A formação da lista tríplice para o cargo de juíza-membro substituta do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) foi marcada por questionamentos durante sessão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Os desembargadores Orlando Perri e Rui Ramos levantaram suspeitas sobre a possibilidade de interferência na escolha das candidatas antes da votação do pleno.
As manifestações ocorreram na sessão virtual realizada na quinta-feira (27), quando o tribunal se preparava para definir os três nomes que serão encaminhados à Presidência da República. A partir da lista, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolher uma das candidatas para ocupar a vaga.
Orlando Perri afirmou ter recebido informações de que os nomes que seriam escolhidos já estariam definidos antes da votação. O desembargador classificou a situação como grave e disse que não participaria de um processo que eventualmente estivesse previamente combinado.
“Se verdadeiro isso que está circulando, essa eleição é uma farsa. Como será uma farsa a próxima, se prometeram votos para desistência. E eu não participo de jogos de cartas marcadas, até porque eu penso que é um desrespeito às demais candidatas”, declarou.
Antes da votação, Rui Ramos também havia chamado atenção para a desistência de quatro candidatas que inicialmente integravam a relação. Para ele, o movimento seria incomum e acabou alimentando questionamentos sobre a condução do processo.
A disputa começou com 23 candidatas. Após quatro desistências, 19 nomes permaneceram na disputa pela composição da lista tríplice.
Ao final da votação, o pleno do TJMT aprovou os nomes das advogadas Kamila Michiko Teischmann, Mara Yane Barros Samaniego e Angélica Rodrigues Maciel Felizardo. A lista será encaminhada para a Presidência da República, que deverá escolher uma das três para o cargo.
Presidente reage e anuncia investigação
O presidente do TJMT, desembargador Zuquim Nogueira, contestou a existência de irregularidades no processo e afirmou que não havia, naquele momento, provas suficientes para suspender a votação.
Segundo ele, a declaração de Perri provocou constrangimento e poderia comprometer a credibilidade do ato oficial do tribunal. Zuquim afirmou ainda que determinaria a abertura de um procedimento para apurar as suspeitas apresentadas.
“Eu não conduziria uma eleição viciada, colocando em risco a integridade de todos os membros. Independentemente da instauração de um procedimento de investigação, que eu determino que instaurarei, eu vou seguir com a eleição, se não há prova suficiente [contra o processo]”, afirmou.
Com a conclusão da votação, os três nomes seguem agora para a etapa de escolha presidencial. A investigação anunciada pelo TJMT deverá apurar as circunstâncias que motivaram os questionamentos apresentados durante a sessão.