Agronegócio

Cavalo é vendido por R$ 88 milhões em leilão de Nazário

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O cavalo Inferno Sixty Six entrou para a lista dos animais mais valorizados da equinocultura brasileira após atingir avaliação de R$ 88 milhões durante um leilão realizado em Nazário, município localizado a cerca de 70 quilômetros de Goiânia. A negociação ocorreu durante a 5ª edição do JBJ Ranch & Família Quartista Weekend e reforçou o avanço de um mercado que vem movimentando cifras cada vez maiores dentro do agronegócio nacional.

A valorização ocorreu após a venda de 50% das cotas do garanhão por R$ 44 milhões. O acordo, fechado entre criatórios e investidores ligados ao segmento de genética equina, prevê pagamento parcelado em 55 vezes de R$ 800 mil. Com isso, o animal passou a figurar entre os mais caros já negociados no país.

O valor elevado reflete um movimento que vem transformando o mercado de cavalos esportivos no Brasil. Mais do que patrimônio rural ou símbolo de status, animais de genética superior passaram a ser tratados como ativos de alto valor econômico, capazes de gerar receitas contínuas por meio da comercialização de sêmen, embriões, coberturas e descendentes destinados às competições.

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Inferno Sixty Six é considerado um dos principais reprodutores da modalidade Rédeas, uma das categorias mais valorizadas do cavalo Quarto de Milha. Nascido em 2012, o garanhão reúne linhagens tradicionais da raça e já acumula mais de US$ 200 mil em premiações nas pistas norte-americanas. Seus filhos ultrapassam US$ 5 milhões em ganhos em provas internacionais, indicador que pesa diretamente na formação de valor desses animais.

O crescimento desse segmento acompanha a expansão da indústria do cavalo no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha mostram que a raça lidera o número de registros no país e sustenta boa parte das negociações envolvendo genética esportiva. O Brasil possui um dos maiores plantéis de Quarto de Milha do mundo, impulsionado principalmente pelas provas de Rédeas, Três Tambores e Laço.

A cadeia econômica ligada ao cavalo também ganhou relevância dentro do agro. Levantamentos do setor apontam que a equinocultura brasileira movimenta dezenas de bilhões de reais por ano, considerando criação, eventos, genética, nutrição animal, medicamentos, transporte, leilões e atividades esportivas. Além do impacto econômico direto, o segmento gera milhares de empregos e atrai investimentos cada vez maiores de produtores rurais e empresários.

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O próprio leilão em Goiás dá dimensão desse avanço. Segundo os organizadores, o evento movimentou aproximadamente R$ 257 milhões em apenas três dias, resultado que mais que dobrou o volume financeiro da edição anterior. Foram negociados animais, coberturas, embriões e cotas de reprodutores considerados estratégicos para o mercado internacional da raça.

A valorização dos cavalos de elite também acompanha a crescente profissionalização do setor. Hoje, avaliações genéticas, desempenho esportivo, fertilidade e histórico de produção passaram a ter peso semelhante ao de indicadores financeiros usados em outros segmentos do agronegócio.

Em meio à busca por genética de alta performance, o mercado brasileiro de cavalos esportivos se consolida como um dos mais dinâmicos do agro nacional e negócios como o de Inferno Sixty Six mostram que o setor já opera em um patamar bilionário.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Mesmo com recuo do café, agronegócio mantém Minas como 3º maior exportador do Brasil

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O agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia de Minas Gerais. Nos primeiros seis meses de 2026, o setor alcançou R$ 45,6 bilhões em exportações, mantendo o Estado na terceira colocação entre os maiores exportadores brasileiros do segmento, atrás de Mato Grosso e São Paulo.

O resultado, porém, representa uma redução de 9,6% na receita em relação ao primeiro semestre de 2025. A principal explicação está no desempenho do café, produto de maior peso na pauta mineira e que registrou queda nos embarques durante o período.

Entre janeiro e junho, Minas Gerais exportou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume ficou 3% abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Ainda assim, o Estado foi responsável por 10,3% das vendas externas do agronegócio brasileiro, enquanto o setor respondeu por 40,9% de toda a receita obtida por Minas com exportações.

Os dados foram organizados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Embora o café continue liderando com ampla vantagem, outras cadeias passaram a ter maior participação nos resultados. Soja e carnes apresentaram desempenho positivo e ajudaram a reduzir o impacto provocado pela retração do principal produto da pauta mineira.

