“CRIME PASSIONAL”: Deputada eleita com 2 milhões de votos diz que feminicídio não existe
Em 2024, aos 21 anos, ela foi eleita vereadora de Praia Grande com 3.583 votos. Dois anos depois, chegou a 1.956.238 votos para deputada estadual e se tornou a mais votada de São Paulo.

Aos 23 anos, Eduarda Campopiano (PL) chega à Assembleia Legislativa de São Paulo com uma das maiores votações já registradas para o cargo no Estado. A vereadora de Praia Grande recebeu 1.956.238 votos, o equivalente a 8,39% dos votos válidos, e foi a candidata mais votada para a Alesp nas eleições de 2026.
A votação expressiva consolida a ascensão de uma jovem política que construiu sua projeção principalmente nas redes sociais e adotou uma agenda declaradamente conservadora, com posições em defesa de valores como Deus, pátria, família e liberdade. Em entrevista após a eleição, Campopiano afirmou que pretende levar para o Legislativo uma atuação marcada pelo chamado “combate cultural”.
Eleita vereadora de Praia Grande em 2024, com 3.583 votos, Campopiano multiplicou sua votação em apenas dois anos. A nova votação representa uma diferença de mais de 1,95 milhão de votos em relação à eleição municipal anterior, colocando seu nome no centro da nova bancada conservadora paulista.
Antifeminismo como bandeira política
Uma das marcas mais conhecidas de Campopiano é sua oposição ao feminismo. A parlamentar eleita já se definiu publicamente como antifeminista e afirmou que pretende enfrentar propostas identificadas por ela como ligadas ao movimento feminista.
Entre os temas que pretende levar para o mandato estão aborto, segurança pública, porte de armas e políticas relacionadas às mulheres. Campopiano defende a proteção da vida desde a concepção e afirma que pretende desenvolver ações para incentivar mulheres a manter a gravidez.
Na segurança pública, a deputada eleita também defende o acesso de mulheres a armas de fogo como instrumento de defesa pessoal. A posição integra seu discurso de ampliação do direito à legítima defesa e de endurecimento das políticas de segurança.
Declaração sobre feminicídio provoca reação
Uma das posições mais controversas de Campopiano está relacionada ao feminicídio. Em debate com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), ela afirmou não considerar que o feminicídio seja uma categoria que exista e defendeu que assassinatos de mulheres possam ser tratados como crimes passionais.
A declaração provocou críticas públicas. A discussão, porém, envolve também uma questão jurídica objetiva: desde outubro de 2024, o feminicídio passou a ser crime autônomo no Código Penal, por meio da Lei 14.994/2024. A legislação estabelece pena de 20 a 40 anos para matar mulher por razões da condição do sexo feminino, quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Assim, a posição de Campopiano representa uma discordância política em relação ao atual modelo previsto na legislação brasileira, e não uma descrição do que determina a lei vigente.
Uma nova voz conservadora na Alesp
A eleição de Campopiano ocorre em um cenário de crescimento da presença feminina na Assembleia Legislativa paulista. Ao todo, 28 mulheres foram eleitas para a próxima legislatura. Entre os cinco candidatos mais votados do Estado, três são mulheres.
A diferença está no posicionamento político. Campopiano chega à Alesp defendendo uma agenda conservadora e fazendo oposição explícita a pautas feministas.
Ela também se posiciona contra a ampliação das hipóteses de aborto, contra o reconhecimento da prostituição como profissão e contra cotas raciais. Na segurança, defende o endurecimento das penas e o direito de mulheres ao porte de armas.
De 3,5 mil a quase 2 milhões de votos
O salto eleitoral é um dos aspectos que mais chamam atenção na trajetória de Campopiano.
Em 2024, aos 21 anos, ela foi eleita vereadora de Praia Grande com 3.583 votos. Dois anos depois, chegou a 1.956.238 votos para deputada estadual e se tornou a mais votada de São Paulo.
A campanha foi construída com forte presença digital e discurso direcionado ao eleitorado conservador. Segundo a própria deputada eleita, sua estratégia passa por falar diretamente com o público e manter uma atuação ideológica no mandato.
Com a posse prevista para 2027, Campopiano terá pela frente o desafio de transformar a expressiva votação em atuação parlamentar na Alesp. Seu discurso já está definido: defesa de pautas conservadoras, oposição ao feminismo, defesa da vida desde a concepção, segurança pública e ampliação do direito de autodefesa.
A votação de quase 2 milhões de eleitores colocou uma jovem de 23 anos no centro do debate político paulista e transformou Campopiano em um dos principais novos nomes da direita no Legislativo estadual.
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