Agronegócio

Preço em queda do milho deixa produtores indecisos e pode ampliar área de soja no Brasil

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A forte queda no preço do milho no Brasil, resultado da supersafra colhida em 2024, deve influenciar diretamente a decisão de plantio para a safra de verão 2025/26. Com a saca negociada hoje a cerca de R$ 62, produtores se dividem entre manter o cultivo ou migrar parte da área para a soja, que se mostra mais atrativa economicamente.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de milho da segunda safra (safrinha) chegou a 109,5 milhões de toneladas, patamar recorde. Esse volume derrubou os preços: em março, a saca era vendida a R$ 89; na parcial de agosto, recuou quase 30%.

Em Santa Catarina, terceiro maior produtor do milho de verão, o cenário é de otimismo. Apesar de uma redução de 9% na área neste ciclo, a produtividade foi recorde, de 9,3 mil quilos por hectare. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) avalia que a área pode crescer até 5% em 2025/26, impulsionada por programas como o Terra Boa, que registrou aumento de 10% na distribuição de sementes em julho.

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Já em Minas Gerais, segundo maior produtor de milho da primeira safra, o tom é de cautela. Com a saca cotada a R$ 62 no mercado físico e contratos futuros a R$ 57, muitos agricultores estudam migrar para a soja.

Diante de tudo isso, as consultorias do setor projetam que a área de milho na safra de verão 2025/26 será de 4 milhões de hectares, crescimento de 4% sobre o ciclo atual. O número, no entanto, depende da reação das cotações. A soja pode avançar sobre parte das áreas, já que oferece maior liquidez e preços mais estáveis.

No mercado interno, a média nacional do milho está em R$ 62,01 por saca, com variações regionais. Campinas (SP) registra R$ 66, Rio Verde (GO) R$ 55 e Erechim (RS) R$ 70. O avanço da colheita em regiões atrasadas, como São Paulo, deve aumentar a oferta. Ainda assim, produtores têm segurado vendas, apostando em melhor remuneração com a exportação.

No front externo, os Estados Unidos confirmaram alta produtividade no Crop Tour da Pro Farmer, sustentando os preços na Bolsa de Chicago (CBOT). O Brasil, por sua vez, exportou 3,1 milhões de toneladas de milho nos primeiros 11 dias úteis de agosto, com receita de US$ 614 milhões — cerca de R$ 3,35 bilhões ao câmbio de R$ 5,45. O preço médio foi de US$ 205 por tonelada (R$ 1.117).

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Analistas destacam que a decisão do produtor brasileiro neste verão terá impacto direto na estratégia nacional de abastecimento. Se a soja avançar, o milho ficará cada vez mais concentrado na safrinha, aumentando o risco climático e a volatilidade nos preços internos.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Mesmo com recuo do café, agronegócio mantém Minas como 3º maior exportador do Brasil

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O agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia de Minas Gerais. Nos primeiros seis meses de 2026, o setor alcançou R$ 45,6 bilhões em exportações, mantendo o Estado na terceira colocação entre os maiores exportadores brasileiros do segmento, atrás de Mato Grosso e São Paulo.

O resultado, porém, representa uma redução de 9,6% na receita em relação ao primeiro semestre de 2025. A principal explicação está no desempenho do café, produto de maior peso na pauta mineira e que registrou queda nos embarques durante o período.

Entre janeiro e junho, Minas Gerais exportou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume ficou 3% abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Ainda assim, o Estado foi responsável por 10,3% das vendas externas do agronegócio brasileiro, enquanto o setor respondeu por 40,9% de toda a receita obtida por Minas com exportações.

Os dados foram organizados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Embora o café continue liderando com ampla vantagem, outras cadeias passaram a ter maior participação nos resultados. Soja e carnes apresentaram desempenho positivo e ajudaram a reduzir o impacto provocado pela retração do principal produto da pauta mineira.

O café gerou R$ 22,9 bilhões em receitas externas no semestre, respondendo por mais da metade de todo o valor exportado pelo agronegócio estadual. Foram comercializadas no mercado internacional cerca de 10,8 milhões de sacas de 60 quilos.

