Política MT
Promotor de Justiça fala sobre segurança pessoal e corporativa na Comissão de Segurança da ALMT
Publicado em
10 de junho de 2025por
Da Redação
A terceira reunião ordinária da Comissão de Segurança Pública e comunitária da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) realizada nesta terça-feira (10) foram analisados e votados 17 projetos de leis. O promotor de justiça, Mauro Zaque, foi convidado pela Comissão para falar sobre o seu livro “Como não se tornar uma vítima: Um guia de segurança pessoal e corporativa”.
“Eu penso que é uma obra que pode agregar muito para a Assembleia, tanto na proteção dos gabinetes, quanto para os servidores, na proteção de quem frequenta esses gabinetes, como no dia a dia do próprio deputado. Eu acho que isso é muito importante porque são procedimentos imediatos, segurança se trabalha com prevenção. Prevenção é construída com procedimentos de segurança. E isso aqui para esse ambiente é fundamental”, disse Zaque.
O promotor destacou alguns trechos da obra como por exemplo, a atenção em certas ocasiões no dia a dia na questão digital.
“A melhor maneira seria a pessoa aprender a desenvolver o seu sistema de atenção e, no livro, eu trabalho muito isso, como desenvolver um sistema de atenção, e ao mesmo tempo é um sistema utilizado pelo FBI hoje, de forma que quando o golpe começar a aparecer, seja um golpe digital, seja uma ação violenta comum, se o seu sistema de atenção está funcionando, você já vai ligar um alerta e aí você vai ter como reagir, ou seja, atuar antes que o golpe aconteça, tanto numa esfera como em outra”, apontou ele.
O presidente da Comissão, deputado Elizeu Nascimento (PL) disse que a Assembleia Legislativa recebe várias pessoas sem serem identificadas, e esse foi um dos motivos que convidou o autor do livro para falar sobre a obra.
“O promotor Mauro Zaque tem vasta experiência em segurança pública e sua apresentação foi muito boa e interessante. A explanação foca em trechos essenciais e que complementam até minha experiência como policial militar. Devido a importância do livro, a comissão vai propor a Mesa Diretora a divulgação da obra no Poder Legislativo como medida de precaução para os servidores, no dia a dia”, comentou Nascimento.
Para o deputado Júlio Campos (União), a obra explica pontos importantes na preocupação de segurança do Poder Legislativo, principalmente, com a entrada de visitantes no prédio, onde segundo o parlamentar, não tem fiscalização adequada.
“As entradas aqui são livres, sem qualquer tipo de abordagem ou identificação. Aqui entram milhares de pessoas diariamente e estamos vulneráveis a tudo. Para mim foi primordial essas explicações que o promotor fez para a comissão”, disse Campos.
O deputado Wilson Santos (PSD) sugeriu que a Assembleia adquirisse alguns exemplares para ficar nos gabinetes e secretarias e algumas repartições públicas.
“Nós sabemos do impacto que essa palestra faria para a comissão. Sugiro que esse livro seja adquirido pela Assembleia para ser distribuído em ambientes coletivos como escolas, creches e quem sabe até o promotor Mauro Zaque fazer uma edição mais resumida dos principais pontos, ou então, uma espécie de uma cartilha para que a Assembleia, com a devida autorização, possa fazer a impressão direta das principais informações”, disse Santos.
Ao final da reunião, Mauro Zaque explicou como surgiu o projeto da obra, lançada em fevereiro deste ano, depois de anos de estudo e pesquisas.
“Esse projeto, na verdade, nasceu de uma necessidade que todos nós enfrentamos hoje em dia, que é a situação da segurança pública, o que traz uma instabilidade, uma insegurança a todo cidadão. O livro visa justamente amenizar essa situação, trabalhando questões de segurança pessoal. A primeira parte trabalha as questões de segurança orgânica, de como a gente protege o escritório, de como a gente protege um gabinete, e a segunda parte, as questões de segurança pessoal”, finalizou Zaque.
