“Mais Cristo na sala de aula”: Ranalli apresenta nova proposta para a rede municipal
Vereador teve projeto aprovado em primeira votação e apresentou nova proposta para permitir orações antes das aulas; parlamentar criticou investigação do Ministério Público sobre prática religiosa em unidade municipal.

O vereador Rafael Ranalli (PL) avançou com duas propostas relacionadas à presença da religião nas escolas públicas de Cuiabá. Nesta terça-feira (20), a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, um projeto de ensino religioso confessional apresentado pelo parlamentar. No mesmo dia, ele protocolou outra proposta para autorizar a realização facultativa de orações antes do início das aulas na rede municipal.
As iniciativas foram apresentadas em meio à investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sobre a realização de orações em uma escola municipal da Capital. Ranalli criticou a atuação do órgão e questionou as prioridades da investigação diante de outros problemas enfrentados pela sociedade.
“É um absurdo o que tá acontecendo nesse país. Cheio de traficante pra prender, bandido, estuprador, feminicida... e a preocupação do MP, pasmem, é o Pai Nosso na escola”, declarou o vereador.
Ranalli defende mais presença da religião nas escolas
Ao defender o ensino religioso confessional, o parlamentar argumenta que a religião pode contribuir para a formação moral e cívica dos estudantes.
“Eu acho que faz falta a população ter mais Cristo na sala de aula”, afirmou Ranalli durante a discussão da proposta.
O projeto aprovado em primeira votação prevê a oferta de ensino religioso confessional, modalidade na qual os conteúdos podem seguir os princípios de uma tradição religiosa específica. A matrícula é facultativa, conforme as regras aplicáveis à modalidade.
A aprovação inicial não significa que a proposta já tenha se transformado em lei. O texto ainda precisa cumprir as demais etapas de tramitação legislativa.
Projeto prevê orações antes das aulas
A segunda proposta apresentada por Ranalli autoriza a realização voluntária de orações, incluindo o Pai-Nosso, antes do início das atividades escolares.
De acordo com o texto informado, a iniciativa poderá partir de professores e outros profissionais da educação, com participação facultativa dos estudantes.
A proposta também prevê a proibição de constrangimento, discriminação ou prejuízo escolar para quem optar por não participar. O texto estabelece ainda proteção aos profissionais da educação contra retaliações decorrentes exclusivamente do exercício legítimo da liberdade religiosa, sem afastar o cumprimento dos deveres funcionais.
Na justificativa, o vereador sustenta que a medida busca conciliar a liberdade religiosa dos profissionais com a liberdade de consciência dos alunos.
Por se tratar de um projeto de lei, a iniciativa ainda depende da tramitação e da análise de sua compatibilidade com a Constituição e as normas que regem a educação pública.
Ministério Público apura prática religiosa em escola municipal
A investigação citada por Ranalli envolve a Escola Municipal de Educação Básica Professora Esmeralda de Campos Fontes, em Cuiabá, onde a oração do Pai-Nosso era realizada antes das aulas.
O inquérito civil foi instaurado após uma denúncia de possível obrigatoriedade de participação dos estudantes. A Secretaria Municipal de Educação confirmou a realização da oração durante o acolhimento, mas negou que os alunos fossem obrigados a participar.
Durante uma vistoria, segundo as informações apresentadas, o Ministério Público constatou a realização da prática religiosa, mas não identificou imposição de participação naquela unidade escolar.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias da atividade e verificar a existência de práticas semelhantes em outras escolas da rede municipal.
O procedimento envolve a discussão sobre liberdade religiosa, liberdade de consciência e o princípio constitucional da laicidade do Estado, que impede a adoção de uma religião oficial e exige respeito às diferentes crenças e à ausência delas.
As propostas de Ranalli ainda precisam ser avaliadas à luz dessas garantias constitucionais, especialmente quanto à liberdade de participação dos estudantes e à atuação de agentes públicos no ambiente escolar.
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