Fake news usa foto de Pivetta na cadeia e conversa antiga para afirmar que governador está preso
Em plena campanha eleitoral, a falta de informações básicas como data, origem e contexto pode transformar um conteúdo antigo em uma narrativa aparentemente atual.

Mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp em Mato Grosso tenta espalhar a informação de que o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), estaria preso atualmente.
As publicações são acompanhadas por uma suposta fotografia de Pivetta dentro de uma unidade prisional e por print de conversas atribuídas à sua ex- esposa, Viviane Kawamoto. O material, porém, não apresenta elementos que comprovem uma prisão atual do governador.
Um dos principais pontos que chama atenção é a forma como as conversas são apresentadas. No print compartilhado, a data aparece apenas como “julho”, sem informar o ano. Dessa maneira, quem recebe a mensagem pode interpretar que o diálogo ocorreu recentemente, quando o conteúdo está relacionado a um episódio antigo.
Na mensagem atribuída a Viviane, ela pede que “Otaviano” pare de procurar pessoas de seu círculo de amizade, entrar em contato com familiares e enviar mensagens. No mesmo texto, pede ainda a liberação de pertences pessoais.
Outro print apresenta uma suposta resposta de Pivetta, na qual ele afirma ter procurado informações sobre Viviane e as crianças por preocupação e por estar sofrendo.
O print, entretanto, é compartilhado sem a indicação completa da data e sem comprovação de que tenha qualquer relação com uma suposta prisão atual.
Episódio de 2021 é reapresentado como se fosse recente
Pivetta foi detido em Santa Catarina em 2021, durante uma ocorrência envolvendo sua então esposa. O episódio gerou investigações e passou a ser retomado posteriormente em conteúdos políticos.
A fotografia utilizada na mensagem, está associada justamente a um episódio antigo,porém não parece real. O problema está na forma como o material é apresentado: sem deixar clara a data da ocorrência e acompanhado de conversas cuja captura também não informa o ano.
Até esta quinta-feira (1º), não há confirmação nos registros consultados de que Pivetta esteja preso atualmente.
Pesquisas colocam Pivetta em posições diferentes
A circulação das mensagens ocorre na reta final da campanha eleitoral para o Governo de Mato Grosso.
Um levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 30 de setembro mostrou Pivetta com 46,4% das intenções de voto no primeiro turno, contra 27,1% de Wellington Fagundes (PL). Considerando apenas os votos válidos, o mesmo levantamento registrou 51,6% para Pivetta e 30,1% para Fagundes. A pesquisa ouviu 1.352 eleitores entre 27 e 29 de setembro e está registrada no TSE sob o número MT-02094/2026.
Já a pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro apresentou um cenário diferente: Pivetta tinha 29% e Fagundes, 27%, dentro da margem de erro de três pontos percentuais. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de setembro e foi registrado sob o número MT-08098/2026.
Os levantamentos mostram que os resultados variam conforme o instituto, a metodologia e o período da coleta. Eles servem como retrato de determinado momento da disputa e não permitem estabelecer que a circulação das mensagens tenha sido motivada pelos números das pesquisas.
Justiça Eleitoral já analisou conteúdos sobre o episódio
O episódio envolvendo Pivetta e a ex-esposa também já foi utilizado em publicações analisadas pela Justiça Eleitoral durante a campanha de 2026.
Em casos anteriores, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso avaliou conteúdos que retomavam acontecimentos de 2021. Em uma das situações, a Justiça determinou a retirada de material que utilizava uma imagem sem relação com o episódio para associá-la ao governador.
A existência de decisões envolvendo conteúdos semelhantes reforça a importância de verificar a data original das imagens e das conversas antes de compartilhar publicações relacionadas aos candidatos.
O que é possível confirmar
A fotografia utilizada nas mensagens não é o governador.
As conversas reproduzidas nos prints não apresentam, na imagem compartilhada, a indicação do ano.
Não há confirmação de que Otaviano Pivetta esteja preso atualmente.
Em plena campanha eleitoral, a falta de informações básicas como data, origem e contexto pode transformar um conteúdo antigo em uma narrativa aparentemente atual.
Antes de compartilhar esse tipo de publicação, a recomendação é verificar quando a fotografia foi feita, quando as mensagens foram trocadas e se existe alguma fonte oficial confirmando a suposta prisão.
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