POLÍTICA NACIONAL

Ex-procurador não esclarece evolução patrimonial de R$ 18 milhões

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O ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho não esclareceu a evolução de R$ 18 milhões em seu patrimônio nos últimos cinco anos.

Suspeito de ter recebido propina para criar condições para os descontos em benefícios previdenciários, Oliveira Filho depôs à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta quinta-feira (23).

Parlamentares acusam-no de atestar a legalidade de acordos irregulares entre as entidades associativas e o INSS e de atuar contra mecanismos de controle sobre os descontos associativos.

Ouvido na comissão antes mesmo de depor na Polícia Federal, Oliveira Filho não prestou o termo de compromisso por orientação da advogada que o acompanhava.

O ex-procurador-geral do INSS compareceu à CPMI munido de habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux. O depoente nada falou sobre o mecanismo das fraudes levantadas pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Oliveira Filho discorreu apenas sobre a sua vida funcional e disse que falaria somente sobre a sua atuação à frente da Procuradoria-Geral do INSS.

O depoente disse que, desde 2006, integra a Advocacia-Geral da União e que “sempre pautou sua vida pela Constituição”, tendo exercido cargos de assessoramento nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Michel Temer e Dilma Rousseff.

— Todos os cargos em comissão que assumi foram de indicação técnica, não sou político, não tenho padrinho político, sou apartidário. Não sou indiciado, não sou réu nem condenado — afirmou.

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Na condição de consultor jurídico do Ministério do Trabalho e Previdência, Oliveira Filho disse que compareceu a uma reunião com o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, quando ele ainda exercia o cargo de secretário-executivo da pasta.

Disse que o tema do encontro, do qual participaram outros convidados, entre eles o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, foi sobre “Previdência e INSS”, mas não deu mais detalhes ao relator.

Disse que “tudo que conquistou foi fruto de seu trabalho”, mas nada respondeu sobre o aumento de R$ 18 milhões em sua evolução patrimonial nos últimos cinco anos, o que incluiria a aquisição de diversos imóveis.

— Tudo será esclarecido — limitou-se a dizer ao relator.

Oliveira Filho disse que manteve um relacionamento de trabalho mais próximo com o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.

Também afirmou que já tinha trabalhado com o ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, no Ministério da Previdência Social, por volta de 2013.

O ex-procurador-geral do INSS também não falou se sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson, que depôs à comissão antes dele, seria sócia majoritária em diversas empresas que aparecem nas investigações.

Apelo  

No início do depoimento, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), apelou ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça para que decrete as prisões já aprovadas pela comissão (19, até o momento). Os pedidos são baseados em provas documentais, testemunhais e periciais que comprovam a participação direta de pessoas no roubo dos aposentados, disse o senador.

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— Ministro André Mendonça, o Brasil confia em Vossa Excelência. Sabemos da sua retidão, da sua fé, do seu compromisso com a verdade. Mas o Brasil clama para que a justiça aja, para que as prisões já aprovadas sejam decretadas, para ver o poder da verdade vencendo o silêncio da impunidade — afirmou.

Próximos depoimentos

Carlos Viana também anunciou os próximos nomes que estão confirmados a depor na comissão.

  • Em 27/10 – Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do INSS;
  • Em 28/10 – Domingos Sávio de Castro, que é sócio de diversas empresas de call-center e do piloto Henrique Binder Galvão;
  • Em 3/11 – Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA);
  • Em 6/11 – Ônix Lorenzoni, ex-ministro do Trabalho e Previdência;
  • Em 10/11 – Aristides Veras dos Santos, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag);
  • Em 13/11 – Eric Douglas Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis; e
  • Em 17/11 – Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Conselho de Comunicação Social alerta para tentativas de derrubar o ECA Digital

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A lei que protege crianças e adolescentes na internet entrou em vigor há menos de três meses, mas já há tentativas de derrubar o texto, conhecido como ECA Digital. O alerta foi feito nesta segunda-feira (1º) pelo Conselho de Comunicação Social (CCS).

Uma sugestão apresentada por meio do Portal e-Cidadania pede a revogação integral da lei. A iniciativa recebeu mais de 20 mil apoios de cidadãos e foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que pode decidir por dar andamento ou não à ideia. O relator, senador Flávio Arns (PSB-PR), apresentou parecer contrário, mas os conselheiros apontam que é necessária mobilização para frear iniciativas do tipo. Durante a reunião, eles aprovaram posicionamento também contrário à medida. O documento será encaminhado aos integrantes da CDH e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

— Precisamos manter o ECA Digital vivo. Ele precisa chegar à população para que as crianças se sintam de fato protegidas. Os esforços para perturbar o ECA Digital e a desinformação a respeito dele são inúmeros. Cabe a nós, aqui do Conselho, não só permanecer atentos, mas fazer com que o ECA Digital seja efetivo — defendeu a presidente do CCS, Patrícia Blanco.

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Sancionada em 2025, a lei teve origem no PL 2.628/2022, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e é uma resposta à crescente “adultização” de menores de 18 anos em plataformas on-line. O ECA Digital obriga as empresas de tecnologia da informação a remover imediatamente conteúdos relacionados a abuso ou exploração infantil, com notificação às autoridades, além da adoção de ferramentas de controle parental e verificação de idade dos usuários. Estão nesse rol publicações relacionadas à incitação à violência física, conteúdo pornográfico, uso de drogas, automutilação, suicídio e venda de jogos de azar, entre outros.

O conselheiro Carlos Magno, relator do documento aprovado pelo CCS, manifestou preocupação com essa e outras tentativas de descredibilizar a recente legislação.

— Trago preocupação com essa iniciativa de revogação do ECA Digital. A posição do senador é um alento a todos os avanços que esta norma trouxe — disse Carlos Magno.

Definição de antissemitismo

Durante a reunião, os conselheiros também decidiram avançar na análise do PL 1.424/2026, da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo para orientar políticas públicas nacionais com base em parâmetros da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). De acordo com a conselheira Rita Freire, trata-se de uma armadilha semântica: ao equiparar a crítica ao Estado de Israel ao antissemitismo, a definição confunde uma entidade política com a coletividade judaica. Rita classificou a iniciativa como pressão externa para silenciar o debate político legítimo no país e lembrou que não se trata da primeira tentativa do tipo. Rita Freire foi designada relatora da proposta no Conselho.

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— É um movimento de pressão externa sobre o Brasil para que adote essa definição e silencie a crítica ao Estado de Israel — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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