Agronegócio

Protestos de agricultores pressionam França às vésperas de decisão da UE sobre o acordo

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Agricultores franceses bloquearam, antes do amanhecer desta quinta-feira (08.01), as principais vias de acesso a Paris e pontos turísticos da capital em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja aprovação pode ocorrer ainda nesta semana. O movimento amplia a pressão política sobre o presidente Emmanuel Macron em um momento de fragilidade do governo no Parlamento e de isolamento crescente da França dentro do bloco europeu.

Dezenas de tratores interditaram rodovias estratégicas, como a A13 — que liga Paris à Normandia —, provocando cerca de 150 quilômetros de congestionamentos no início da manhã, segundo o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot. Manifestantes também romperam barreiras policiais, circularam pela avenida Champs-Élysées e bloquearam vias no entorno do Arco do Triunfo e da Torre Eiffel.

Os protestos foram convocados por sindicatos rurais em reação à possível assinatura do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, negociado há quase 25 anos. Os agricultores alegam que o tratado pode ampliar a entrada de alimentos considerados mais baratos no mercado europeu e reclamam ainda da condução do governo francês diante de uma doença que afeta o rebanho bovino, a dermatite nodular contagiosa. Eles defendem a vacinação dos animais, em vez do abate adotado pelas autoridades sanitárias.

“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Há um sentimento de abandono, e o Mercosul se tornou o símbolo disso”, afirmou à agência Reuters Stephane Pelletier, integrante do sindicato Coordination Rurale.

Decisão iminente em Bruxelas

O protesto ocorre às vésperas de uma possível decisão sobre o acordo. Ontem, quarta-feira (07), a ministra da Agricultura do Chipre, Maria Panayiotou — país que assumiu em 2026 a presidência rotativa do Conselho da União Europeia — afirmou que o bloco pretende deliberar sobre o tratado “até o fim da semana”. A expectativa é de que o tema seja tratado em reunião de embaixadores dos países-membros nesta sexta-feira (09.01).

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Fontes europeias indicam que um passo decisivo para a conclusão do acordo foi o apoio da Itália. A primeira-ministra Giorgia Meloni teria se mostrado satisfeita com a proposta da Comissão Europeia de antecipar 45 bilhões de euros em recursos para agricultores no próximo orçamento plurianual do bloco e com o compromisso de ampliar os gastos agrícolas no país entre 2028 e 2034.

Com o respaldo italiano, a Comissão Europeia estaria mais próxima de reunir os votos necessários para aprovar o acordo, mesmo sem o apoio da França — historicamente uma das principais opositoras ao tratado.

França isolada e pressão política

A posição francesa segue indefinida. Embora Paris tenha obtido concessões de última hora, o presidente Emmanuel Macron ainda não declarou se endossará o texto final. A incerteza ocorre em um ambiente político sensível: sem maioria no Parlamento, o governo francês enfrenta o risco de um voto de desconfiança em caso de novos desgastes.

A Comissão Europeia também propôs reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes e antecipar recursos agrícolas como forma de convencer países reticentes. Alemanha e Espanha apoiam o acordo abertamente.

Segundo a Comissão, as concessões negociadas limitam as cotas de importação a cerca de 1,5% do consumo europeu e mantêm intactas as exigências sanitárias, como a proibição do uso de hormônios e antibióticos na produção animal.

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Editorial do Le Monde critica postura francesa

Em editorial publicado também nesta quarta-feira, o jornal francês Le Monde criticou duramente a estratégia adotada por Paris, classificando-a como politicamente ineficaz e diplomaticamente isolada. Para o diário, a tentativa francesa de bloquear o acordo, centrada quase exclusivamente na proteção do setor agrícola, acabou enfraquecida com a adesão da Itália ao tratado.

O jornal avalia que a França corre o risco de sofrer um “vexame diplomático”, ao ver o acordo avançar sem o protagonismo que tradicionalmente busca exercer na União Europeia. Internamente, o episódio pode aprofundar a crise agrícola e o desgaste de um governo fragilizado às vésperas do fim do mandato presidencial.

