POLÍTICA NACIONAL
Pacto de prevenção ainda não é efetivo contra feminicídios, dizem debatedores
Publicado em
21 de outubro de 2025por
Da Redação
Apesar dos esforços do governo e das leis aprovadas pelo Congresso Nacional, o número de feminicídios no país continua alto. Conforme ressalta a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), uma mulher é assassinada no Brasil a cada seis horas. Por esse motivo, as dificuldades para a implementação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios foram o tema de uma audiência pública que aconteceu no Senado nesta terça-feira (21).
Entre os entraves à implementação do plano, os participantes do debate apontaram a persistência de uma cultura machista, a baixa capacitação dos agentes públicos que atendem as vítimas, a falta de integração entre os órgãos governamentais (e, portanto, dos dados disponíveis), além da falta de investimentos nas secretarias estaduais e municipais responsáveis pela proteção das mulheres.
A audiência foi promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado. O plano de ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios foi uma das políticas públicas que a CDH selecionou para avaliar neste ano — com a relatoria a cargo de Mara Gabrilli.
Esse plano de ação foi lançado pelo governo federal em 2024, para ser implementado em conjunto por vários ministérios, mas sob a coordenação do Ministério das Mulheres. O orçamento previsto é de R$ 2,5 bilhões.
Machismo
De acordo com o Mapa da Segurança Pública de 2025, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Segundo a coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, Maria Teresa Firmino Prado Mauro, tal estimativa indica que o número de feminicídios não vem diminuindo no país, mesmo com o reforço de políticas públicas e da criação de novas leis sobre o assunto.
Ao reiterar que as estatísticas são alarmantes, Mara Gabrilli destacou a importância de se avaliar o plano de ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios — que prevê 73 ações — e contribuir para a sua implementação. A senadora informou que seu relatório será apresentado até o final do ano e deverá identificar os principais gargalos e desafios do plano de ação.
— Apesar das diversas leis aprovadas por nós aqui no Congresso Nacional (como a Lei Maria da Penha, a tipificação do feminicídio, a Lei Mariana Ferrer e a Lei do Stalking), a cultura machista está profundamente arraigada na nossa sociedade e continua a submeter as mulheres ao medo, à opressão, a agressões, a costumes que nos reduzem a cidadãos de segunda classe, a meros objetos que os homens querem dominar e possuir. Precisamos combater, com muita força e ações concretas, as condutas criminosas praticadas contra as mulheres — declarou ela.
Capacitação
Para a deputada distrital Dra. Jane Klébia, que também é delegada de Polícia Civil, a falta de capacitação dos agentes públicos para o acolhimento das mulheres vítimas de violência é um dos principais gargalos para a implementação das políticas públicas de proteção ao público feminino.
— Nós efetivamente precisamos preparar [os agentes]. Se nós tivéssemos um sistema único, essa preparação chegaria a eles de forma constante, para que um policial não receba uma mulher em situação de violência e faça uma pergunta como: “A senhora tem certeza que veio aqui para prender o pai dos seus filhos? Se ele for preso amanhã, quem vai cuidar dos seus filhos? Onde a senhora vai morar?”. Essas palavras têm o poder de destruir, naquela mulher, suas certezas.
Em raciocínio semelhante, Regina Célia, co-fundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha, defendeu a atualização constante da formação dos agentes responsáveis por acolher e proteger essas vítimas.
Integração
Os participantes do debate afirmaram que o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios precisa integrar os órgãos públicos — incluindo as secretarias da mulher dos estados e dos municípios — para unificar e qualificar dados e procedimentos. Dessa forma, argumentam, serão possíveis diagnósticos mais precisos e a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
— Ainda não encontramos um eixo de integração da rede de proteção da mulher em situação de violência, e isso, infelizmente, contribui para o alto número de feminicídios. Porque, alinhado aos altos números de violência doméstica e feminicídios, encontramos a violência institucional. A violência institucional muitas vezes acontece devido à desinformação e ao modo como essa mulher deixa de ser acolhida em ambientes que deveriam lher oferecer garantia, proteção, confiança e credibilidade — declarou Regina Célia.
Uma das iniciativas do governo federal destinadas à integração e à qualificação de informações (visando à formulação de uma base nacional de dados que subsidie o pacto) é o uso do Formulário Nacional de Avaliação de Risco – Fonar.
Esse formulário procura identificar os fatores de risco para uma mulher (de vir a sofrer qualquer forma de violência no âmbito das relações domésticas e familiares). De acordo com o governo, “o objetivo é subsidiar, com maior rapidez e eficiência, agentes de polícia, delegados, juízes e servidores da Justiça com informações para que eles possam reconhecer o risco elevado de morte da mulher ou qualquer forma de violência doméstica para, assim, poder ajudá-la com os pedidos de medida protetiva de urgência e/ou cautelar”.
