de ampliar o alcance da informação legislativa. Iniciativas como o Arquivo S e o Orçamento Fácil permitem que conteúdos sobre o Legislativo, o orçamento público e a história institucional cheguem a novos públicos, com linguagens específicas e acessíveis.
— As parcerias foram frutos de ideias originais dos setores, conversadas e pensadas com a gente para encontrarmos a melhor forma de levar ao público o resultado de excelentes trabalhos feitos na Casa para além do Plenário e das comissões. É um orgulho para Agência ajudar a divulgar o trabalho de setores importantes do Senado como a Consultoria de Orçamento e o Arquivo, que inclusive completa 200 anos este ano — ressaltou Paola.
A credibilidade e a qualidade editorial da Agência Senado também se refletem no reconhecimento externo. Reportagens produzidas pela Agência voltaram a integrar obras do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), ampliando o alcance do conteúdo junto a estudantes e professores de todo o país. Além disso, a Agência conquistou o terceiro lugar no Prêmio de Jornalismo Cafés do Brasil, promovido pelo Conselho Nacional do Café.
Fotografia e redes sociais
Muitos leitores chegam ao portal da Agência atraídos pela qualidade da fotografia institucional. O trabalho jornalístico, o olhar atento dos profissionais e a relevância dos fatos registrados compõem um conjunto de fatores que explicam esse padrão de excelência e credibilidade. É a combinação entre o clique no momento certo, a sensibilidade do fotógrafo e o processo de edição que permite que imagens produzidas no cotidiano do Senado ultrapassem fronteiras e alcancem repercussão internacional. Como a imagem que retrata a cena de uma criança escrevendo em um bilhete a palavra bullying. A foto se tornou a mais visualizada do acervo desde 2018.
Assim como essa imagem, outros 4 milhões de fotografias fazem parte do acerto da Agência Senado, que contribuem para contar a história recente da política brasileira e ampliar o acesso da sociedade ao registro visual da atividade legislativa.
O alcance desses registros fica evidente nas redes sociais e plataformas de imagem e vídeo. A conta da Agência Senado no Flickr, por exemplo, somou 11,1 milhões de visualizações, com destaque para o pico de acessos registrado durante a eleição da Mesa do Senado, em fevereiro de 2025.
Apesar dessa capacidade de amplo alcance, o coordenador de Jornalismo Visual, Leonardo Sá, esclareceu que esse não é um critério que pauta o trabalho do setor, e sim o fato, o contexto e o compromisso em retratar a verdade. No entanto, ele reconheceu que a métrica sinaliza a qualidade do resultado final entregue por um time qualificado e experiente.
— A gente tem que lembrar que o trabalho da nossa equipe de fotografia, que é composta por um grande time: além de fotógrafos, são profissionais muito experientes dentro do jornalismo, da reportagem. Para você ter uma ideia, nosso repórter fotográfico mais novo já tem, pelo menos, 15 anos de trabalho. Então é uma equipe muito experiente e isso ajuda muito na credibilidade, no compromisso e na qualidade do nosso trabalho.
No Instagram, o perfil criado em 2021 já conta com cerca de 52 mil seguidores e seus conteúdos alcançaram 6,4 milhões de pessoas, atraídas de forma totalmente orgânica. Enquanto o canal no YouTube registrou 562 mil visualizações ao longo de 2025.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Levantamento inédito do DataSenado confirma violência contra trans e travestis
Published
1 mês agoon
23 de junho de 2026By
Da Redação
Agressões, constrangimentos em espaços coletivos, discriminação no mercado de trabalho, problemas no atendimento em órgãos públicos e violência sexual. Essas são algumas das situações relatadas por mulheres transexuais e travestis entrevistadas na 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado. O levantamento mostra que 56% das entrevistadas passaram por situações de violência nos últimos 12 meses.
Conduzida entre maio e julho de 2025 pelo DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), a edição mais recente da pesquisa traz um recorte inédito, específico sobre as mulheres trans. Das 43 entrevistadas que se identificaram como trans ou travestis, 40% relataram agressões verbais associadas diretamente à sua identidade de gênero. Outras 17% disseram terem sido agredidas fisicamente e 12% sofreram violência sexual no último ano.
Rolf Regehr, psicólogo e chefe do serviço de pesquisa e análise do DataSenado, ressalva que a falta de dados populacionais oficiais sobre mulheres trans e travestis no Brasil restringe análises com maior precisão estatística. Mas os dados desse novo recorte da pesquisa, explica, ajudam a entender aspectos como a naturalização das violências sofridas, detectada nas entrevistas.
— [Os resultados da pesquisa] são achados exploratórios sobre o grupo entrevistado. A pesquisa, nesse sentido, procura contribuir para uma compreensão mais precisa de aspectos relevantes de suas vivências, como nesse caso, a recorrência e naturalização das violências sofridas — diz Regehr.
Naturalização das agressões
Para o psicólogo, a naturalização das agressões no cotidiano fica clara quando muitas das situações enfrentadas diariamente por essas mulheres sequer são identificadas prontamente como violência. Apenas 4% das entrevistadas afirmaram, inicialmente, ter sofrido violência de gênero. Depois, quando questionadas situações específicas, 56% delas afirmaram ter passado por algumas delas no último ano.