Na leitura do Le Monde, insistir no adiamento do acordo sem apresentar alternativas viáveis enfraquece a posição francesa tanto no plano externo quanto no interno. O editorial sustenta ainda que, em um cenário global marcado pelo endurecimento comercial dos Estados Unidos e pela pressão das exportações chinesas, a União Europeia precisa ampliar parcerias estratégicas para preservar sua autonomia econômica e diplomática.

Brasil acompanha com expectativa

No Brasil, o governo acompanha o desfecho com expectativa. A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Tatiana Prazeres, afirmou que as negociações estão concluídas e que falta apenas a autorização das instâncias comunitárias para a assinatura do acordo.

Uma eventual aprovação nesta semana encerraria uma das negociações comerciais mais longas da história recente da União Europeia e redefiniria as relações comerciais entre o bloco europeu e os países do Mercosul.

Fonte: Pensar Agro

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Cacau ganha espaço em Mato Grosso como alternativa de renda para produtores rurais

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O cacau começa a ganhar novos espaços em Mato Grosso e aparece como uma alternativa para diversificar a produção e ampliar a renda de produtores rurais. Embora a atividade ainda esteja concentrada principalmente na região noroeste do Estado, iniciativas de pesquisa, assistência técnica, capacitação e organização desse setor produtivo vêm estimulando o avanço da cultura para outras regiões.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que Mato Grosso produziu 471 toneladas de cacau em 2022, em uma área de 724 hectares. Levantamentos anteriores também registraram produção em diferentes municípios, enquanto iniciativas mais recentes indicam a expansão de viveiros, jardins clonais e novos plantios no estado.

Hoje, municípios como Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes estão entre os principais polos da atividade. Ao mesmo tempo, novos projetos vêm sendo implantados em localidades como Santo Antônio do Leverger, Campo Verde, Nobres, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Alto Paraguai e Tangará da Serra.

Para o diretor de Projetos da Federação dos Agricultores Familiares de Mato Grosso (Fedaf MT), coronel Paulo Selva, o cacau apresenta potencial econômico e produtivo para Mato Grosso, principalmente por existir uma demanda interna que ainda não é totalmente atendida pela produção nacional.

“A cultura do cacau apresenta excelente rentabilidade e existe um mercado consumidor interno que necessita de matéria-prima. O Brasil ainda precisa importar cacau para atender à demanda por amêndoas. Isso demonstra que existe espaço para novos produtores”, explica.

Segundo ele, outro fator favorável é a disponibilidade de variedades desenvolvidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que possibilita estudar materiais mais adaptados às diferentes condições de clima e solo encontradas no Estado.

A cacauicultura também apresenta características que podem favorecer a agricultura familiar. É uma cultura perene, com ciclo produtivo que pode se estender por décadas, e permite que o produtor mantenha outras atividades na propriedade.

“É uma cultura que pode permanecer produtiva por muitos anos. Ela exige manejo constante, conhecimento técnico e planejamento, mas pode ser perfeitamente integrada a outras atividades desenvolvidas pelo agricultor familiar”, destaca Paulo Selva.

Antes de investir na cultura, o produtor precisa conhecer as características da atividade e elaborar um planejamento técnico e financeiro. A escolha dos clones, preparação da área, fertilidade do solo, irrigação, controle de pragas e doenças, podas, colheita, fermentação e secagem estão entre os fatores que interferem diretamente no resultado da lavoura.

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Nesse processo, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) tem papel estratégico ao acompanhar o produtor dentro da propriedade e transformar conhecimento técnico em decisões práticas para a produção.

O trabalho envolve orientação individualizada, acompanhamento dos indicadores da propriedade, melhoria da produtividade, controle de custos, planejamento e gestão da atividade.

Na cacauicultura, atualmente, a ATeG do Senar MT atende 31 produtores na região Norte de Mato Grosso, com foco no incentivo à produção sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar.