O coordenador do Conselho Gestor do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Rafael Rodrigues de Sousa, informou que, até o momento, 12 estados já adotaram o Sistema de Procedimentos Policiais Eletrônicos, utilizado nas delegacias para o registro das ocorrências. Ele afirma que, com isso, haverá a padronização de procedimentos e dados, incluindo os relacionados ao Fonar e a mais 18 formulários sobre medidas protetivas de urgência.
— Então esses 12 estados já têm o Fonar e todas as medidas informatizadas, permitindo a consolidação de uma base nacional, que é algo que a gente vem buscando já há bastante tempo, que é essa coleta de informações em âmbito nacional de forma padronizada — declarou ele.
Secretarias
A presidente da Associação de Assistência às Mulheres, Crianças e Adolescentes e Vítimas de Violência (Recomeçar), Rosana de Sant’Ana Pierucetti, disse que as secretarias estaduais e municipais envolvidas na proteção à mulher precisam de orçamentos maiores.
— Nós temos muitas secretarias da mulher que, quando a gente vai conversar com elas sobre algum projeto, o que elas nos dizem? “Não temos orçamento”. Então a gente precisa entender por que isso ainda não está acontecendo. Por que esse financiamento não está chegando às secretarias? A gente luta tanto para que haja essas secretarias da mulher, e muitas vezes a gente vê essas secretarias sendo tolhidas — protestou ela.
Rede próxima
Maria Teresa Firmino Prado Mauro observou que a Pesquisa Nacional de Violência Contra à Mulher, divulgada em 2023, revela que a mulher vítima de violência busca uma rede de proteção mais próxima antes de recorrer aos serviços oferecidos pelo Estado.
— Na pesquisa, o que a gente vê é que, em primeiro lugar, essas mulheres procuram a família. Depois elas procuram a igreja, os amigos, nessa ordem. Só depois elas começam a procurar o atendimento do Estado, a ligar para o 180, a ir até uma delegacia.
Segundo ela, é preciso atuar junto a essa rede mais próxima.
— [Temos de descobrir] onde podemos atuar, não só como Estado, mas também nesses lugares, antes dos serviços oficiais.
Além disso, Maria Teresa reiterou a necessidade de capacitação dos agentes públicos para que as medidas de proteção, segurança e acolhimento não falhem.
A Pesquisa Nacional de Violência Contra à Mulher é realizada pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, que é coordenado por ela.
Exemplo
Como exemplo de sucesso no combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, Maria Teresa citou o caso do Acre. Ela afirmou que a implantação de políticas públicas nesse estado teriam levado a uma redução de 43% dos casos de feminicídio nos últimos sete anos.
Entre as ações implementadas no Acre, ela citou o Projeto Justiça de Gênero, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado, que busca identificar, nos casos de tentativa de violência e feminicídio e violência, em quais fases houve falha da rede de apoio.
Articulação nacional
Atualmente, o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios envolve 11 ministérios. Foi o que destacou a coordenadora do comitê gestor do pacto, Estelizabel Bezerra da Silva. Ela também está à frente da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do Ministério das Mulheres.
Estelizabel também informou que, das 27 unidades da federação (26 estados e o Distrito Federal), 17 aderiram ao pacto. Ela observou que a adesão não é uma obrigação.
Ela ressaltou que, entre as ações incentivadas pela secretaria por meio do pacto, estão as política de reparação dentária; o acesso à pensão pelos órfãos do feminicídio; a assistência à saúde da mulher; a redução da burocracia exigida para a transferência de servidoras federais vítimas de violência; as cotas de gênero de 50% no chamamento para a segunda etapa do Concurso Nacional Unificado (CNU) e de 8% de mulheres vítima de violência doméstica na contratação de empresas terceirizadas nos contratos do Executivo federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Lula lamenta terremoto na Colômbia que deixou mortos: ‘Brasil permanece à disposição’
Published
6 horas agoon
10 de agosto de 2026By
ana barros
O presidente Lula lamentou o terremoto que atingiu cidades da Colômbia nesta segunda-feira (10), deixando ao menos 82 mortos, segundo a agência de notícias Reuters.
Lula colocou o Brasil à disposição do país vizinho. “Recebi com preocupação a notícia do forte terremoto que atingiu hoje a Colômbia, com epicentro no departamento de Chocó. Em nome do povo brasileiro, manifesto minha solidariedade ao povo colombiano, especialmente às famílias das vítimas e a todos os afetados pelos tremores. O Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário”, escreveu no X.
- O terremoto teve magnitude 7,4 e foi sentido com força em Bogotá e Cali.
- Pelo menos 69 pessoas morreram em Pereira, 2 Quebradas e La Virina.
- O epicentro foi em San José del Palmar, a 107 km de profundidade.
- Não houve alerta de tsunami após o tremor.
- O tremor também foi sentido em Manaus, no Brasil.
O forte terremoto de 7,4 foi sentido com intensidade em grandes cidades como Bogotá e Cali. Pelo menos 69 pessoas morreram em Pereira, 2 Quebradas e La Virina, segundo a AFP, citando fontes oficiais.