Além da palestra de Zaque foram analisados e votados os seguintes projetos:
PL 65/2021. Autor: Valdir Barranco. Assegura o direito aos portadores de deficiência auditiva ou de afonia, à capacidade plena e independente de acionamento dos canais de emergência no âmbito do Estado de Mato Brosso. Apresentado substitutivo integral nº 0. Apresentado emenda nº 01. Recebeu apensamento: PLs nº 340/2021, 464/2021, 909/2021, 752/2022, 854/2022, 906/2022, 105/2023, 135/2023, 353/2023, 375/2023, 397/2023, 508/2023, 622/2023, 776/2023, 784/2023, 1019/2023, 1111/2023, 1362/2023, 383/2023, 2314/2023, 186/2024, 555/2024, 851/2024, 118/2024, 198/2024, 434/2024, 452/2024, 1629/2024, 247/2024, 1305/2024, 1845/2024, 1885/2024, 1307/2024, 1917/2024, 1877/2024, 762/2024. Proposta 01: “estabelece a política estadual para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência, os deficientes auditivos, surdo cegueira e surdo ou com mobilidade reduzida no âmbito do Estado de Mato Grosso”. Relatoria: deputado Elizeu nascimento voto: favorável à aprovação.
PL 396/2025. Valdir Barranco. Dispõe sobre a implementação de pontos de encontro para facilitar a localização de pessoas no âmbito do Estado de Mato Grosso, na forma que especifica. Apresentado substitutivo integral nº 01 nova proposta: acrescenta redação a lei n° 11.601, de 09 de dezembro de 2021, que “dispõe sobre a política estadual de busca de pessoas desaparecidas”. Relatoria: Elizeu Nascimento. Favorável à aprovação do PL nº 396/2025, nos termos do substitutivo integral nº 01, restando rejeitado o texto original.
PL 757/2025. Wilson Santos. Institui o índice de avaliação da qualidade do atendimento nas delegacias especializadas em atendimento à mulher e demais delegacias competentes para o recebimento de denúncias de violência contra a mulher, no âmbito do estado de mato grosso, e dá outras providências. Relatoria: Elizeu Nascimento. Favorável à aprovação.
PL 573/2025. Sebastião Rezende. Dispõe sobre a atuação conjunta e integrada dos conselhos tutelares com a polícia civil e Polícia Militar no Estado de Mato Grosso e dá outras providências. Beto Dois a Um. Favorável à aprovação.
PL 733/2025. Janaina Riva. Institui a semana estadual de conscientização sobre deepfakes e combate à pornografia não consensual por meio virtual no Estado de Mato Grosso. Favorável à aprovação.
PL 739/2025. Elizeu Nascimento. Dispõe sobre a proibição da emissão de licença, alvará ou autorização para eventos e shows que façam apologia ao crime organizado, ao tráfico e uso de drogas, ou à sexualização inadequada de crianças e adolescentes, no âmbito do Estado de Mato Grosso. Favorável.
PL 452/2025. Valdir Barranco. Institui protocolo de ação imediata para localização de pessoas com transtorno do espectro autista (tea), especialmente crianças, em caso de desaparecimento no Estado de Mato Grosso e dá outras providências. Apensamento: PL nº 460/2025 e 472/2025. Favorável à aprovação, restando rejeitado os PLs 460/2025 e 472/2025, que foram apensados.
PL 656/2025. Thiago Silva. Institui o documento de identidade funcional em formato digital para policiais militares, policiais civis e demais agentes de segurança pública do Estado de Mato Grosso. Substitutivo integral nº 01. Apensamento: PL nº 666/2024. Favorável à aprovação do PL nº 656/2025, nos termos do substitutivo integral nº 01, restando rejeitado o texto original e o PL nº 666/2024, que foi apensado.
PL 696/2025. Gilberto Cattani. Dispõe sobre o acesso de agentes públicos de segurança aos clubes de tiro para treinamentos periódicos no Estado de Mato Grosso, e dá outras providências. Favorável à aprovação do PL nº 452/2025, restando rejeitado os PLs 460/2025 e 472/2025.
PL 1855/2023. Wilson Santos. Estabelece o protocolo de segurança aquática e prevenção a afogamentos em todo o Estado de Mato Grosso. Apensamento: PL nº 265/2024, 494/2024 e 332/2025. Favorável.
PL 1953/2024. Valdir Barranco. Institui o programa de incentivo à instalação de iluminação pública inteligente no Estado de Mato Grosso, com o objetivo de promover a segurança em áreas urbanas e rurais por meio de sistemas tecnológicos avançados. Favorável.
