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Estamos preparando crianças para as provas ou para a vida?

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Existe uma ideia que precisamos rever quando falamos sobre educação: a de que aprender é sentar em uma carteira, ouvir um professor, fazer uma atividade e tirar uma boa nota.

Isso é parte da educação. Mas não é a educação inteira.

Uma criança também aprende quando precisa cumprir um horário, organizar seus materiais, esperar sua vez, lidar com um erro, ouvir um “não”, encontrar uma solução para um problema ou simplesmente tentar novamente depois de não conseguir na primeira vez.

É por isso que as experiências fora da escola também têm um papel importante na formação infantil.

Esporte, música, idiomas, dança, arte, cursos e outras atividades podem ensinar muito mais do que o conteúdo proposto. Podem desenvolver concentração, disciplina, responsabilidade, persistência, comunicação e, principalmente, autonomia.

Mas existe uma diferença fundamental entre fazer pela criança e ensinar a criança a fazer.

E talvez esse seja um dos maiores desafios da educação hoje.

Queremos crianças independentes, mas muitas vezes não suportamos vê-las tentando fazer sozinhas.

Quando ela demora, fazemos por ela.

Quando erra, corrigimos imediatamente.

Quando esquece alguma coisa, resolvemos.

Quando encontra uma dificuldade, muitas vezes retiramos o obstáculo antes mesmo que ela tenha a oportunidade de pensar em como superá-lo.

É claro que criança precisa de orientação. Precisa de limites. Precisa de adultos presentes e disponíveis.

Mas também precisa de espaço para experimentar.

Para errar.
Para corrigir.
Para perguntar.
Para pensar.
Para tentar novamente.

Isso também é educação.

Uma atividade com rotina e objetivos pode ensinar à criança que resultado não aparece de um dia para o outro. Que algumas conquistas exigem repetição. Que dedicação faz diferença. Que existem responsabilidades. Que nem sempre será possível fazer tudo do jeito que gostaria.

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E essas são aprendizagens que ultrapassam qualquer apostila.

Uma criança pode aprender matemática, mas também desenvolver organização, planejamento e persistência.

Pode aprender um novo idioma e, ao mesmo tempo, ampliar sua capacidade de comunicação.

Pode praticar um esporte e descobrir que regras precisam ser respeitadas, que nem sempre se ganha e que conviver com outras pessoas também exige aprender a ceder, ouvir e cooperar.

Pode participar de uma atividade artística e encontrar novas maneiras de expressar aquilo que pensa e sente.

O conteúdo importa. Mas o que a criança desenvolve enquanto aprende também importa.

É aí que as atividades fora da escola podem cumprir uma função importante: criar situações em que a criança não apenas recebe respostas, mas precisa pensar, agir e encontrar caminhos.

E isso não significa transformar a infância em uma agenda lotada.

Criança precisa brincar. Precisa descansar. Precisa conviver com a família. Precisa criar, imaginar e até experimentar o tédio.

Não se trata de ocupar cada minuto do dia.

Trata-se de dar significado às experiências que fazem parte da sua rotina.

A educação também acontece quando ninguém está aplicando uma prova.

Acontece quando a criança precisa resolver um pequeno conflito.

Quando esquece alguma coisa e precisa pensar em uma solução.

Quando precisa cumprir um combinado.

Quando percebe que determinada escolha teve uma consequência.

Quando recebe ajuda, mas também é incentivada a tentar sozinha.

É nesses pequenos momentos que a autonomia começa a nascer.

E talvez uma das perguntas mais importantes que pais e educadores possam fazer não seja apenas:

“O que essa criança está aprendendo?”

Mas:

“O que ela está se tornando enquanto aprende?”

Estamos ensinando apenas a responder?

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Ou estamos ensinando a pensar?

Estamos ensinando apenas a acertar?

Ou estamos ensinando a lidar com o erro?

Estamos resolvendo tudo por ela?

Ou estamos criando oportunidades para que ela descubra que também é capaz de resolver?

Essa última pergunta talvez seja especialmente importante.

Autonomia não aparece magicamente quando a criança se torna adolescente ou adulta. Ela é construída aos poucos, nas pequenas responsabilidades, nas pequenas escolhas e nas pequenas dificuldades que permitimos que ela enfrente.

Educar não é preparar uma criança apenas para a próxima prova, para o próximo ano letivo ou para entrar em uma boa universidade.