O epicentro do terremoto registrado por volta das 7h34 (hora local) ocorreu a cinco quilômetros a leste de San José del Palmar, em Chocó (oeste), e atingiu uma profundidade de 107 quilômetros, conforme informou o Serviço Geológico da Colômbia e dos Estados Unidos em um relatório preliminar. Não foi emitido um alerta de tsunami.
Terremoto sentido em Manaus
O terremoto registrado na Colômbia também foi sentido em localidades de Manaus, no Amazonas. Conforme a Defesa Civil, o Edifício Palácio do Comércio, no centro, precisou ser esvaziado por questões de segurança. Não há registro de feridos.
Segundo o órgão, as inspeções estruturais se concentram principalmente nos bairros Adrianópolis, Aleixo e centro. Edifícios residenciais também foram esvaziados por medidas preventivas.
Lula lamenta terremoto na Colômbia que deixou mortos: ‘Brasil permanece à disposição’
TJ-MT mantém decisão sobre declarações de Márcia na eleição de 2022
Exposição transforma resíduos em arte e propõe reflexão sobre o futuro
Fábio Garcia permanece na mira para vice, mas grupo de Pivetta avalia alternativas
Abilio acusa Michelly de adotar “dois pesos e duas medidas” na avaliação da gestão
GRANDE CUIABÁ
O poder do Visual Merchandising: Paulo Selani traz palestra inédita a Cuiabá
Cuiabá será palco, no dia 9 de outubro, de uma experiência única para quem atua no varejo, na moda...
Sexta tem noite nordestina em Cuiabá; entenda
Na próxima sexta-feira (7), Cuiabá será palco de uma verdadeira celebração da cultura nordestina. O Restaurante do Tião, conhecido por...
Parceria entre Abílio e Mauro Mendes agrada população, diz levantamento
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), começa sua gestão com grande aprovação popular. De acordo com pesquisa da Percent,...
MATO GROSSO
Corpo de Bombeiros divulga resultado da análise de títulos de seletivo para brigadistas temporários
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) divulgou, na noite desta terça-feira (23.6), o resultado das inscrições e...
Após feminicídio, secretária reforça importância de vítimas de violência manterem medidas protetivas
A chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, Mariell Antonini, reforçou a importância das vítimas...
Governador Otaviano Pivetta faz visita técnica na Nova Rota do Oeste
O governador Otaviano Pivetta faz, nesta quarta-feira (24.6), uma visita técnica à sede da Nova Rota do Oeste, em Cuiabá,...
POLÍCIA
Homicídio de jovem de 20 anos leva Polícia Civil a cumprir prisões em três cidades de MT
_As investigações apontam que o homicídio pode estar relacionado à atuação de uma facção criminosa_ A Polícia Civil deflagrou, nesta...
Pai é preso no Dia dos Pais suspeito de matar as próprias filhas de 3 e 5 anos
Um homem de 24 anos foi preso em flagrante na manhã deste domingo (9), Dia dos Pais, suspeito de matar...
Polícia Civil prende quatro suspeitos por roubo de 197 toneladas de soja em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (7), a Operação Entreposto para desarticular um grupo investigado por roubos...
ENTRETENIMENTO
Léo Santana e Lore Improta impressionam com ensaio newborn do filho Levi com Liz
Bianca Andrade e Fred Bruno se unem para curtir dia com o filho em Miami: ‘Familinha’
A influenciadora e empresária Bianca Andrade, de 31 anos, e o apresentador do Globo Esporte Fred Bruno, de 37, voltaram...
Poliana Rocha homenageia cantor Leandro nos 28 anos de sua morte: ‘Parou o Brasil’
Poliana Rocha, esposa do cantor Leonardo, usou as redes sociais nesta segunda-feira (23), para prestar uma homenagem a Leandro, no...
ESPORTES
Inglaterra pressiona, para em Gana e vaga fica para a última rodada
A Inglaterra até tentou, mas não passou pela muralha defensiva de Gana. Pela segunda rodada do Grupo L da Copa...
Portugal atropela Uzbequistão por 5 a 0 e CR7 faz história
A resposta veio em grande estilo. Depois de um início irregular na Copa do Mundo de 2026, Portugal não tomou...
França supera paralisação de duas horas e vence Iraque pela Copa do Mundo
A França está garantida na próxima fase da Copa do Mundo. Na noite desta segunda-feira, no Lincoln Financial Field, na...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
Política MT7 dias agoOperação da PF cumpre 18 mandados e mira familiares de senador do PDT
-
Política MT4 dias agoAgir tem pré-candidato a deputado estadual retido em Uganda durante investigação migratória
-
Polícia7 dias agoOperação Peso Bruto apura extração ilegal de calcário e prejuízo de R$ 3 milhões à União
-
Política MT6 dias agoWilson Santos e esposa entram na mira do Ministério Público por suspeita envolvendo verba indenizatória

