O candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) elevou o tom contra o senador Carlos Fávaro (PSD) durante debate entre candidatos à vaga por Mato Grosso e questionou a mudança de postura do parlamentar em relação a um possível processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para Galvan, defender o impeachment apenas no discurso não é suficiente. O candidato afirmou que o Senado já teve oportunidades de tomar medidas contra ministros da Suprema Corte e não teria avançado.
“Não basta falar em impeachment. Tem que ter coragem para votar. Não adianta agora dizer que vai fazer aquilo que poderia ter feito antes. O Senado teve oportunidade e não fez”, afirmou.
A crítica ocorre após Fávaro passar a defender que o Senado esteja preparado para abrir um processo de impeachment contra Moraes caso não sejam apresentados esclarecimentos ou ocorra eventual renúncia do ministro.
Galvan questiona mudança de postura
Durante o debate, Galvan afirmou que o eleitor deve considerar o histórico dos parlamentares antes de decidir o voto. Na avaliação do candidato, quem já ocupou uma cadeira no Senado teve oportunidade de agir e agora não poderia simplesmente apresentar uma nova postura.
“Eles já poderiam ter feito, eles já tiveram a oportunidade deles. Eu estou aqui justamente porque nunca exerci um mandato político e quero fazer essa diferença”, declarou.
O candidato também criticou o que considera uma concentração excessiva de poder no STF e defendeu uma atuação mais independente do Senado no sistema de freios e contrapesos entre os Poderes.
“Eu nunca vi tanto senador covarde como nós temos hoje dentro do Congresso, especialmente no Senado. Os três senadores de Mato Grosso fazem parte dessa situação. Poderiam ter feito esse equilíbrio dos Poderes se tivessem agido no momento correto”, afirmou.
“Senador Coragem”
A defesa de uma postura mais combativa diante do STF é um dos principais eixos da campanha de Galvan. Durante o debate, ele reforçou a marca “Senador Coragem” como uma proposta de diferenciação em relação aos políticos que já ocupam ou ocuparam cargos no Congresso.
Segundo o candidato, um eventual mandato seria pautado pela disposição de assumir posições em votações consideradas controversas, mesmo diante de pressões políticas.
“Eu quero ser o senador que não vai ter medo de votar. O senador precisa ter coragem para cumprir aquilo que a Constituição determina”, disse.
Galvan também afirmou que pretende colocar o equilíbrio entre os Poderes entre as prioridades de seu eventual mandato e defendeu que o Senado exerça as prerrogativas constitucionais de fiscalização com independência.
“Se o Senado não tiver coragem de exercer o seu papel, quem vai fazer esse equilíbrio? É por isso que Mato Grosso precisa de um senador que tenha coragem de enfrentar o que tiver que enfrentar”, concluiu.