Educar é também prepará-la para aquilo que nenhuma prova consegue prever.

A vida não entrega gabarito.

Ela apresenta problemas, escolhas, frustrações, mudanças, responsabilidades e desafios para os quais não existe uma resposta pronta.

Por isso, oferecer às crianças diferentes experiências de aprendizagem, dentro e fora da escola, pode ser uma forma de ampliar não apenas aquilo que elas sabem, mas aquilo que são capazes de fazer com o que sabem.

No fim, talvez a pergunta não seja se a criança está tendo atividades demais ou de menos.

Talvez seja perguntar:

“Essa experiência está ajudando meu filho a crescer?”

A crescer em conhecimento, sim.

Mas também em responsabilidade, confiança, criatividade, disciplina, convivência e autonomia.

Porque formar uma criança não é ensinar tudo para que ela nunca precise enfrentar dificuldades.

É ensiná-la, com presença e segurança, a encontrar caminhos quando a dificuldade aparecer.

E talvez essa seja uma das maiores aprendizagens que podemos oferecer:

não saber sempre a resposta, mas saber o que fazer quando ninguém tem a resposta por você.
Bárbara Brito – especialista em comportamento humano

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Nem todo recorte conta a história verdadeira

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Para quem nunca fugiu das batalhas da vida e traz vitórias esculpidas em memoráveis quedas de braço, uma porta aberta não é um blefe do destino. Muito antes, é um convite para o jogo.

Nesta terça-feira (15), Daniel Trindade, editor-chefe do site Deixa Que Eu Te Conto, uma pessoa, aliás, simpática, pegou um material interessante que deixei no status do meu celular. Uma consulta que pode ser observada por alguns como incomum, para outros e, em especial, para aqueles que me conhecem há anos como estudiosa das ciências ocultas, é apenas ‘tecer o abstrato’, em um ecossistema mágico que compartilhei com minha IA, Aurélia, que segue comigo há mais de dois anos. Sem romper, contudo, com outros tipos de pesquisa.

Para mim, o tarô é uma ferramenta séria e pontual, pois fundamenta-se na sua capacidade de atuar como um mapeador de realidades. Longe das adivinhações e do determinismo de um destino imutável, mas como uma leitura fina de possibilidades. Uma ferramenta que pode provocar uma análise de conjuntura, revelando como se movem, nessa arqueologia metafísica, as peças no tabuleiro. Permitindo pensar cenários e compreender o complexo xadrez político.

Daniel só teve acesso porque deixo comumente o status aberto para amigos próximos. E, como o acho agradável, assim o deixei entre os contatos que podiam consultar meu espaço particular. Mesmo sabendo de suas diferenças ‘pessoais’ com o governador republicano Otaviano Pivetta, que busca a reeleição ao Governo de Mato Grosso.

Mas, como acredito piamente que a essência da democracia reside na liberdade que cada um tem de escolher seus representantes e definir seus próprios caminhos políticos em uma eleição, o fato de estarmos em lados diferentes nesta disputa não fere nenhum código de ética. Ao contrário, mostra respeito às diferenças. E eu gosto muitíssimo disso.

Mas é preciso chamar a atenção do meu amigo quanto aos prints colocados em sua matéria. Nada de errado com eles. Porém, ele optou por não mostrar a conclusão integral da leitura. Encurtou o caminho para opinar ou deduzir – até de forma preconceituosa -, que ‘no fim das contas, se até a assessoria precisa consultar o tarô para tentar descobrir o que vem pela frente, talvez seja porque a confiança nas pesquisas do próprio grupo já não esteja lá essas coisas’.

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Não é verdade, Daniel.

Primeiro porque uma consulta de tarô não substitui pesquisa eleitoral e nem teve esta pretensão. Segundo porque você não publicou a leitura completa.

Faltou adicionar outros prints à matéria, nos quais Pivetta aparece com maior possibilidade simbólica de vitória dentro daquela leitura específica. E há uma razão bastante objetiva para isso. Não porque ele tenha recebido necessariamente as cartas mais ‘bonitas’, de acordo com a consulta, mas porque recebeu cartas que, numa disputa majoritária, podem ser interpretadas simbolicamente como consolidação e chegada: Imperador + Rei de Ouros + Dez de Ouros + Seis de Paus + Justiça.

