Alex Rodrigues atribui inclusão em operação a almoço com vereadores de Várzea Grande
Vereador de Cuiabá afirma que encontro ocorreu na véspera da eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande; celular foi recolhido durante busca e, segundo ele, já foi devolvido.

O vereador de Cuiabá Alex Rodrigues afirmou nesta terça-feira (20) que acredita ter entrado na mira da Operação Cathedra Venalis por ter participado de um almoço com vereadores de Várzea Grande, na véspera da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. Segundo ele, o encontro foi uma confraternização entre amigos, sem negociação política de sua parte.
“ Acredito que eu estava no lugar errado, na hora errada”, declarou o parlamentar à imprensa, após agentes cumprirem um mandado de busca e apreensão em sua residência.
Alex contou que foi convidado pelo vereador Miguel Angel, conhecido como Miguelzinho, para almoçar em uma chácara onde estavam reunidos parlamentares de Várzea Grande. De acordo com seu relato, permaneceu no local por cerca de duas horas e depois foi embora.
“Eu sou amigo pessoal do vereador Miguel Júnior, e ele me convidou. Eu fui, fiquei lá em torno de duas horas e depois voltei. Foi apenas para confraternizar mesmo”, afirmou.
O vereador reconheceu que os parlamentares de Várzea Grande estavam reunidos em razão da disputa pela Mesa Diretora, mas negou ter participado de conversas sobre a eleição.
“Eles estavam reunidos por causa da Mesa Diretora, mas eu fui realmente como amigo. Não foi conversado nada a respeito de Mesa Diretora com a gente. A gente foi lá, comeu, almoçou e veio embora”, declarou.
Ilde Taques também estava no almoço
Alex confirmou que o vereador Ilde Taques, também de Cuiabá e citado entre os alvos da operação, participou do encontro. Na avaliação de Alex, a presença dos dois parlamentares da Capital na confraternização pode ter contribuído para que fossem incluídos na investigação.
“Eu acredito que, por causa dessa briga que está lá em Várzea Grande, por eu e o vereador Ilde estarmos lá juntos, nos colocaram no meio como alvos da operação”, disse.
Vereador afirma que celular foi recolhido
Sobre as buscas em sua residência, Alex afirmou que os agentes vistoriaram o imóvel e recolheram seu telefone celular. Segundo ele, o aparelho já foi devolvido.
“Prontamente entreguei. Falei para eles que poderiam ver o teor inteiro do celular. Já estou com o celular novamente”, relatou.
O parlamentar também elogiou a conduta dos agentes durante o cumprimento do mandado e afirmou que foi tratado com educação.
Alex nega que dinheiro tenha sido encontrado com ele
Durante a entrevista, o vereador foi questionado sobre uma abordagem da Rotam realizada após o almoço. Na ocasião, segundo informações mencionadas pelos jornalistas, teriam sido encontrados R$ 40 mil em dinheiro em um veículo no qual ele estava.
Alex negou que qualquer quantia tenha sido encontrada em seus pertences e confirmou que estava acompanhado de Ilde Taques durante a abordagem.
“Comigo não foi encontrado absolutamente nada. Eu estava com a minha mochila, eles abriram, tinha meu notebook e documentos que eu carrego. Com Alex Rodrigues, absolutamente nada foi encontrado”, afirmou.
Questionado se o dinheiro pertenceria ao colega, Alex disse desconhecer a existência da quantia. A origem e a propriedade do valor não foram esclarecidas no relato apresentado.
Vereador diz que vai colaborar com a investigação
Alex afirmou que não pretende adotar medidas judiciais contra os órgãos responsáveis pela operação e que vai colaborar com as investigações. Ele disse que consultará seus advogados para conhecer os detalhes do procedimento e prestar esclarecimentos à população.
“Não vou falar que foi um equívoco. Tem que investigar. Agora é a gente provar que não temos nada a ver com essa questão da Mesa Diretora”, declarou.
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
A ação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Conforme as informações divulgadas sobre a operação, estão entre os investigados 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá.
Segundo o Ministério Público, a apuração envolve suspeitas de obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, corrupção e possível atuação de organização criminosa em crimes contra a administração pública.
As declarações de Alex Rodrigues representam a versão apresentada pelo vereador. A investigação deverá esclarecer os fatos e eventual responsabilidade individual dos envolvidos, respeitando o direito de defesa e a presunção de inocência.
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