Gilmar Mendes é filmado com celular na cabine de votação em Diamantino
A norma determina ainda que, em caso de recusa em entregar o aparelho, o eleitor não deve ser autorizado a votar e a ocorrência deve ser registrada em ata, podendo a força policial ser acionada.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes foi filmado com um aparelho celular nas mãos enquanto votava neste domingo (4), em Diamantino, sua cidade natal, a 182 quilômetros de Cuiabá. O registro chamou atenção porque a Justiça Eleitoral proíbe que eleitores levem celulares para dentro da cabine de votação.
Gilmar votou na Escola Estadual Plácido de Castro, localizada no Centro Histórico de Diamantino. Após deixar o local, o ministro não conversou com a imprensa.
O magistrado chegou a Cuiabá no sábado (3) e seguiu para Diamantino na manhã deste domingo para participar da votação do primeiro turno das Eleições 2026.
Celular é proibido na cabine
A Resolução nº 23.759/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece expressamente que o eleitor não pode portar celular, câmera fotográfica, filmadora ou qualquer outro equipamento capaz de comprometer o sigilo do voto dentro da cabine, mesmo que o aparelho esteja desligado.
Antes de entrar na cabine, o eleitor que estiver utilizando um documento digital, como o e-Título, deve apresentar o aparelho aos mesários durante a identificação. Depois, o celular precisa ser desligado e deixado no local indicado pela mesa receptora.
A norma determina ainda que, em caso de recusa em entregar o aparelho, o eleitor não deve ser autorizado a votar e a ocorrência deve ser registrada em ata, podendo a força policial ser acionada.
Segundo o TSE, a restrição tem como objetivo preservar o sigilo do voto e impedir que a escolha seja registrada, transmitida ou divulgada. A regra também busca evitar situações em que o eleitor seja obrigado a apresentar uma espécie de comprovação do voto.
Registro gera questionamentos
As imagens divulgadas neste domingo mostram Gilmar Mendes diante da urna eletrônica com o aparelho nas mãos. A cena provocou questionamentos justamente porque a regra vale indistintamente para os eleitores e também alcança equipamentos que possam registrar ou transmitir a escolha.
Até o momento, não há, nas informações disponíveis, indicação de que o ministro tenha registrado ou divulgado o conteúdo de seu voto. A imagem, por si só, demonstra a presença do aparelho na cabine, mas não permite concluir que houve quebra do sigilo do voto ou a prática de crime eleitoral.
O episódio ocorre no mesmo dia em que outros casos envolvendo uso de celular na cabine passaram a ser registrados durante a votação. Em Minas Gerais, por exemplo, o candidato à Presidência Romeu Zema também foi filmado com um aparelho na cabine, e o TRE-MG informou que o caso será investigado.
A regra, portanto, é objetiva: celular pode ser utilizado na seção para identificação por meio de documentos digitais, mas deve ser deixado fora da cabine antes do eleitor votar.
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