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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Política MT

Investigação aponta suspeita de plano para afastar prefeita e ampliar poder de presidente da Câmara

A operação também alcançou a diretora financeira da Câmara, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).

Redação Assembleia News4 min de leitura
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Investigação aponta suspeita de plano para afastar prefeita e ampliar poder de presidente da Câmara

Uma suposta articulação política para afastar a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), e abrir caminho para que o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), assumisse o comando da Prefeitura está entre as linhas de investigação da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

A investigação apura suspeitas de corrupção, compra de votos e formação de organização criminosa envolvendo parlamentares do município. Conforme informações atribuídas ao inquérito, a denúncia que deu origem ao procedimento apontava que um grupo de vereadores teria articulado apoio à recondução de Wanderley à presidência do Legislativo e, paralelamente, buscado formar maioria para viabilizar a abertura de um processo de cassação contra Flávia.

Os elementos reunidos até o momento, porém, não comprovam que um plano de cassação tenha sido efetivamente colocado em prática nem que houvesse votos suficientes para retirar o mandato da prefeita.

Suspeita teria surgido antes da posse

Um relatório de inteligência do Gaeco aponta que a suposta articulação teria começado na transição entre 2024 e 2025, antes do início da atual gestão municipal.

Segundo o depoimento de uma testemunha cuja identidade foi preservada, vereadores teriam se reunido na chácara do parlamentar Miguel Júnior, no Distrito da Guia, em Cuiabá, para organizar o apoio à eleição de Wanderley para a presidência da Câmara.

O relato menciona ainda um suposto apoio financeiro do empresário Rômulo Botelho e de William Cerqueira, filho do presidente da Câmara. De acordo com a testemunha, a articulação não teria como objetivo apenas assegurar o controle da Mesa Diretora, mas também formar um grupo de oposição à prefeita.

A hipótese investigada considera que a eventual saída do então vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) poderia alterar a linha sucessória municipal. Com a renúncia de Zaeli, em março, o presidente da Câmara passou a ocupar a primeira posição na linha de substituição da prefeita, observadas as regras legais aplicáveis.

Reunião antes da eleição da Mesa Diretora

Outro episódio sob investigação envolve uma reunião realizada em 13 de maio de 2026, um dia antes da eleição para a presidência da Câmara no biênio 2027/2028.

Conforme a denúncia encaminhada ao Gaeco, mais de dez vereadores teriam se reunido na propriedade de Miguel Júnior, sob a liderança de Wanderley, para assegurar sua recondução ao comando do Legislativo e consolidar uma maioria parlamentar.

A denúncia também mencionava a presença de homens armados e a suposta utilização de dinheiro em espécie para compra de votos.

Diligências do Gaeco teriam identificado movimentação na propriedade, além da presença de parlamentares e veículos vinculados a vereadores. Esses registros são apontados como parte dos elementos reunidos durante a investigação, mas não comprovam isoladamente a ocorrência de compra de votos.

Segundo informações atribuídas a uma decisão judicial de 7 de outubro, um dos objetivos imputados ao grupo investigado seria formar maioria parlamentar para pressionar a chefe do Executivo, viabilizar a abertura de um processo de cassação e ampliar a influência sobre setores da administração municipal.

Depoimento cita possível interesse no DAE

As investigações também apuram uma possível relação entre a articulação política e interesses econômicos envolvendo o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande e concessões públicas municipais.

Em depoimento, o vereador Caio Cordeiro (Novo) afirmou que Wanderley demonstrava interesse na concessão ou privatização do DAE. Segundo o parlamentar, teria sido mencionada a possibilidade de distribuir aproximadamente R$ 500 mil a cada vereador caso a operação fosse concretizada.

A declaração integra os elementos investigados pelo Gaeco. A suposta oferta de dinheiro, contudo, deve ser tratada como relato atribuído ao depoente, e não como fato definitivamente comprovado.

Para os investigadores, a hipótese é de que o controle político da Câmara e a tentativa de ampliar a influência sobre o Executivo poderiam estar relacionados à obtenção de vantagens econômicas. A existência e a extensão dessa eventual conexão ainda dependem do esclarecimento dos fatos no procedimento investigatório.

Operação cumpriu 30 mandados

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os alvos estão Wanderley Cerqueira e vereadores de Várzea Grande, além dos parlamentares cuiabanos Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos.

Também foram alvos os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).

A operação também alcançou a diretora financeira da Câmara, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).

A investigação busca esclarecer se houve negociação de votos, oferecimento de vantagens indevidas e articulação entre agentes políticos para influenciar a eleição da Mesa Diretora e ampliar o poder sobre a administração municipal.

Até o momento, as suspeitas relacionadas à suposta tentativa de cassação de Flávia Moretti estão amparadas em relatos, depoimentos e diligências descritos no material investigativo. A responsabilização dos envolvidos depende da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

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