Para a supervisora da ATeG Fruticultura e Olericultura do Senar MT, Cristiani Bernini, a assistência técnica é fundamental para que o crescimento da atividade seja acompanhado por eficiência produtiva e gestão.

“A cacauicultura tem potencial para se tornar uma importante alternativa de diversificação de renda para a agricultura familiar em Mato Grosso. Mas, para isso, é fundamental que o produtor tenha acesso a conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico. A ATeG trabalha justamente para transformar esse conhecimento em resultados dentro da propriedade, acompanhando desde o manejo da lavoura até os custos, a produtividade e a rentabilidade”, afirma.

ATeG do Senar MT atende 31 produtores na região Norte de Mato Grosso

Cristiani ressalta ainda que o trabalho não se limita ao aumento da produção. “Ajudamos o produtor a produzir com eficiência, rentabilidade e sustentabilidade. A nossa função é contribuir para que ele tome decisões mais seguras, conheça os custos da atividade e consiga enxergar o cacau como um negócio dentro da propriedade”, completa.

Do fruto ao chocolate

O cacau também permite ao produtor ir além da comercialização das amêndoas. A diversificação pode ocorrer dentro da própria propriedade ou por meio da integração com agroindústrias.

A polpa pode ser utilizada na fabricação de sorvetes, geleias, doces e bebidas. O mel do cacau pode ser aproveitado em sucos e licores. As amêndoas podem originar nibs, cacau em pó e chocolate, enquanto a manteiga de cacau possui aplicações nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica.

Até mesmo subprodutos, como cascas do fruto e das amêndoas, podem ser aproveitados na elaboração de compostos orgânicos, biofertilizantes e bebidas.

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Essa possibilidade de agregação de valor amplia as oportunidades para o agricultor familiar e cria novos elos entre a produção no campo e a agroindústria.

Senar MT vai fomentar a cultura do cacau durante o Festival do Chocolate

O público poderá conhecer mais sobre a cultura do cacau durante o 8º Festival do Chocolate de Cuiabá, que será realizado nos dias 28, 29 e 30 de agosto, na Arena Pantanal, das 16h às 23h.

O Senar MT levará ações voltadas à valorização da produção rural e à aproximação entre produtores, consumidores e o mercado.

Uma das principais atrações será a Trilha do Saber e Sabor, com objetivo de fomentar o conhecimento do Cacau ao Chocolate, que apresentará ao público as diferentes etapas da cultura, desde a muda e os cuidados no cultivo até a transformação da amêndoa em chocolate.

Os visitantes poderão conhecer o fruto, as amêndoas, os nibs e equipamentos utilizados no processamento, além de acompanhar demonstrações e participar de degustações.

Antes de chegar ao chocolate, o cacau passa por etapas fundamentais, como colheita, quebra, fermentação e secagem. Cada uma delas influencia diretamente a qualidade final das amêndoas e, consequentemente, do chocolate produzido.

A proposta é mostrar que a produção de chocolate inicia muito antes da indústria, começa na propriedade rural, com a escolha da variedade, o manejo adequado da lavoura e o cuidado do produtor.

O Senar MT também estará com a Feira Natural do Campo, espaço dedicado à comercialização e à divulgação de produtos da agricultura familiar.

A iniciativa contribui para aproximar quem produz de quem consome, valorizar produtos locais e mostrar que a assistência técnica pode resultar não apenas em maior produtividade, mas também em novas oportunidades de mercado.

Para a organizadora do Festival do Chocolate, Zilda Castanho, a sustentabilidade do evento precisa considerar, além dos aspectos ambientais, as dimensões social, cultural e econômica.

“A sustentabilidade não deve olhar apenas para os impactos ambientais da realização do evento, mas também para as pessoas, para a cultura e para a economia do território onde ele acontece”, destaca.

No estande do Sistema Famato, durante o Festival do Chocolate, além da Trilha do Saber e Sabor, terá a Carreta do Pequenos do Agro e seus personagens com palestras teatralizadas, o Mutirão Rural com atendimentos odontológico, enfermagem e oftalmologia e a Feira Natural do Campo.

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