Prefeito nega perseguição a servidores de esquerda e contesta denúncia ao MPT
De acordo com o relato encaminhado ao órgão, a servidora teria recebido como explicação para o desligamento a informação de que a decisão partiu de uma “ordem de cima”, sem indicação de justificativa técnica, funcional ou disciplinar.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), negou nesta sexta-feira (23) que a administração municipal esteja perseguindo servidores por posicionamento político ou participação em manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O gestor afirmou que não determinou demissões por motivação política e atribuiu eventuais desligamentos à falta de competência profissional.
A declaração foi dada após o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) para pedir a investigação de possíveis práticas de assédio eleitoral e discriminação política na Prefeitura de Cuiabá. Segundo as informações divulgadas, Abilio foi notificado pelo órgão nesta sexta-feira.
O prefeito disse acreditar que servidores municipais participaram da manifestação realizada no domingo (18), na Arena Pantanal, em apoio a Lula, mas negou ter monitorado a presença de funcionários no evento.
“Eu não mandei ninguém embora por militância política de lado nenhum. Eu não mandei ninguém embora por estar em manifestação nenhuma, até porque eu não sei quem foi na manifestação. Eu não fui lá fiscalizar qual servidor foi em manifestação”, declarou.
Abilio também contestou a possibilidade de que desligamentos por razões profissionais estejam sendo associados à participação em atos políticos. “Se um servidor ou outro foi mandado embora por incompetência, agora vai usar a desculpa de que a pessoa foi mandada embora por causa de PT? Aí não”, afirmou.
O prefeito diferenciou a situação dos servidores concursados daquela dos ocupantes de cargos comissionados, que são de livre nomeação e exoneração. Segundo ele, pode substituir integrantes da equipe quando deixa de confiar no trabalho desempenhado.
“Se eu não tenho mais confiança na pessoa, eu mando ela embora e contrato outra pessoa que eu tenha confiança”, disse.
Questionado se dispensaria alguém de sua confiança caso soubesse que participou de uma manifestação de esquerda, Abilio respondeu que não tinha conhecimento de integrantes de sua equipe presentes no ato.
Denúncia cita servidora dispensada após manifestação
A representação apresentada por Lúdio Cabral ao MPT foi protocolada na quinta-feira (22) e solicita a abertura de inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na administração municipal.
Um dos casos citados envolve uma técnica administrativa da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. Conforme a representação, ela trabalhava na empresa desde julho de 2016 e foi dispensada na segunda-feira (19), um dia depois de participar da manifestação em apoio a Lula.
De acordo com o relato encaminhado ao órgão, a servidora teria recebido como explicação para o desligamento a informação de que a decisão partiu de uma “ordem de cima”, sem indicação de justificativa técnica, funcional ou disciplinar.
A representação também menciona que fotografias da participação da trabalhadora no ato foram publicadas no status do WhatsApp. O caso deverá ser apurado pelo Ministério Público do Trabalho, que poderá avaliar se houve relação entre a manifestação política e o desligamento.
Até o momento, as informações apresentadas na representação constituem alegações que dependem de apuração. Abilio nega ter promovido demissões por posicionamento político, e a investigação deverá esclarecer as circunstâncias do caso citado e a existência ou não de eventual prática de assédio eleitoral.
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