POLÍTICA NACIONAL

CCJ já aprovou voto impresso?

Publicado em

selo_fato_inclinado.pngO Senado Verifica recebeu vários pedidos para analisar a informação de que a Comissão de Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou o voto impresso para as próximas eleições. O assunto tem sido muito replicado em grupos de WhatsApp e nas redes sociais.

Vamos por partes: sobre a votação da proposta, é sim, verdadeira a informação de que a CCJ do Senado aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 112/2021 com emenda prevendo a impressão do voto na urna eletrônica.

O PLP 112/2021 substitui o atual Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) e outras leis, para consolidar toda a legislação eleitoral e partidária. Dentre as mudanças aprovadas na CCJ, estão a manutenção da obrigatoriedade de 30% para candidaturas femininas, a reserva de 20% das cadeiras nas casas legislativas para mulheres e quarentena para “agentes da lei”. Também trata de crimes eleitorais, punições para uso de fake news, propaganda política, financiamento de campanha e prestação de contas dos candidatos.

A possibilidade de a urna eletrônica imprimir o registro do voto para que o eleitor confirme a sua escolha é uma das alterações incluídas no parecer da CCJ. Mas, a medida ainda não tem valor de lei, como algumas postagens dão a entender. O projeto precisa ser votado no Plenário do Senado e depois voltará à Câmara dos Deputados para nova análise. Somente então será transformado em lei.

Além disso, a lei tem que ser publicada até 3 de outubro deste ano para ter validade em 2026, quando serão realizadas as próximas eleições, como determina a Constituição.

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A emenda do senador Esperidião Amin (PP-SC), aceita pela CCJ por 14 votos a 12 — se mantida até o fim da análise de senadores e de deputados—, tornará obrigatório o registro impresso, a ser visualizado na tela da urna eletrônica. Após o eleitor conferir, o voto será automaticamente guardado na urna, não poderá ser manuseado fisicamente. Para o senador Amin, esse é um meio mais seguro de auditoria do processo eletrônico de votação.

Votação no Plenário

Os gabinetes de senadores também estão recebendo muitas mensagens por e-mail e pelo WhatsApp pedindo a aprovação desse projeto esta semana, no Plenário do Senado, mas o projeto não estava na pauta para ser votado. De acordo com o processo legislativo, o último dia para apresentar emendas foi esta quinta-feira (28). A data da votação do PLP 112/2021 ainda dependerá de entendimento entre as lideranças partidárias e a presidência do Senado, que define a agenda de votações.

Há outra questão a ser considerada, como alertou o relator do projeto na CCJ, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), em entrevista coletiva, logo após a aprovação do PLP. É que o voto impresso gera muitas discordâncias. O senador lembrou que o texto é o mesmo aprovado em 2015 no Congresso Nacional e que foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2020.

É importante destacar que o movimento registrado nas redes sociais chama atenção, pois indica uma tentativa de, a partir da aprovação do projeto na comissão, ser passada a ideia de que as urnas eletrônicas podem ser fraudadas — apesar de até hoje não ter sido verificada nenhuma irregularidade — e, dessa forma, ser alimentada a desconfiança no processo eleitoral.

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Em resumo: O PLP 112/2021, que entre outras mudanças inseridas durante a votação na CCJ, prevê a instituição de voto impresso, ainda precisa ser votado pelos senadores no Plenário e depois voltar à Câmara dos Deputados para então ser sancionado.

Para receber informações sobre o andamento da proposta, acesse a página da tramitação da matéria e cadastre-se clicando no botão “Acompanhar a matéria”.

Também é possível opinar sobre o projeto, por meio da Consulta Pública disponível no mesmo link,  que fica aberta enquanto a proposta legislativa está em análise. Além dos dados serem públicos, inclusive para senadores e assessores, as manifestações são comunicadas periodicamente aos gabinetes parlamentares. A votação tem o objetivo de sinalizar a opinião do público que participou da consulta, de modo a contribuir com a formação de opinião de cada parlamentar.

Sobre esse assunto confira também o podcast da Rádio Senado: Senado Verifica: desinformação sobre o voto impresso e as urnas eletrônicas.

Senado Verifica – Fato ou Fake é um serviço da Secretaria de Comunicação Social destinado à checagem da veracidade de informações sobre o Senado Federal para o combate a fake news. Quer checar uma informação sobre o Senado? Envie uma mensagem para: [email protected]. #FakeNewsNão!

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Projeto proíbe abate de jumentos devido ao risco de extinção

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O projeto de lei que proíbe o abate de jumentos em todo o território nacional pode receber emendas de senadoras e senadores até terça-feira (2). O PL 2.613/2026 impede o abate do jumento (Equus asinus), exceto em casos de abate sanitário motivado por doenças infectocontagiosas. Após acabar o prazo de emendas, a Mesa do Senado despachará o projeto para as comissões pertinentes à matéria.

A proposta teve origem em uma sugestão legislativa, a SUG 9/2025, que foi apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal por meio do Portal e-Cidadania

Ao ser analisada na Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), a sugestão recebeu parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES), sendo então transformada em projeto de lei.

Para Contarato, a proposta atende à necessidade de se proteger um animal historicamente ligado ao desenvolvimento do país e reconhecido como patrimônio cultural.

“Além de preservar a espécie frente ao risco iminente de extinção, a medida promove o bem-estar animal e mitiga sérios riscos sanitários causados pelas condições precárias de transporte e abate. Trata-se de uma iniciativa que reflete o compromisso com valores éticos, a saúde pública e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, sem acarretar prejuízos significativos à economia nacional”, afirma Contarato em seu parecer.

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Patrimônio brasileiro

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal argumenta que a forma como o jumento abatido é transportado e comercializado coloca em risco a biossegurança e, consequentemente, a própria imagem do agronegócio brasileiro — que, ressalta a entidade, é respeitado pelos elevados padrões sanitários e de controle de zoonoses.

A entidade lembra que os jumentos — também conhecidos como asnos, jegues ou jericos — foram trazidos da África para o Brasil há centenas de anos e, por serem dóceis e resistentes, ajudaram no desenvolvimento brasileiro carregando água, alimentos, materiais de construção e pessoas.

Com o passar do tempo, destaca o fórum, o jumento virou símbolo da “luta, da força e da resistência do sertanejo”, recebendo homenagens de artistas como Luiz Gonzaga e Chico Buarque e se tornando “verdadeiro patrimônio histórico e cultural”.

Ainda de acordo com o fórum, há anos os jumentos são capturados ou comprados, transportados por longos trajetos, confinados em fazendas sem biossegurança e com rastreabilidade quase inexistente. Depois, são abatidos para exportação de sua pele para a China, onde ela é usada para produzir o ejiao — que teria “propriedades medicinais não comprovadas cientificamente”. A entidade também informa que a carne do jumento é exportada para o Vietnã ou eventualmente consumida no Brasil (como charque ou jabá).

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Se o abate continuar, argumenta o fórum, os jumentos podem se extinguir em poucos anos. 

Biossegurança

Os autores da sugestão também afirmam que “a rastreabilidade precária e frequentemente inexistente dentro do comércio de pele de jumento” deixa o Brasil vulnerável aos riscos de biossegurança, que podem afetar as pessoas e outros equídeos (como os cavalos), facilitando a propagação de doenças como o mormo (zoonose com 95% de letalidade em humanos).

Por essas razões, o fórum defende a proibição imediata do abate — para proteger o valor histórico-cultural da espécie, evitar sua extinção, preservar a saúde pública, preservar o agronegócio e evitar “escândalos sanitários”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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