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Sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Política Nacional

Greve dos Correios termina após julgamento do TST; veja o que foi definido

O julgamento foi realizado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST, após o impasse entre os Correios e os trabalhadores nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.

Ana Santos3 min de leitura
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Assessoria
Assessoria

A greve dos trabalhadores dos Correios, iniciada em 10 de setembro, chegou ao fim após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre o dissídio coletivo da categoria. O tribunal considerou a paralisação não abusiva e determinou o retorno dos empregados às atividades.

Em São Paulo, uma assembleia realizada na noite de quinta-feira (24) aprovou o encerramento da paralisação. O sindicato orientou os trabalhadores a retomarem as atividades a partir das 22h.

O julgamento foi realizado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST, após o impasse entre os Correios e os trabalhadores nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.

Entre as principais definições está o reajuste salarial de 4,09%, retroativo a 1º de agosto, data-base da categoria. O índice também terá reflexos sobre outras parcelas de natureza salarial.

A decisão ainda prevê atualização de benefícios concedidos aos empregados, incluindo valores relacionados a auxílio para trabalhadores e dependentes com deficiência, reembolso-creche e reembolso-babá, vale-refeição ou alimentação e vale-transporte.

Greve foi considerada não abusiva

O processo foi levado ao TST pelos Correios, que haviam solicitado que a paralisação fosse considerada abusiva. A empresa argumentou que as negociações ainda estavam em andamento quando a greve começou e apontou descumprimentos de regras estabelecidas anteriormente para garantir o funcionamento mínimo dos serviços.

Durante a análise do dissídio, a relatora, desembargadora Maria de Nazaré Rocha, considerou o histórico das negociações entre a empresa e os trabalhadores. Segundo o processo, foram realizadas reuniões com apresentação de propostas e contrapropostas, além de uma tentativa de mediação conduzida pela Vice-Presidência do TST.

Como não houve consenso sobre pontos considerados relevantes, o caso foi levado a julgamento.

Por maioria de votos, os ministros concluíram que a greve não poderia ser classificada como abusiva. Houve votos divergentes da ministra Maria Cristina Peduzzi e dos ministros Ives Gandra Martins Filho e Guilherme Caputo Bastos.

Dias parados poderão ser compensados

Outro ponto definido pelo TST foi a possibilidade de compensação dos dias em que os trabalhadores permaneceram paralisados.

A compensação foi autorizada de maneira excepcional e poderá incluir mutirões aos finais de semana. A medida tem como objetivo ajudar na redução do volume de encomendas e correspondências acumuladas durante o período de greve.

Na análise, também foram considerados os impactos provocados pela paralisação na operação dos Correios, incluindo acúmulo de cargas, atrasos e dificuldades na distribuição.

Plano de saúde também entrou na decisão

O TST também tratou das regras relacionadas ao plano de saúde dos trabalhadores.

Pelo modelo definido, os Correios deverão deixar de atuar como mantenedores do plano e passar a oferecer um subsídio empresarial para o Benefício de Assistência à Saúde, cuja adesão será facultativa e seguirá as regras previstas no regulamento.

Enquanto o novo formato não for implementado, permanece em funcionamento o atual Plano Correios Saúde II.

Sindicato afirma que trabalhadores continuarão mobilizados

Após a assembleia que decidiu pelo fim da greve, o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (SINTECT-SP), Rogério Bueno, afirmou que a categoria continuará acompanhando o cumprimento das medidas definidas pelo TST.

Segundo ele, a mobilização dos trabalhadores foi importante durante o período de paralisação e o sindicato deverá analisar o acórdão assim que o documento for publicado oficialmente.

Como o acórdão ainda não havia sido disponibilizado após o julgamento, o departamento jurídico da entidade informou que fará uma análise detalhada do conteúdo e deverá orientar os trabalhadores sobre os próximos passos da campanha salarial.

Com o encerramento da greve, os Correios iniciam agora o processo de retomada das atividades e de normalização da distribuição das correspondências e encomendas que ficaram acumuladas durante a paralisação.

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