PL 695/2025. Gilberto Cattani. Dispõe sobre a obrigatoriedade de registro detalhado de informações relativas a armas de fogo em ocorrências criminais no Estado de Mato Grosso, para fins estatísticos e de formulação de políticas públicas de segurança, e dá outras providências. Favorável.
PL 2063/2023. Thiago Silva. Ementa original. Dispõe sobre a estimativa e a divulgação do índice de desenvolvimento sustentável agregado para a economia de Mato Grosso. Apresentado substitutivo integral nº 01. A nova proposta dispõe sobre a estimativa e a divulgação do índice de desenvolvimento sustentável agregado para a economia de Mato Grosso. Favorável à aprovação nos termos do substitutivo integral nº 01, restando rejeitado o texto original.
PL 1551/2024. Paulo Araújo. Dispõe sobre a notificação eletrônica de vítimas sob medida protetiva acerca da aproximação do agressor e dá outras providências. Apensamento: PL nº 737/2025 da relatoria Wilson Santos. Favorável à aprovação do PL nº 1551/2024, restando rejeitado o PL 737/2025, que foi apensado.
PL 743/2025. Valdir Barranco. Dispõe sobre a comunicação por parte dos hospitais, clínicas, postos de saúde e unidades escolares da ocorrência ou indícios de prática de violência virtual ou dos chamados desafios promovidos via internet que coloquem em risco a vida, a integridade física e/ou psicológica de crianças e adolescentes, com parecer favorável da Comissão.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Grupo de Trabalho da ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial
Published
11 horas agoon
15 de junho de 2026By
Da Redação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta segunda-feira (15), mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar, promover estudos e propor medidas relacionadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal pauta do encontro foi a palestra “O custo social e ambiental da Inteligência Artificial diante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU”, ministrada pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela.
Participaram da reunião o presidente do GT, André Luis Rufino, a relatora Clara Vaz e o secretário José Carlos Bazan. O debate abordou os impactos da crescente utilização da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, o consumo de energia e água, além dos desafios relacionados à desigualdade social e aos vieses presentes nos sistemas tecnológicos.
Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela destacou a necessidade de ampliar o debate sobre a inteligência artificial para além dos benefícios normalmente divulgados pelas grandes empresas de tecnologia.
“É importante que nós tenhamos uma discussão além da publicidade e dessa magia que é vendida por essas empresas. Precisamos entender o que existe por trás dessa tecnologia e quais são os impactos que ela gera para a sociedade”, afirmou.
Segundo o palestrante, a inteligência artificial depende de uma enorme estrutura física e humana para funcionar. Ele explicou que os sistemas utilizam grandes volumes de dados, demandam equipamentos de alta capacidade e consomem grandes quantidades de energia e água por meio dos data centers.
Foto: Hideraldo Costa/ALMT
“Quando falamos em nuvem, muitas pessoas imaginam algo abstrato, mas essa nuvem é formada por data centers espalhados pelo mundo. Existe uma estrutura física gigantesca sustentando esses sistemas, e isso tem custos ambientais e sociais que muitas vezes não aparecem para o usuário final”, observou.
Outro ponto destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre o trabalho. De acordo com o especialista, parte da tecnologia é alimentada por trabalhadores que realizam tarefas repetitivas e pouco valorizadas, muitas vezes em países em desenvolvimento.
“A inteligência artificial não aprende de forma mágica. Ela depende de milhões de dados que são organizados e tratados por pessoas. Muitas dessas atividades são mal remuneradas e não geram qualificação profissional para quem as executa”, explicou.
Na área ambiental, Portela alertou para o elevado consumo de recursos naturais necessários para manter os data centers em funcionamento.
“Essas estruturas possuem uma pegada hídrica muito forte. São bilhões de litros de água utilizados para resfriar os equipamentos, além de uma demanda crescente por energia elétrica. Precisamos avaliar quais são os benefícios que essas instalações deixam para as comunidades onde são implantadas”, afirmou.
A relatora do GT, Clara Vaz, chamou atenção para a necessidade de refletir sobre formas de reduzir os impactos gerados pelo uso crescente da inteligência artificial.
