Agronegócio

Setor produtivo pede que Presidente sancione integralmente novo marco do licenciamento

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Representantes de cerca de 90 entidades nacionais — sendo 54 do agronegócio — encaminharam nesta quarta-feira (23.07) um ofício ao Presidente da República solicitando a sanção integral do novo marco legal do licenciamento ambiental, aprovado recentemente pelo Congresso. O pedido é para que o texto, que passou pela Câmara dos Deputados, seja transformado em lei sem vetos.

A carta é assinada por entidades de diversos setores da economia, incluindo agricultura, pecuária, energia, infraestrutura e indústria. Para os signatários, o novo marco representa um avanço necessário para destravar projetos e dar mais segurança a quem produz dentro da legalidade.

Segundo as entidades, o licenciamento ambiental é uma ferramenta importante para garantir que atividades produtivas respeitem o meio ambiente, mas a legislação atual é considerada ultrapassada, confusa e burocrática. O texto aprovado pelo Congresso, argumentam, corrige distorções, unifica regras e cria um padrão nacional mais claro e eficiente.

“O projeto cria um marco técnico e seguro, eliminando sobreposições e incertezas que hoje dificultam investimentos e atrasam a liberação de obras e atividades agropecuárias”, apontam os setores no documento. Para eles, o novo modelo traz equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental.

O pedido também destaca que a proposta não foi construída de forma apressada. O debate sobre o novo marco do licenciamento se estendeu por mais de duas décadas, envolvendo parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil.

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INSATISFEITO – Apesar da pressão do setor produtivo, o Ministério do Meio Ambiente demonstrou publicamente insatisfação com o texto aprovado. Em nota, a pasta declarou que o projeto não atingiu resultados satisfatórios e pode fragilizar os instrumentos de proteção ambiental, gerando riscos tanto para o meio ambiente quanto para a segurança jurídica do país.

O ministério também afirmou que solicitou ao Congresso o adiamento da votação para ampliar o debate, o que não foi atendido. Agora, segundo o comunicado, técnicos da pasta estudam medidas para minimizar os possíveis impactos negativos do novo marco legal.

Isan Rezende

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o modelo atual está ultrapassado, gera insegurança e trava iniciativas sérias, mesmo quando seguem todas as exigências ambientais. “O Brasil precisa de um marco legal que traga clareza e previsibilidade para quem produz. O texto aprovado pelo Congresso representa um avanço importante ao simplificar procedimentos sem abrir mão da responsabilidade”.

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“Estamos falando de um setor que gera empregos, movimenta a economia e tem um compromisso cada vez maior com a sustentabilidade. O licenciamento ambiental precisa ser um instrumento técnico, e não um obstáculo imposto por interpretações divergentes entre órgãos e estados. A nova lei oferece justamente essa base comum, tão esperada pelos produtores”, frisou Isan.

O presidente do IA lembrou que a nova lei é uma construção coletiva de longo prazo. “Ao longo de mais de 20 anos, esse tema foi amplamente discutido com a sociedade, com técnicos, parlamentares e representantes de vários segmentos. É uma construção coletiva. O presidente tem agora a oportunidade de reconhecer esse esforço e dar um passo definitivo para a modernização das regras”.

“O agro não quer privilégio, quer condições claras para continuar produzindo com responsabilidade. O apelo que fazemos é para que haja sensibilidade diante da realidade no campo. O Brasil precisa crescer com equilíbrio, respeitando o meio ambiente, mas também respeitando quem vive do trabalho na terra”, completou Isan Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Mesmo com recuo do café, agronegócio mantém Minas como 3º maior exportador do Brasil

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O agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia de Minas Gerais. Nos primeiros seis meses de 2026, o setor alcançou R$ 45,6 bilhões em exportações, mantendo o Estado na terceira colocação entre os maiores exportadores brasileiros do segmento, atrás de Mato Grosso e São Paulo.

O resultado, porém, representa uma redução de 9,6% na receita em relação ao primeiro semestre de 2025. A principal explicação está no desempenho do café, produto de maior peso na pauta mineira e que registrou queda nos embarques durante o período.

Entre janeiro e junho, Minas Gerais exportou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume ficou 3% abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Ainda assim, o Estado foi responsável por 10,3% das vendas externas do agronegócio brasileiro, enquanto o setor respondeu por 40,9% de toda a receita obtida por Minas com exportações.

