“Se ele fica no Brasil, será preso”, diz deputado ao comentar caso Flávio Bolsonaro
Felipe Camozzato questionou críticas de parlamentares de esquerda e contestou decisão judicial que determinou a entrega dos passaportes do senador

O deputado estadual Felipe Camozzato (Novo-RS) criticou parlamentares de esquerda após a repercussão da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Em pronunciamento dirigido a deputados estaduais ligados à esquerda, o parlamentar gaúcho acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de agir com “hipocrisia” ao condenar a decisão do senador de deixar o país.
Camozzato afirmou não ter informações suficientes para confirmar as circunstâncias da viagem, mas declarou que tomaria a mesma decisão caso estivesse na situação de Flávio. Durante o discurso, também questionou a atuação do Judiciário e a determinação para que o senador entregasse seus passaportes.
O deputado argumentou que a medida foi adotada pouco depois da derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro e criticou o fato de não haver, segundo sua avaliação, uma condenação criminal que justificasse a restrição. A fala integra o debate político sobre as decisões judiciais envolvendo integrantes da família Bolsonaro e seus aliados.
Camozzato questiona situação democrática
Ao longo do pronunciamento, o parlamentar também contestou a avaliação de que o Brasil vive um cenário de normalidade democrática. Ele citou decisões judiciais, prisões de aliados da direita e restrições que, em sua avaliação, atingem a liberdade de expressão de opositores do governo.
Camozzato afirmou ainda temer que suas próprias declarações possam motivar investigações ou medidas contra seu mandato. Ao justificar sua posição sobre a saída do senador, declarou: “Porque eu sei o que virá. Se ele fica no Brasil, se ele estiver ficado, ele será preso”.
As afirmações representam a avaliação política do deputado e não comprovam, por si só, que Flávio Bolsonaro seria preso caso permanecesse no país.
Entenda o caso dos passaportes
Em 26 de outubro, o senador afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, que tramita sob sigilo, está relacionada a uma investigação envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz, suspeito de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.
No dia seguinte, a Polícia Federal informou que os passaportes brasileiros do senador haviam sido cancelados após o descumprimento do prazo para entrega dos documentos. Naquele momento, ainda não havia registro formal de saída do país.
A CNN Brasil noticiou nesta quarta-feira (28) que Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27) e seguiu para os Estados Unidos. A viagem ocorreu após a determinação judicial que o proibia de deixar o território brasileiro.
O episódio intensificou o embate entre aliados do senador e integrantes da esquerda, com questionamentos sobre a decisão judicial, a conduta de Flávio e os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal.
Mais em Política Nacional
Ver editoria
Dilma deve receber R$ 6,6 milhões em indenização retroativa por perseguição política

Lula promete fortalecer comunicação digital e diz que não dependerá da imprensa

Promessa de R$ 5 mil para MEIs deixa milhões de empreendedores fora da previsão inicial
