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Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Política Nacional

Lula diferencia facções de terroristas, mas violência dos grupos segue no centro do debate

A fala de Lula abre espaço para questionamentos sobre a resposta do governo federal à violência praticada pelas facções. Mesmo quando movidas pelo lucro, essas organizações podem recorrer a homicídios, ameaças, coerção e ataques contra agentes públicos para manter suas atividades.

ANA SANTOS2 min de leitura
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GLOBO
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as facções criminosas brasileiras têm como principal objetivo obter dinheiro e, por isso, não se enquadrariam no conceito de terrorismo que ele atribui aos Estados Unidos. A declaração foi feita em entrevista à TV Globo, na quarta-feira (15), durante uma discussão sobre segurança pública e o combate ao crime organizado.

“Não é o caso das facções e do crime organizado no Brasil, que eles só querem dinheiro”, declarou Lula.

A fala coloca em evidência uma discussão sobre como o Estado brasileiro deve classificar e enfrentar organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas, na extorsão, em disputas territoriais e em outros crimes violentos. Embora o objetivo financeiro seja uma característica dessas organizações, isso não elimina a violência empregada para controlar territórios, intimidar moradores e enfrentar forças de segurança.

Durante a entrevista, Lula também criticou o entendimento que atribuiu ao governo norte-americano sobre terrorismo. Segundo o presidente, a classificação dos Estados Unidos estaria associada a ataques contra instituições e a ações voltadas à derrubada de governos.

“Porque quando os Estados Unidos fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala em terrorismo como aqueles que atentaram contra as duas torres americanas, contra aqueles que querem dar golpe de Estado”, afirmou.

Debate sobre segurança pública

A declaração ocorre em meio às discussões sobre o enfrentamento das facções criminosas e os instrumentos legais disponíveis para combater suas atividades. O tema envolve questões como investigação, inteligência policial, controle financeiro das organizações, atuação nas fronteiras e proteção das comunidades submetidas ao domínio desses grupos.

A distinção entre crime organizado e terrorismo tem consequências jurídicas e políticas. No Brasil, a classificação de uma organização depende dos critérios previstos na legislação, e não apenas da finalidade econômica atribuída aos seus integrantes.

A fala de Lula abre espaço para questionamentos sobre a resposta do governo federal à violência praticada pelas facções. Mesmo quando movidas pelo lucro, essas organizações podem recorrer a homicídios, ameaças, coerção e ataques contra agentes públicos para manter suas atividades.

O desafio para as autoridades é definir estratégias capazes de enfraquecer o poder financeiro e territorial desses grupos, responsabilizar seus integrantes e garantir segurança à população.

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