Foi o medo de passar por situações como essas que fez a escritora Rafaela Miranda, de 37 anos, parar de frequentar certos espaços públicos, como banheiros coletivos.
— Eu não frequento de forma alguma. Prefiro ficar me segurando, porque sei que se eu entrar num banheiro público as pessoas vão começar a olhar de forma diferente, já que não tenho “passabilidade” — diz Rafaela, usando o termo que se refere ao reconhecimento social das mulheres trans como mulheres.
A violência de gênero, no caso de Rafaela, também se mostra no tratamento por pronomes masculinos, mesmo com todos os documentos retificados e a identificação como mulher trans.
De acordo com a antropóloga Beatriz Accioly, essas exclusões, pela frequência com que acontecem, podem acabar sendo naturalizadas e fazer com que mulheres trans entendam que determinados espaços não são feitos para elas.
— Quando uma mulher é hostilizada na rua, mal atendida em um serviço público ou tem sua identidade constantemente questionada, ela recebe a mensagem de que aquele espaço não foi feito para ela. Esses episódios produzem medo, restringem a circulação e afetam o acesso a direitos — explicou ao DataSenado Beatriz, que é gerente de políticas públicas pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, parceiro no Mapa Nacional da Violência de Gênero.
Mesmo nos serviços públicos, as mulheres trans relatam episódios de mau atendimento e transfobia. É o caso de uma das mulheres entrevistadas pela pesquisa, moradora do Distrito Federal, que relatou dificuldade ao procurar serviços de saúde: “Só por eu falar meu nome de mulher, né? Ele falava meu nome de homem, e eu pedindo pra falar meu nome de mulher, e não queriam me atender como mulher.”
Tornar essas experiências visíveis, explica Vitória Régia da Silva, diretora executiva da organização Gênero e Número — também parceira do Senado no mapa —, é um passo fundamental para ampliar a produção de evidências, fortalecer políticas de proteção e garantir que mulheres trans e travestis sejam incluídas no debate público sobre enfrentamento à violência de gênero.
Violência Doméstica
Das entrevistadas, 47% disseram já ter sofrido violência doméstica. Para 70% das vítimas, a violência afetou o convívio com outras pessoas e para 55%, a rotina diária. A vida profissional (45%) e os estudos (35%) também são prejudicados pela violência, que é, na maior parte das vezes, psicológica.

Mercado de trabalho
No mercado de trabalho, a exclusão das mulheres trans e travestis também fica clara. Apesar de ser qualificada, Rafaela tem dificuldade de conseguir emprego e relata que o comportamento dos recrutadores muitas vezes muda quando ela se identifica como uma mulher trans.
— Mandei um currículo para uma empresa. A pessoa começou conversar comigo pelo WhatsApp, me tratou bem, elogiou meu currículo. No final da entrevista, eu sempre aviso que sou transexual, para não ter o constrangimento de chegar no dia da entrevista presencial e ficarem me tratando diferente, né? Assim que eu falei que era transexual, a empresa simplesmente parou de me responder — lamenta.
A dificuldade relatada por Rafaela aparece nos resultados da pesquisa, com 26% das entrevistadas tendo declarado que não conseguem se sustentar. “Tenho três formações, chego pra fazer entrevista vejo no olhar do entrevistador que não vai me chamar”, disse uma das mulheres entrevistadas, do Paraná.
— Então o que está em avaliação não é a competência, não é a formação, não é o quanto a pessoa estudou, é ela ser trans. São pessoas capacitadas em alguma profissão, mas que não conseguem emprego, ou só conseguem com renda muito baixa — disse Rolf ao comentar o resultado da pesquisa.
Das mulheres ouvidas no levantamento, 51% se declararam ocupadas e 42% estão fora da força de trabalho. Outras 7% estão desocupadas. Em relação à renda, 56% das mulheres ganham menos que dois salários mínimos, 19% ganham entre dois e seis salários mínimos e 14%, acima de seis. Outras 12% não quiseram ou souberam informar.
Copeira do Senado há dois anos, Scarlety Pereira só teve a primeira carteira de trabalho assinada aos 30 anos. Para ela, é preciso dar oportunidades para que as mulheres trans possam deixar o rótulo de que nasceram para servir, inclusive na prostituição.
— O Senado me deu oportunidade de estudar. Hoje eu faço jornalismo e secretariado. Graças a Deus, esse trabalho me deu a oportunidade de aprender e de poder me colocar em um lugar melhor na sociedade — comemora.
Mapa Nacional
O recorte sobre mulheres trans e travestis estará disponível, a partir de quinta-feira (25), na página “Pesquisa Nacional” do Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma parceria entre o Senado, o Instituto Natura e a Gênero e Número, que reuniram seus projetos em uma plataforma pública e interativa com dados sobre a violência de gênero no Brasil.
Criado em 2016 pelo Senado, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, produz e integra informações para subsidiar políticas públicas e alimentar o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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