Alimentos disparam em outubro, e tomate sobe quase 25%, aponta IBGE
Prévia da inflação mostra aceleração nos preços da comida, com alta de arroz, cebola e batata; queda da energia e das passagens aéreas ajudou a conter o índice geral

O preço dos alimentos voltou a pressionar o orçamento das famílias brasileiras em outubro. O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,88%, mais que o dobro dos 0,40% observados em setembro, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23).
A maior pressão veio dos alimentos consumidos dentro de casa, cujos preços subiram 1,01%, ante 0,38% no mês anterior. Entre os produtos que mais encareceram estão itens comuns na mesa dos brasileiros, como tomate, cebola, batata-inglesa e arroz.
O tomate teve a maior alta, de 24,54%. A cebola ficou 13,63% mais cara, enquanto a batata-inglesa subiu 10,96%. Já o arroz registrou aumento de 5,80%, ampliando o impacto sobre as despesas domésticas.
Sozinho, o grupo Alimentação e bebidas contribuiu com 0,19 ponto percentual para o IPCA-15 de outubro, que ficou em 0,32%. Foi a maior contribuição entre os grupos pesquisados pelo IBGE.
Quedas não compensam alta dos alimentos
Apesar dos aumentos, alguns produtos ficaram mais baratos no período. A cenoura teve redução de 10,67%, enquanto as frutas registraram queda média de 1,37%. O café moído também apresentou recuo, de 1,16%.
As reduções, no entanto, não foram suficientes para compensar a alta de outros alimentos.
Comer fora de casa também ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio subiu 0,56%, com aumentos de 0,61% nas refeições e de 0,66% nos lanches.
Inflação geral desacelera, mas preços continuam subindo
Mesmo com a pressão dos alimentos, o índice geral perdeu força. O IPCA-15 passou de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro.
Entre os fatores que ajudaram a conter o indicador estão a queda de 0,89% na energia elétrica residencial, favorecida pelo retorno da bandeira tarifária verde, e o recuo de 9,24% nas passagens aéreas.
De janeiro a outubro, o IPCA-15 acumula alta de 4,15%. Isso significa que, apesar da desaceleração mensal da inflação, os preços continuam aumentando na média.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do país. O indicador utiliza metodologia semelhante à do IPCA, mas tem diferenças no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.
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