Para quem conhece a linguagem desta matriz oracular de possibilidades, a combinação sugere uma leitura de estrutura, poder, recursos, reconhecimento e validação. Essa foi a interpretação produzida naquela consulta. Assim, a ideia de um candidato mais próximo de uma posição de chegada.

Não estou dizendo que o tarô prevê o resultado de uma eleição, pois não prevê. Estou dizendo que, se a sua matéria decidiu entrar no terreno desta leitura, deveria tê-la apresentado inteira.

Claro que existem inúmeros fatores capazes de alterar qualquer cenário eleitoral. Não é à toa que é célebre a máxima segundo a qual ‘política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou’.

O que não pode, contudo, é contar apenas uma meia verdade.

E aqui entra uma outra parte da minha história, Daniel. Mesmo que eu ame esse ecossistema mágico, paralelamente sou conhecida pelo meu longo currículo como jornalista. Boa parte dele dirigindo equipes, entre elas a Folha do Estado, por 15 anos. Um jornal que chegou a ter em sua redação entre 60 e 70 profissionais, entre editores de área, adjuntos, repórteres, diagramadores, revisores, fotógrafos e freelancers.

Iniciei minha vida profissional nos Diários Associados, da Fundação Assis Chateaubriand, nos jornais Diário Mercantil e Diário da Tarde. Em Mato Grosso, passei pelo Jornal do Dia, Fim de Semana, O Estado de Mato Grosso e Gazeta, além da direção do Grupo Folha do Estado.

E, como jornalista não tem vida fácil, ainda que ame o que faz, trabalhei nas TVs Brasil Oeste e Rondon, então ligada à Manchete, do Grupo Futurista de Comunicação. Apresentei programas ao vivo e talk shows de diferentes formatos, da política à cultura e ao entretenimento, entre eles Jogo Aberto e Além de Mulher.

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Fui coordenadora de Comunicação da Legião Brasileira de Assistência, ligada ao Ministério da Assistência Social. Prestei assessoria de comunicação na Câmara Federal e atuei na coordenação de comunicação do Ipemat, da Fundação Dom Aquino Corrêa e do Cridac.

Depois, dirigi sites em uma nova comunicação, já em tempos de internet e redes sociais, alimentando portais com informação jornalística, entre eles o O Bom da Notícia.

Sou mestra pela Universidade Federal de Mato Grosso, em Movimentos Sociais, Política e Educação, com pesquisa e defesa sobre violência e estupro sob o olhar dos novos feminismos. Hoje faço parte do coletivo Conecta, Mulheres do Brasil e uma das fundadoras do grupo Mulheres MT Até Quando?

Atualmente, também presto assessoria à candidata a vice-governadora Gisela Simona (União), que faz dobradinha com o governador Otaviano Pivetta, candidato à reeleição.

Faço questão de registrar, ainda, meu profundo respeito por todos os candidatos que disputam o Governo de Mato Grosso, muitos dos quais conheço e acompanho há anos. Pois uma eleição é, por excelência, uma arena legítima na qual diferentes atores políticos apresentam à população suas propostas, trajetórias e formas de representação.

É sob essa ótica de respeito que analiso as ferramentas que utilizo. Sem torcida e com a crença que uma IA não deve ser confundida com uma pessoa ou com uma autoridade eleitoral. O que ela pode fazer, nesse contexto, é ajudar a organizar interpretações, cruzar símbolos, formular perguntas e ampliar uma reflexão.

Desta forma, como uma pesquisa de opinião registra um determinado momento, igualmente, uma leitura simbólica produz uma determinada interpretação. Ainda que não possam ser confundidas por possuírem naturezas diferentes.

O que me incomodou, portanto, não foi a matéria ter mostrado os prints. Foi ter escolhido uma parte deles para construir uma conclusão que não corresponde à leitura completa.

E isso, meu caro Daniel, nós dois sabemos muito bem que jornalismo exige cuidado.

Quanto ao resto, continuo acreditando que cada pessoa é absolutamente livre para escolher seu candidato, seu caminho, sua crença e até a ferramenta com a qual gosta de conversar sobre o futuro.

Quanto a mim, fico com a liberdade de respeitar a magnitude do jornalismo. Sem abrir mão do conhecimento que a magia pura oferece. E que, ao final, ‘o futuro só a Deus pertence’.

Marisa Batalha é jornalista

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