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Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Economia

Cooperativismo ganha escala em MT com R$ 75 bilhões em produção associada

Estudo da FIPE aponta impacto econômico das cooperativas no Estado, com reflexos em empregos, renda, arrecadação e atividade de outros setores

Redação Assembleia News3 min de leitura
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Cooperativismo ganha escala em MT com R$ 75 bilhões em produção associada

O cooperativismo tem peso crescente na economia de Mato Grosso. Um estudo elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em parceria com o Observatório do Cooperativismo de Mato Grosso, estima que a atividade das cooperativas esteve associada à mobilização de R$ 75,26 bilhões em produção dentro do Estado em 2025. No mesmo período, as cooperativas registraram R$ 56,05 bilhões em ingressos e receitas.

Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (28), em Cuiabá, durante evento do Sistema OCB/MT, que também marcou o lançamento do Anuário do Cooperativismo Mato-grossense 2026.

Segundo o levantamento, os efeitos econômicos do cooperativismo vão além das próprias cooperativas. A atividade esteve associada à mobilização de 376,8 mil empregos formais e informais, diretos e indiretos, em Mato Grosso, além de R$ 37,15 bilhões em valor adicionado, R$ 2,88 bilhões em arrecadação de impostos e R$ 12,48 bilhões em massa salarial.

Já em todo o país, a produção associada à atividade cooperativista de Mato Grosso foi estimada em R$ 100,28 bilhões. Desse total, R$ 75,26 bilhões correspondem aos impactos dentro do Estado e R$ 25,02 bilhões às repercussões nos demais estados.

A pesquisa utilizou uma Matriz Insumo-Produto para estimar os efeitos diretos e indiretos da atividade das cooperativas sobre diferentes setores da economia. De acordo com o estudo, para cada R$ 1 de demanda mobilizada pelo cooperativismo, são estimados R$ 1,34 em produção dentro de Mato Grosso.

Em relação ao emprego, cada R$ 1 milhão de demanda está associado a 8,58 postos de trabalho formais e informais no país, sendo 6,72 deles em Mato Grosso.

Cooperativas e desenvolvimento dos municípios

O estudo também analisou municípios com e sem presença de cooperativas para identificar diferenças em indicadores econômicos, sociais e educacionais.

Foram consideradas mais de 30 variáveis relacionadas a atividade econômica, trabalho e renda, arrecadação, comércio exterior, agropecuária, educação e indicadores sociais.

Nos municípios analisados, a presença de cooperativas esteve associada a um diferencial estimado de R$ 14,2 mil no PIB por habitante e de 64,9 empregos formais adicionais por mil habitantes. O estudo também apontou diferenças de R$ 300,20 na massa salarial por habitante e de R$ 206,20 na arrecadação municipal por habitante.

Na área de comércio exterior, foram identificados diferenciais de US$ 7.250 em exportações por habitante e de US$ 7.156 no saldo comercial por habitante.

Na educação, os municípios com presença cooperativista apresentaram diferencial de 3,9 pontos percentuais na taxa de aprovação da 3ª série do Ensino Médio e de 2,1 matrículas no Ensino Superior por mil habitantes.

O estudo também identificou menor incidência de famílias inscritas no Cadastro Único e beneficiárias do Bolsa Família nesses municípios. Os resultados, porém, são apresentados no levantamento como diferenciais associados à presença de cooperativas, e não como demonstração isolada de causalidade.

Cooperativismo cresce em Mato Grosso

Os dados do Anuário do Cooperativismo Mato-grossense 2026 mostram que Mato Grosso chegou a 172 cooperativas e 1,99 milhão de cooperados, distribuídos em sete ramos.

A quantidade de cooperados passou de 1,75 milhão, em 2024, para 1,99 milhão em 2025.

No mesmo intervalo, os ingressos e receitas das cooperativas cresceram de R$ 47,95 bilhões para R$ 56,05 bilhões. Os ativos totais avançaram de R$ 78,69 bilhões para R$ 88,65 bilhões, enquanto o capital social passou de R$ 6,57 bilhões para R$ 7,42 bilhões.

O setor contabilizou ainda 14,09 mil empregos diretos no Estado.

Segundo dados da RAIS citados pelo Sistema OCB/MT, Mato Grosso ocupa a 5ª posição nacional em estabelecimentos e vínculos cooperativos por 100 mil habitantes.

Para o Sistema OCB/MT, a combinação dos dados do anuário com o estudo de impacto permite dimensionar não apenas a atuação das cooperativas, mas também as conexões mantidas com fornecedores, prestadores de serviços e diferentes cadeias produtivas.

“O cooperativismo está presente em diferentes setores da economia e em diferentes regiões de Mato Grosso. Esses números mostram a dimensão que o movimento alcançou e, principalmente, a sua capacidade de gerar oportunidades e movimentar a economia”, afirmou o presidente do Sistema OCB/MT, Nelson Piccoli.