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Domingo, 1 de novembro de 2026

Agro

Boi gordo passa dos R$ 400 e entra em novembro com oferta apertada

Essa redução começa a aparecer justamente no período em que os animais confinados deveriam reforçar a oferta aos frigoríficos.

Redação Assembleia Newsatualizado em 5 min de leitura
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Plínio Queiroz/divulgação
Plínio Queiroz/divulgação

O mercado brasileiro do boi gordo encerrou outubro com valorização de até 8,6% nas principais regiões pecuárias e negócios alcançando R$ 400 por arroba em São Paulo. A oferta reduzida de animais terminados, as escalas de abate limitadas a cinco ou sete dias úteis e a expectativa de maior procura dos frigoríficos para atender às exportações sustentaram os preços. Novembro começa com perspectivas de novas altas, mas o comportamento das compras chinesas e a capacidade de consumo do mercado interno serão decisivos para determinar até onde a valorização poderá avançar.

Em São Paulo, principal referência nacional para a formação dos preços, a arroba terminou outubro cotada a R$ 395 nas negociações a prazo, avanço de 8,22% sobre os R$ 365 registrados no encerramento de setembro. Segundo a consultoria Safras & Mercado, também ocorreram negócios a R$ 400, patamar que representa um novo recorde nominal para determinadas negociações, sem considerar os efeitos da inflação.

A valorização não ficou restrita ao mercado paulista. Em Minas Gerais, a arroba chegou a R$ 380, alta de 8,57% no mês. Goiás registrou R$ 375, avanço de 7,14%, enquanto Mato Grosso do Sul alcançou R$ 380, com aumento de 7,04%. Em Mato Grosso, a cotação subiu de R$ 345 para R$ 365, valorização de 5,80%. Rondônia encerrou o período com negócios a R$ 368, crescimento de 6,67%.

A principal explicação para o movimento está na disponibilidade menor de bovinos prontos para abate. Com dificuldades para completar suas programações industriais, frigoríficos passaram a disputar animais e aceitar reajustes nas negociações. As escalas curtas indicam que as empresas possuem compras suficientes para poucos dias de funcionamento, aumentando a necessidade de buscar novos lotes.

A oferta mais limitada também reflete decisões tomadas pelos pecuaristas nos meses anteriores. A recuperação das pastagens em determinadas regiões, favorecida pelas chuvas, permitiu manter parte dos animais por mais tempo nas propriedades. Ao mesmo tempo, a entrada de bovinos nos confinamentos entre julho e agosto ficou aproximadamente 15% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025, segundo levantamento citado pela Scot Consultoria.

Essa redução começa a aparecer justamente no período em que os animais confinados deveriam reforçar a oferta aos frigoríficos. Com menos bovinos disponíveis e demanda industrial ainda presente, o poder de negociação dos pecuaristas aumentou.

O mercado futuro também acompanhou a valorização. Na B3, contratos com vencimento em novembro ultrapassaram R$ 400 por arroba e chegaram à máxima de R$ 407. Esses preços representam expectativas dos participantes do mercado e não garantem que as negociações físicas alcançarão os mesmos valores nas próximas semanas.

A China permanece como um dos principais fatores de atenção. A expectativa de intensificação das compras para abastecimento no fim do ano estimula frigoríficos habilitados a buscar animais com antecedência. Entretanto, o volume efetivamente contratado dependerá da administração das cotas chinesas de importação e das condições comerciais negociadas entre compradores e exportadores.

Os dados parciais de outubro mostram que a demanda externa ainda não apresentou expansão em volume. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 16 dias úteis do mês o Brasil exportou 154,5 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com receita equivalente a aproximadamente R$ 5,2 bilhões, considerando o câmbio de referência de R$ 5,35.

Na comparação com outubro de 2025, o volume médio diário embarcado recuou 33,7%, enquanto a receita média diária caiu 24,8%. O preço médio internacional, entretanto, avançou 13,5%, alcançando aproximadamente R$ 33,6 mil por tonelada. Os números indicam que a valorização da carne no exterior não foi suficiente para compensar a redução da quantidade exportada no período analisado.

O desempenho do mercado interno será outro componente importante para novembro. O pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário, a movimentação do comércio no fim do ano e a melhora sazonal do consumo tendem a favorecer as vendas de carne bovina. A intensidade dessa recuperação, porém, dependerá do orçamento das famílias e dos preços praticados no varejo

No atacado, outubro já apresentou reajustes. O quarto traseiro bovino passou de R$ 28 para R$ 29,50 por quilo, alta de 5,36%. O dianteiro avançou de R$ 21,50 para R$ 22,30, aumento de 3,72%. Os reajustes foram inferiores aos registrados em algumas praças do boi gordo, indicando que a indústria ainda enfrenta limites para transferir integralmente a valorização da matéria-prima aos compradores.

A concorrência com a carne de frango e a suína continua sendo um obstáculo. Quando a carne bovina fica mais cara, parte dos consumidores tende a substituir cortes por proteínas de menor preço, reduzindo o espaço para novos reajustes. Esse comportamento pode limitar a capacidade dos frigoríficos de sustentar preços elevados na compra dos animais.

Para o pecuarista, a valorização da arroba melhora a receita por animal vendido, mas não significa necessariamente aumento proporcional do lucro. Os resultados dependem dos custos de reposição, alimentação, suplementação, financiamento e do tempo necessário para terminar os bovinos. A alta também alcança o mercado de animais de reposição, elevando as despesas de quem precisa recompor o rebanho.

O cenário de novembro reúne, portanto, fatores que favorecem a manutenção de preços firmes, mas não asseguram uma sequência contínua de aumentos. A oferta de animais terminados permanece restrita, enquanto frigoríficos precisam abastecer suas linhas de produção e atender aos contratos comerciais.

A confirmação de novas altas dependerá da capacidade de consumo do mercado doméstico, da efetivação das compras internacionais e da velocidade com que novos lotes de bovinos chegarão ao mercado. Depois de um outubro de forte valorização, a disputa pela boiada continuará sendo o principal indicador para acompanhar a direção dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Pensar Agro

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