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Caso Master: namorada de chefe afastado da PF atuou para empresa investigada

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A jornalista Renata Varandas, namorada do diretor-geral afastado da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, atuou em 2026 como representante da Ambipar em reuniões com autoridades do governo federal. A empresa aparece no radar de investigações relacionadas ao caso Banco Master.

As informações foram divulgadas pelo Poder360 com base em registros oficiais do e-Agendas, sistema da Controladoria-Geral da União (CGU) que reúne compromissos de autoridades públicas.

Ao menos quatro reuniões registradas neste ano tiveram a participação de Renata em nome da Ambipar. Em três delas, ela aparece identificada como diretora de Relações Governamentais da multinacional. Em outro compromisso, realizado em nome da Ambipar Participações e Empreendimentos, também consta como representante da empresa.

A primeira reunião ocorreu em 25 de fevereiro, com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Na ocasião, o encontro tratou de uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) relacionada a planos de emergência para instalações portuárias com risco de derramamento de óleo.

Em 17 de março, Renata participou de nova reunião sobre o mesmo tema, desta vez com o então presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho.

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Já em 8 de maio, esteve em uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para uma apresentação institucional que contou com representantes da empresa chinesa PowerChina.

O quarto compromisso registrado ocorreu em 20 de julho, no Banco Central. Renata participou de uma audiência com o procurador-geral adjunto da instituição, Erasto Villa Verde de Carvalho Filho, para tratar de assuntos institucionais da Ambipar.

EMPRESA ESTÁ NA MIRA DE INVESTIGAÇÕES

A atuação de Renata para a empresa ganha repercussão diante do fato de a Ambipar ter sido relacionada a investigações envolvendo operações com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro, a Polícia Federal realizou buscas na residência de Luciana Freire Barca Nascimento, que ocupava o cargo de diretora-adjunta da Ambipar.

A operação investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e negócios realizados com o Banco de Brasília (BRB).

Paralelamente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém investigação administrativa sobre possíveis irregularidades envolvendo operações com ações da Ambipar realizadas em 2024 e 2025.

RELAÇÃO COM O DIRETOR DA PF

Além da atuação junto à Ambipar, Renata Varandas é sócia da área de comunicação do escritório Figueiredo & Velloso Advogados Associados, onde também passou a atuar no setor de relações governamentais.

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A jornalista apresenta atualmente o programa “Poder em Foco”, do SBT News, entrevistando ministros, parlamentares e outras autoridades.

O vínculo pessoal com Andrei Rodrigues ganhou atenção justamente no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal por 90 dias.

Mendonça também determinou o afastamento do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa, e ordenou a abertura de procedimentos investigatórios para apurar fatos relacionados aos documentos de inteligência analisados no caso.

Apesar da repercussão, a decisão de Mendonça não menciona Renata Varandas nem sua atuação profissional para a Ambipar.

O Poder360 informou que procurou a jornalista para esclarecer a natureza de seu vínculo com a empresa, os serviços prestados, se a atuação ocorreu diretamente ou por meio do escritório de advocacia e se Andrei Rodrigues tinha conhecimento da atividade.

Até a publicação da reportagem, Renata não havia respondido aos questionamentos.

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“Desumano, mas a verdade vai aparecer”, diz Vorcaro

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Na última sexta-feira (28), o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal (PF) que passou por uma situação “desumana” após ser preso em novembro de 2025. Durante o depoimento, ele disse ainda manter a esperança de que os fatos sejam esclarecidosAo explicar quando percebeu que a liquidação do Banco Master seria o caminho mais provável, Vorcaro afirmou que isso ocorreu quando já estava preso. Antes disso, ele havia buscado alternativas para evitar o fim das atividades da instituição, segundo afirmou.

– Eu percebi quando eu estava atrás das grades no dia 17 de novembro de 2025, porque naquele dia de manhã eu anunciei ao Banco Central a venda do banco a investidores – declarou.

Vorcaro relatou que, após a negativa da fusão com o BRB, procurou investidores nos Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, a intenção era encontrar uma solução privada para o banco e evitar uma nova crise em torno da instituição.

Vorcaro relatou que, após a negativa da fusão entre o Banco Master e o BRB, buscou alternativas privadas para evitar a liquidação. Ele disse ter viajado aos Emirados Árabes Unidos em três ou quatro ocasiões para procurar investidores e afirmou que conseguiu estruturar uma nova proposta em menos de dois meses.

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