“Quando discutimos desenvolvimento sustentável, o objetivo é justamente reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante desse cenário, precisamos refletir sobre o uso consciente da inteligência artificial e sobre mecanismos que possam minimizar esses efeitos”, destacou.
Ao responder aos questionamentos da relatora, Luiz Felipe afirmou que a inteligência artificial já está integrada a diversas atividades do cotidiano e dificilmente deixará de ser utilizada. Para ele, o caminho passa pela conscientização e pela criação de regras que garantam um desenvolvimento mais equilibrado da tecnologia.
“Não acredito que seja possível simplesmente parar de usar a inteligência artificial. O principal é compreender os impactos gerados por essa tecnologia e avançar no debate sobre formas de regulação que permitam um uso mais sustentável e responsável”, defendeu.
Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela também chamou atenção para os riscos relacionados às bases de dados utilizadas para treinar os sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, como essas tecnologias aprendem a partir de informações produzidas pela própria sociedade, acabam reproduzindo preconceitos e desigualdades já existentes.
“O problema é que a inteligência artificial não cria conhecimento sozinha. Ela aprende com os dados que recebe. Se a sociedade produz desigualdades e preconceitos, esses padrões também podem aparecer nos sistemas”, explicou.
O palestrante apresentou exemplos de pesquisas internacionais que apontam falhas em sistemas de reconhecimento facial, especialmente na identificação de pessoas negras. Segundo ele, estudos demonstram taxas de erro significativamente maiores quando a tecnologia é aplicada a mulheres negras em comparação com homens brancos.
Portela também destacou casos já registrados no Brasil em que cidadãos foram abordados ou detidos injustamente após erros em sistemas automatizados de reconhecimento facial.
“Quando um sistema erra, precisamos discutir quem será responsabilizado por esse erro e quais mecanismos de fiscalização existem para evitar que a tecnologia prejudique a vida das pessoas”, alertou.
Outro exemplo apresentado envolveu a geração de imagens por inteligência artificial. O pesquisador demonstrou que, ao solicitar imagens de pessoas em determinadas profissões ou condições sociais, os sistemas tendem a reproduzir estereótipos raciais e econômicos presentes nos bancos de dados utilizados para o treinamento das plataformas.
Para ele, o avanço da inteligência artificial exige transparência, auditorias independentes e mecanismos de controle social capazes de identificar possíveis vieses discriminatórios.
“A tecnologia não é neutra. Ela reflete os dados que recebe e as escolhas feitas durante seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental que haja fiscalização e acompanhamento desses sistemas”, afirmou.
Além de apresentar os impactos sociais, ambientais e econômicos da inteligência artificial, o palestrante também sugeriu possíveis frentes de atuação para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entre elas, a criação de mecanismos de acompanhamento e fiscalização da implantação de sistemas de inteligência artificial utilizados pelo poder público, especialmente nas áreas de segurança, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.
O palestrante defendeu ainda a realização de auditorias independentes em sistemas automatizados, o fortalecimento da transparência no uso de algoritmos e a ampliação do debate sobre a regulação da inteligência artificial, de forma a garantir que a inovação tecnológica esteja alinhada à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.
Segundo ele, a participação do Poder Legislativo é fundamental para avaliar os impactos dessas tecnologias antes de sua adoção em larga escala.
“Faz parte do papel da Assembleia pensar como esse uso será construído e fiscalizar de fato esses sistemas. Muitas vezes se observa apenas o resultado apresentado pela tecnologia, mas é preciso também avaliar os erros e os impactos que podem atingir a população”, destacou.
O presidente do Grupo de Trabalho, André Luis Rufino, destacou que o debate contribui diretamente para os trabalhos desenvolvidos pela ALMT em torno da Agenda 2030 e poderá subsidiar futuras iniciativas legislativas.
“Essa discussão é extremamente importante porque a inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas e na administração pública. O Grupo de Trabalho, criado por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), tem justamente a missão de estudar esses temas, identificar desafios e buscar caminhos para que Mato Grosso avance de forma sustentável. As sugestões apresentadas durante a palestra serão analisadas e poderão subsidiar indicações, propostas legislativas e outras medidas que venham a ser discutidas e tramitadas na Assembleia Legislativa”, pontuou André Luis.
Fonte: ALMT – MT
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