O café gerou R$ 22,9 bilhões em receitas externas no semestre, respondendo por mais da metade de todo o valor exportado pelo agronegócio estadual. Foram comercializadas no mercado internacional cerca de 10,8 milhões de sacas de 60 quilos.

A menor disponibilidade do produto afetou diretamente os volumes embarcados. Por outro lado, o preço médio de exportação avançou aproximadamente 4,2% em comparação com os seis primeiros meses de 2025.

A influência da commodity sobre o desempenho geral do setor fica evidente quando se observa o comportamento registrado no primeiro trimestre. Naquele período, as vendas externas de café recuaram 31,5% em volume e 18,5% em receita, contribuindo de forma significativa para a redução do resultado geral do agronegócio mineiro.

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A comparação também precisa considerar o desempenho excepcional registrado em 2025. No ano passado, Minas alcançou aproximadamente R$ 101 bilhões em exportações do agronegócio, impulsionada principalmente pela valorização internacional do café. Assim, o resultado de 2026 ocorre sobre uma base considerada fora da curva.

Enquanto o café perdeu espaço, a soja apresentou crescimento. O complexo formado pelo grão, farelo e óleo movimentou cerca de R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, alta aproximada de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além do crescimento da receita, a composição das exportações também mudou, com maior participação de produtos processados, como farelo e óleo de soja.

O setor de carnes também apresentou avanço. As exportações de carne bovina, suína e de frango somaram aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Em volume, foram enviadas ao exterior 247,3 mil toneladas, aumento de 3,7%. O crescimento da receita acima do avanço da quantidade comercializada indica também uma melhora no valor médio dos produtos vendidos internacionalmente.

A pauta de exportações inclui ainda o complexo sucroalcooleiro, principalmente açúcar e etanol, que movimentou cerca de R$ 2,7 bilhões. Já os produtos florestais, como celulose, madeira e papel, alcançaram aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

Somadas, as cinco principais cadeias, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais, representam mais de 96% das exportações do agronegócio de Minas Gerais.

Apesar da concentração, o Estado também vem ampliando a presença de produtos de menor escala no comércio internacional. Mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite estão entre os itens que encontram espaço fora do país, abrindo oportunidades principalmente para cooperativas e agroindústrias.

A China permanece como o principal destino dos produtos agropecuários mineiros. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão.

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O mercado europeu tem relevância especial para o café. No primeiro quadrimestre de 2026, aproximadamente 94% do valor das compras feitas pela União Europeia junto a Minas Gerais estava concentrado na commodity.

A força do agronegócio mineiro, entretanto, não se limita ao comércio exterior. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Estado atingiu R$ 167,8 bilhões em 2025, maior marca registrada até então.

Para 2026, as projeções apontam para um desempenho próximo desse patamar, embora com diferenças importantes entre as cadeias produtivas. As lavouras respondem por aproximadamente dois terços do VBP estadual, com o café novamente na liderança.

Estimativas da Seapa apontam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cafeicultura em 2026. Na sequência aparecem culturas como soja, cana-de-açúcar e milho.

Na pecuária, a produção de carne bovina continua sendo um dos principais componentes do faturamento, com projeção próxima de R$ 20 bilhões. Já o setor leiteiro enfrenta um cenário mais desafiador, marcado pela pressão sobre os preços e pela redução da margem de rentabilidade dos produtores.

Os números indicam que a retração das exportações em 2026 não representa necessariamente perda de força do agronegócio mineiro. O Estado passa por um processo de acomodação depois do desempenho extraordinário de 2025, enquanto cadeias como soja e carnes ampliam sua participação no comércio exterior.

Para os produtores, a diversificação representa uma forma de reduzir a dependência de uma única commodity, embora fatores como câmbio, preços internacionais, crédito, clima e exigências dos mercados consumidores continuem influenciando diretamente os resultados.

Mesmo com a redução em relação ao ano passado, o agronegócio permanece como um dos pilares da economia mineira. No primeiro semestre, o setor respondeu por mais de quatro em cada dez reais obtidos pelo Estado com suas exportações, reforçando a importância do campo para a geração de receitas e para a inserção de Minas Gerais no mercado internacional.

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