Pen drive de Caio Cordeiro com 1.012 arquivos integra investigação do Gaeco sobre suposto esquema na Câmara de VG
Também foram atingidos servidores da Câmara de Várzea Grande, entre eles Lorineide Inhan e Samir Katumata. As sedes das duas Câmaras Municipais não foram alvo das buscas.

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Dispositivo de 32 GB foi apresentado durante depoimento do vereador e continha contratos, denúncias, capturas de tela e áudios de possível interesse para a apuração da Operação Cathedra Venalis.
Um pen drive de 32 GB apresentado pelo vereador Caio Cordeiro (Novo), de Várzea Grande, integra o material analisado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20). O dispositivo contém 1.012 arquivos, entre contratos, denúncias, capturas de tela e áudios considerados de possível interesse para a investigação.
Conforme o relatório do Gaeco, o dispositivo foi “exibido e apreendido durante sua oitiva”. A análise do conteúdo busca identificar elementos relacionados às suspeitas investigadas, que incluem organização criminosa, ameaça, extorsão, corrupção passiva, concussão e improbidade administrativa.
A operação apura possíveis irregularidades envolvendo vereadores de Várzea Grande e Cuiabá, com suspeitas de pagamento de mensalinho, compra de apoio político e intimidação de parlamentares na disputa pelo comando da Câmara Municipal de Várzea Grande.
Vereador relatou suposta oferta de R$ 100 mil
Conforme informações divulgadas anteriormente pelo RepórterMT, Caio Cordeiro relatou ao Gaeco que o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), teria oferecido R$ 100 mil para obter seu voto favorável à recondução da Mesa Diretora. Segundo o depoimento atribuído ao vereador, o dinheiro estaria em uma sacola no escritório que funcionaria na casa da mãe de Wanderley.
Caio também teria relatado pressões após apresentar uma proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o transporte coletivo. Entre os episódios mencionados estariam exonerações de assessores, interferências em sua atuação profissional e o furto de uma mochila com notebook e documentos relacionados à fiscalização.
As informações integram o contexto da investigação, mas as alegações precisam ser apuradas e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos citados.
Reunião em chácara entrou na apuração
A investigação teve origem em uma denúncia anônima que apontava a existência de um suposto grupo articulado para manter Wanderley Cerqueira na presidência da Câmara e formar maioria política para tentar cassar a prefeita Flávia Moretti (PL).
A denúncia mencionava uma reunião realizada em 13 de maio, na véspera da eleição da Mesa Diretora, em uma chácara no Distrito da Guia, em Cuiabá. Segundo informações publicadas pelo RepórterMT, o Gaeco monitorou o encontro com um drone, cujas imagens teriam registrado pessoas e veículos na propriedade.
Entre os presentes identificados nas informações divulgadas estavam Braz Jaciro e Dr. Miguel. A eleição da Mesa Diretora ocorreu em 14 de maio. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a eleição para o biênio 2027/2028, considerando excessiva a antecipação do pleito.
Outro episódio incorporado à investigação foi a abordagem da Rotam a um veículo ocupado pelos vereadores cuiabanos Alex Rodrigues e Ilde Taques após deixarem a reunião. Segundo reportagem do RepórterMT, R$ 40 mil foram encontrados no carro, mas não chegaram a ser apreendidos.
Investigação apura supostos pagamentos e gravações
Uma testemunha com identidade preservada relatou aos investigadores a suposta existência de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 10 mil a vereadores e oferta de cargos para garantir apoio político a Wanderley. Conforme esse relato, os valores seriam entregues na casa da mãe do presidente da Câmara ou por meio do secretário legislativo Samir Katumata.
A investigação também apura suspeitas de articulação para cassar a prefeita Flávia Moretti e obter influência política sobre uma eventual privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A denúncia menciona supostas promessas de R$ 500 mil a vereadores relacionadas à articulação.
O relato da testemunha inclui ainda a suspeita de uso de gravações clandestinas e cartas de renúncia assinadas previamente para pressionar parlamentares. Segundo a versão apresentada, gravações de vereadores recebendo dinheiro poderiam ser utilizadas como instrumento de coerção política.
Um dos episódios citados envolve o ex-presidente do DAE Rogerinho Dakar, que teria sido gravado recebendo maços de dinheiro em um escritório. Rogerinho afirmou que as imagens foram retiradas de contexto e que os valores estariam relacionados a negócios particulares, sem vínculo com sua atuação pública.
Após ser alvo de buscas, ele declarou que os agentes recolheram documentos do DAE em sua residência e que entregou um dossiê sobre sua passagem pela autarquia.
Operação cumpriu 30 mandados
A Operação Cathedra Venalis mobilizou mais de 200 policiais para cumprir 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Segundo o Ministério Público, a investigação alcança 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá, além de servidores da Câmara várzea-grandense.
Em Várzea Grande, os nomes divulgados entre os alvos são Wanderley Cerqueira, Gisa Barros, Rogerinho Dakar, Cilço da Cruz, Braz Jaciro, Alessandro Moreira, Wender Madureira, Sargento Galibert, Dr. Miguel, Lucélia Oliveira, Kleberton Feitoza, Raul Curvo e Enfermeiro Emerson. Em Cuiabá, os vereadores citados são Alex Rodrigues e Ilde Taques.
Também foram atingidos servidores da Câmara de Várzea Grande, entre eles Lorineide Inhan e Samir Katumata. As sedes das duas Câmaras Municipais não foram alvo das buscas.
Investigados contestam acusações
Wanderley Cerqueira confirmou buscas em seu escritório, negou diligências em sua residência ou gabinete e afirmou desconhecer o conteúdo da investigação. Samir Katumata confirmou a apreensão de seu celular e levantou a hipótese de perseguição política. Ele também contestou a versão de que os participantes da reunião na chácara teriam sido mantidos contra a vontade no local.
Alex Rodrigues e Ilde Taques negaram envolvimento em irregularidades e disseram que participaram apenas de um almoço entre amigos. Sargento Galibert confirmou presença na chácara, mas negou compra de votos. Dr. Miguel afirmou que o imóvel pertence ao pai e declarou estar tranquilo por não ter cometido irregularidades.
O ex-vice-prefeito Tião da Zaeli, citado no relatório como apoiador do grupo, também negou as acusações em nota, classificando-as como infundadas.
A investigação ainda abrange suspeitas de pressão para impedir a CPI do transporte coletivo e questionamentos sobre atos administrativos relacionados à empresa União Transportes. A companhia negou irregularidades e afirmou não ter sido alvo de medidas judiciais na operação. Wanderley também negou irregularidades relacionadas à cessão de um ônibus para o projeto Bazar Itinerante.
A operação teve novos desdobramentos políticos após o vereador Bruno Rios registrar boletim de ocorrência, relatando que Wanderley o teria ameaçado durante uma sessão da Câmara na terça-feira (20). Segundo Bruno, o presidente teria dito que ele iria “pagar”. O vereador relacionou o episódio à investigação e às disputas judiciais envolvendo a eleição da Mesa Diretora.
A análise do pen drive apresentado por Caio Cordeiro integra o conjunto de diligências destinado a esclarecer os fatos investigados. A existência dos arquivos, isoladamente, não comprova as suspeitas, e a responsabilidade dos envolvidos depende da apuração dos elementos reunidos pelas autoridades.
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