A menor disponibilidade do produto afetou diretamente os volumes embarcados. Por outro lado, o preço médio de exportação avançou aproximadamente 4,2% em comparação com os seis primeiros meses de 2025.

A influência da commodity sobre o desempenho geral do setor fica evidente quando se observa o comportamento registrado no primeiro trimestre. Naquele período, as vendas externas de café recuaram 31,5% em volume e 18,5% em receita, contribuindo de forma significativa para a redução do resultado geral do agronegócio mineiro.

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A comparação também precisa considerar o desempenho excepcional registrado em 2025. No ano passado, Minas alcançou aproximadamente R$ 101 bilhões em exportações do agronegócio, impulsionada principalmente pela valorização internacional do café. Assim, o resultado de 2026 ocorre sobre uma base considerada fora da curva.

Enquanto o café perdeu espaço, a soja apresentou crescimento. O complexo formado pelo grão, farelo e óleo movimentou cerca de R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, alta aproximada de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além do crescimento da receita, a composição das exportações também mudou, com maior participação de produtos processados, como farelo e óleo de soja.

O setor de carnes também apresentou avanço. As exportações de carne bovina, suína e de frango somaram aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Em volume, foram enviadas ao exterior 247,3 mil toneladas, aumento de 3,7%. O crescimento da receita acima do avanço da quantidade comercializada indica também uma melhora no valor médio dos produtos vendidos internacionalmente.

A pauta de exportações inclui ainda o complexo sucroalcooleiro, principalmente açúcar e etanol, que movimentou cerca de R$ 2,7 bilhões. Já os produtos florestais, como celulose, madeira e papel, alcançaram aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

Somadas, as cinco principais cadeias, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais, representam mais de 96% das exportações do agronegócio de Minas Gerais.

Apesar da concentração, o Estado também vem ampliando a presença de produtos de menor escala no comércio internacional. Mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite estão entre os itens que encontram espaço fora do país, abrindo oportunidades principalmente para cooperativas e agroindústrias.

A China permanece como o principal destino dos produtos agropecuários mineiros. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão.

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O mercado europeu tem relevância especial para o café. No primeiro quadrimestre de 2026, aproximadamente 94% do valor das compras feitas pela União Europeia junto a Minas Gerais estava concentrado na commodity.

A força do agronegócio mineiro, entretanto, não se limita ao comércio exterior. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Estado atingiu R$ 167,8 bilhões em 2025, maior marca registrada até então.

Para 2026, as projeções apontam para um desempenho próximo desse patamar, embora com diferenças importantes entre as cadeias produtivas. As lavouras respondem por aproximadamente dois terços do VBP estadual, com o café novamente na liderança.

Estimativas da Seapa apontam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cafeicultura em 2026. Na sequência aparecem culturas como soja, cana-de-açúcar e milho.

Na pecuária, a produção de carne bovina continua sendo um dos principais componentes do faturamento, com projeção próxima de R$ 20 bilhões. Já o setor leiteiro enfrenta um cenário mais desafiador, marcado pela pressão sobre os preços e pela redução da margem de rentabilidade dos produtores.

Os números indicam que a retração das exportações em 2026 não representa necessariamente perda de força do agronegócio mineiro. O Estado passa por um processo de acomodação depois do desempenho extraordinário de 2025, enquanto cadeias como soja e carnes ampliam sua participação no comércio exterior.

Para os produtores, a diversificação representa uma forma de reduzir a dependência de uma única commodity, embora fatores como câmbio, preços internacionais, crédito, clima e exigências dos mercados consumidores continuem influenciando diretamente os resultados.

Mesmo com a redução em relação ao ano passado, o agronegócio permanece como um dos pilares da economia mineira. No primeiro semestre, o setor respondeu por mais de quatro em cada dez reais obtidos pelo Estado com suas exportações, reforçando a importância do campo para a geração de receitas e para a inserção de Minas Gerais no mercado internacional.

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