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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Política MT

Bolsonarismo cresce em MT, e Mauro Mendes desponta como principal liderança política

“O bolsonarismo e o Mauro Mendes são os dois grandes vencedores dessa eleição”, afirmou Vinicius.

ANA SANTOS6 min de leitura
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Bolsonarismo cresce em MT, e Mauro Mendes desponta como principal liderança política

O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) e o bolsonarismo foram os principais vencedores das eleições de 4 de outubro em Mato Grosso, na avaliação do analista político Vinicius de Carvalho. Em entrevista ao MidiaNews, ele destacou a votação expressiva de Mendes, a eleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o crescimento do PL e a conquista de uma cadeira no Senado por José Medeiros (PL).

Para o analista, o resultado consolidou a influência política de Mauro Mendes, que obteve 1.187.352 votos e se tornou o senador mais votado da história de Mato Grosso. Além disso, o ex-governador conseguiu eleger seu sucessor no Palácio Paiaguás e fortalecer aliados em diferentes espaços de poder.

“O bolsonarismo e o Mauro Mendes são os dois grandes vencedores dessa eleição”, afirmou Vinicius.

O PL também ampliou sua presença política no Estado. A sigla passou de dois para quatro deputados estaduais, elegeu três representantes para a Câmara Federal e conquistou uma vaga no Senado com José Medeiros. O principal revés do partido foi a derrota de Wellington Fagundes na disputa pelo Governo de Mato Grosso.

Pivetta vence com força da estrutura governista

A vitória de Otaviano Pivetta no primeiro turno, com mais de 60% dos votos, surpreendeu pela dimensão, segundo Vinicius de Carvalho. Embora o candidato apresentasse crescimento nas pesquisas ao longo do ano, havia expectativa de que a disputa chegasse ao segundo turno.

Na avaliação do analista, a estrutura política do governo estadual, o apoio de lideranças e a articulação com o agronegócio foram fatores determinantes para o resultado.

Ele também destacou a aliança formada na reta final entre Pivetta, Mauro Mendes e José Medeiros, que teria contribuído para concentrar votos e fortalecer os três candidatos.

Outro diferencial apontado foi o perfil dos concorrentes. Enquanto Wellington tem uma trajetória consolidada no Legislativo, Pivetta construiu sua carreira principalmente no Executivo, característica que teria favorecido sua candidatura.

“O Wellington é um homem do parlamento, já o Pivetta é do ‘fazimento’”, avaliou.

Vinicius também atribuiu parte do resultado ao desempenho da comunicação e à evolução de Pivetta durante os debates eleitorais.

Wellington e Janaína enfrentaram dificuldades

A derrota de Wellington Fagundes foi explicada pelo analista a partir de dificuldades de comunicação, da falta de propostas mais específicas para o Executivo e da dificuldade de ampliar sua identificação com o eleitorado bolsonarista.

Segundo os dados da pesquisa Quaest citados por Vinicius, Pivetta teve 42% das preferências entre os eleitores bolsonaristas, contra 29% de Wellington. Entre os eleitores da direita não bolsonarista, a vantagem foi ainda maior: 51% a 23%.

Para o analista, o posicionamento político de Wellington, considerado por ele mais centrista, também contribuiu para o resultado.

Já a derrota de Janaína Riva (MDB) na disputa pelo Senado foi atribuída a uma combinação de fatores políticos e estratégicos. Vinicius mencionou a articulação de adversários, a mudança na composição dos suplentes e o desempenho de Wellington, de quem ela era aliada.

A substituição de Ana Cristina Felder na primeira formação da chapa também foi apontada como um erro, especialmente porque a presença de uma delegada poderia ampliar o apelo da candidatura entre o eleitorado feminino.

O analista ainda destacou dificuldades do MDB na montagem das chapas proporcionais e a concentração de forças em torno da aliança entre Mauro Mendes, Pivetta e Medeiros.

José Medeiros surpreende e conquista vaga no Senado

A eleição de José Medeiros foi outro destaque do pleito. Embora aparecesse atrás de outros concorrentes em parte das pesquisas, o candidato do PL ganhou força na reta final e terminou eleito.

Para Vinicius, a concentração do voto bolsonarista em Medeiros foi decisiva. Segundo ele, o eleitorado identificado com Jair Bolsonaro e contrário ao PT acabou se mobilizando em torno de um nome com esse perfil político.

O analista também observou que as eleições para duas vagas ao Senado em Mato Grosso têm apresentado um padrão recorrente: um candidato apontado como favorito conquista uma cadeira, enquanto a outra fica com um nome que surpreende durante a campanha.

Max Russi ganha força para 2030

A nova composição da Assembleia Legislativa também foi analisada por Vinicius. Para ele, Max Russi (PSB) saiu fortalecido das urnas, especialmente pelo crescimento da bancada de seu partido e pela capacidade de articulação política.

O analista avalia que Russi ganha espaço nas discussões sobre a sucessão estadual em 2030. Caso Mauro Mendes e Fábio Garcia não disputem o Governo, Max poderá tentar se consolidar como o nome apoiado pelo grupo político que atualmente comanda o Estado.

A renovação da Assembleia, com a chegada de seis novos deputados, também foi destacada. Segundo Vinicius, parte das derrotas ocorreu em razão de escolhas partidárias feitas durante a janela de mudança de legenda.

Ele citou o caso de Eduardo Botelho, que recebeu mais votos do que alguns candidatos eleitos, mas não conseguiu uma cadeira. Na avaliação do analista, a escolha pelo MDB prejudicou sua estratégia eleitoral.

Clãs políticos perdem espaço, mas novas forças surgem

Na avaliação de Vinicius, o resultado das urnas indica mudanças na composição das elites políticas, mas não necessariamente o fim dos grupos familiares tradicionais.

Ele citou a perda de espaço do grupo ligado a Janaína Riva e, ao mesmo tempo, o fortalecimento de novas estruturas políticas, como os grupos associados a Mauro Mendes e à família Brunini.

O analista ponderou que a permanência de determinados grupos também depende da avaliação dos eleitores sobre os resultados apresentados pelos governos.

No caso de Mauro Mendes, ele destacou obras de infraestrutura, investimentos públicos e indicadores de desenvolvimento econômico como fatores que contribuíram para a consolidação de sua força política.

Pivetta deve adotar perfil mais discreto

Para o próximo mandato, Vinicius considera que o governo de Otaviano Pivetta poderá ter uma atuação mais administrativa e menos marcada por confrontos políticos.

Segundo ele, o governador eleito tem um perfil mais reservado e austero, diferente da postura adotada por Mauro Mendes em determinados embates.

Entre as principais dúvidas para a próxima gestão estão a formação do secretariado, a relação com a Assembleia Legislativa e o espaço que será dado a medidas de orientação liberal na administração estadual.

O analista também avalia que Pivetta pode concluir o mandato sem disputar uma nova eleição em 2030. Nesse cenário, a sucessão estadual poderá abrir espaço para outras lideranças, entre elas Max Russi.

Ao analisar o cenário nacional, Vinicius atribuiu a perda de votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso, na comparação com 2022, ao desgaste de quem está no poder, à percepção de falta de renovação no partido e às divergências com setores do agronegócio.

Entre os temas que alimentam os conflitos entre o governo federal e parte do eleitorado mato-grossense, ele citou demarcações de terras indígenas, reforma agrária, política ambiental e armamento.

O resultado das eleições, na avaliação do analista, reforça a posição de Mauro Mendes como uma das principais lideranças políticas do Estado e amplia o espaço do bolsonarismo na composição dos poderes em Mato Grosso.

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