Os dados foram organizados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Embora o café continue liderando com ampla vantagem, outras cadeias passaram a ter maior participação nos resultados. Soja e carnes apresentaram desempenho positivo e ajudaram a reduzir o impacto provocado pela retração do principal produto da pauta mineira.

O café gerou R$ 22,9 bilhões em receitas externas no semestre, respondendo por mais da metade de todo o valor exportado pelo agronegócio estadual. Foram comercializadas no mercado internacional cerca de 10,8 milhões de sacas de 60 quilos.

A menor disponibilidade do produto afetou diretamente os volumes embarcados. Por outro lado, o preço médio de exportação avançou aproximadamente 4,2% em comparação com os seis primeiros meses de 2025.

A influência da commodity sobre o desempenho geral do setor fica evidente quando se observa o comportamento registrado no primeiro trimestre. Naquele período, as vendas externas de café recuaram 31,5% em volume e 18,5% em receita, contribuindo de forma significativa para a redução do resultado geral do agronegócio mineiro.

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A comparação também precisa considerar o desempenho excepcional registrado em 2025. No ano passado, Minas alcançou aproximadamente R$ 101 bilhões em exportações do agronegócio, impulsionada principalmente pela valorização internacional do café. Assim, o resultado de 2026 ocorre sobre uma base considerada fora da curva.

Enquanto o café perdeu espaço, a soja apresentou crescimento. O complexo formado pelo grão, farelo e óleo movimentou cerca de R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, alta aproximada de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além do crescimento da receita, a composição das exportações também mudou, com maior participação de produtos processados, como farelo e óleo de soja.

O setor de carnes também apresentou avanço. As exportações de carne bovina, suína e de frango somaram aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Em volume, foram enviadas ao exterior 247,3 mil toneladas, aumento de 3,7%. O crescimento da receita acima do avanço da quantidade comercializada indica também uma melhora no valor médio dos produtos vendidos internacionalmente.

A pauta de exportações inclui ainda o complexo sucroalcooleiro, principalmente açúcar e etanol, que movimentou cerca de R$ 2,7 bilhões. Já os produtos florestais, como celulose, madeira e papel, alcançaram aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

Somadas, as cinco principais cadeias, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais, representam mais de 96% das exportações do agronegócio de Minas Gerais.

Apesar da concentração, o Estado também vem ampliando a presença de produtos de menor escala no comércio internacional. Mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite estão entre os itens que encontram espaço fora do país, abrindo oportunidades principalmente para cooperativas e agroindústrias.

A China permanece como o principal destino dos produtos agropecuários mineiros. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão.

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O mercado europeu tem relevância especial para o café. No primeiro quadrimestre de 2026, aproximadamente 94% do valor das compras feitas pela União Europeia junto a Minas Gerais estava concentrado na commodity.

A força do agronegócio mineiro, entretanto, não se limita ao comércio exterior. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Estado atingiu R$ 167,8 bilhões em 2025, maior marca registrada até então.

Para 2026, as projeções apontam para um desempenho próximo desse patamar, embora com diferenças importantes entre as cadeias produtivas. As lavouras respondem por aproximadamente dois terços do VBP estadual, com o café novamente na liderança.

Estimativas da Seapa apontam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cafeicultura em 2026. Na sequência aparecem culturas como soja, cana-de-açúcar e milho.

Na pecuária, a produção de carne bovina continua sendo um dos principais componentes do faturamento, com projeção próxima de R$ 20 bilhões. Já o setor leiteiro enfrenta um cenário mais desafiador, marcado pela pressão sobre os preços e pela redução da margem de rentabilidade dos produtores.

Os números indicam que a retração das exportações em 2026 não representa necessariamente perda de força do agronegócio mineiro. O Estado passa por um processo de acomodação depois do desempenho extraordinário de 2025, enquanto cadeias como soja e carnes ampliam sua participação no comércio exterior.

Para os produtores, a diversificação representa uma forma de reduzir a dependência de uma única commodity, embora fatores como câmbio, preços internacionais, crédito, clima e exigências dos mercados consumidores continuem influenciando diretamente os resultados.

Mesmo com a redução em relação ao ano passado, o agronegócio permanece como um dos pilares da economia mineira. No primeiro semestre, o setor respondeu por mais de quatro em cada dez reais obtidos pelo Estado com suas exportações, reforçando a importância do campo para a geração de receitas e para a inserção de Minas Gerais no mercado internacional.

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