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Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Economia

China limita carne do Brasil, impõe sobretaxa e força governo Lula a buscar alternativas

A nova barreira comercial coloca pressão sobre frigoríficos e exportadores brasileiros, que precisam redirecionar parte dos embarques para outros destinos ou operar com a tarifa adicional sobre o excedente.

Ana Santos2 min de leitura
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A China confirmou o esgotamento da cota anual destinada à carne bovina brasileira e passará a cobrar uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem o limite estabelecido para 2026. A nova cobrança começa em 1º de outubro e será aplicada além da tarifa de importação já vigente.

O Ministério do Comércio chinês informou nesta quarta-feira (30) que as importações brasileiras atingiram 100% da cota em 29 de setembro. O limite destinado ao Brasil é de 1,106 milhão de toneladas. A partir de outubro, todo volume que exceder essa quantidade ficará sujeito à tarifa adicional.

A medida representa um obstáculo para um dos principais mercados da pecuária brasileira. Em 2025, a China comprou cerca de 1,68 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, respondendo por aproximadamente 48% das exportações brasileiras do produto e gerando US$ 8,9 bilhões em receitas.

O mecanismo de salvaguarda foi criado pelo governo chinês para controlar o crescimento das importações de carne bovina e proteger a produção doméstica. A regra estabelece cotas específicas para os países fornecedores e aplica uma tarifa adicional de 55% aos volumes que ultrapassarem os limites. Dentro da cota brasileira, permanece a tarifa de importação de 12%.

Diante da restrição, o governo brasileiro tenta ampliar as alternativas para o setor. Uma das medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um acordo com o Uruguai para que o Brasil possa utilizar parte do saldo não utilizado da cota uruguaia.

A operação, entretanto, ainda depende da autorização da China. Até o momento, Pequim não confirmou oficialmente a transferência da cota, portanto o mecanismo ainda não pode ser tratado como solução efetivamente liberada.

Ao mesmo tempo, o Brasil busca ampliar o número de mercados compradores. Em setembro, o Ministério da Agricultura anunciou a habilitação de 21 novos estabelecimentos brasileiros para exportar carne e miúdos bovinos à Indonésia. Com as novas autorizações, o país passou a contar com 73 unidades habilitadas para atender ao mercado indonésio.

A estratégia de diversificação ganha importância porque a salvaguarda chinesa reduz o espaço disponível para a carne brasileira naquele mercado. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontam que a cota brasileira para 2026 corresponde a pouco mais da metade do volume que o país havia exportado à China em 2025.

A nova barreira comercial coloca pressão sobre frigoríficos e exportadores brasileiros, que precisam redirecionar parte dos embarques para outros destinos ou operar com a tarifa adicional sobre o excedente.

A medida chinesa, portanto, não representa uma suspensão das compras de carne brasileira. O produto continua podendo entrar no mercado chinês, mas, após o esgotamento da cota, os novos volumes passam a enfrentar uma carga tarifária significativamente maior.

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