Mato Grosso

“Temos que mudar a educação de nossos jovens para combater a violência contra a mulher”, alerta delegada

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A delegada Mariell Antonini, que lidera a Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher da Polícia Civil, alertou para a necessidade de mudança na educação dos jovens e crianças para combater a violência contra a mulher e os feminicídios no Estado.

“Não adianta eu colocar uma viatura na porta de casa de cada mulher. A violência está acontecendo dentro de casa, e nós temos que levar informação e mudar a educação dos nossos jovens desde pequenos. Tudo que a criança vive na infância vai reproduzir na vida adulta”, destacou para o Jornal da Nova, da Rádio Nova FM, nesta sexta-feira (26.8).

Segundo a delegada, as mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso foram as que mais tiveram dificuldade de romper o ciclo da violência. Até o momento, o Estado registrou 34 mortes e realizou o atendimento de mais de 11 mil mulheres, que já foram vítimas de violência. “Mas esse número não coincide com a realidade. Temos muito mais mulheres sofrendo caladas em casa”, disse.

Mariell explicou que ao romper o ciclo de violência e denunciar o agressor, as mulheres são incluídas numa rede de proteção e têm acesso a uma série de serviços.

“Elas são incluídas em grupo psicológico, são acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha e contam com o aplicativo SOS Mulher. Os homens também são monitorados por tornozeleira eletrônica e participam de grupos reflexivos. Muitos falam que medida protetiva é só uma folha de papel, mas isso não é a realidade. Quando uma mulher busca uma delegacia e se mantém firme nessa decisão de romper o ciclo de violência, ela é incluída nessa série de serviços e esse caso dificilmente evolui para um feminicídio”, apontou.

As mulheres vítimas de violência, que estejam em situação de vulnerabilidade socioeconômica, podem também conseguir acesso a o auxílio moradia de R$ 600 por mês, pelo programa SER Família Mulher, que também encaminha para outros serviços públicos nas áreas de saúde, educação, habitação e qualificação profissional.

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De acordo com Mariell, uma mulher, vítima de violência doméstica, pode demorar até dez anos para buscar ajuda.

“São fatores complexos que levam essa mulher a permanecer no ciclo de violência. Se eu sofrer qualquer crime, um roubo por exemplo, eu vou ser a vítima mais colaborativa porque eu quero a responsabilização desse autor e que ele seja imediatamente preso. Eu não tenho qualquer vínculo afetivo, não conheço essa pessoa. É totalmente diferente das vítimas de violência doméstica, que tem um vínculo afetivo, uma dependência emocional. Muitas têm dependência econômica, medo de enfrentar sozinha a criação dos filhos, medo do julgamento e do preconceito. A violência doméstica e familiar é diferente de qualquer outro crime por essas complexidades”, explicou.

Alertas

A delegada Mariell também alertou as mulheres para os primeiros sinais de violência. “O relacionamento violento não começa no primeiro encontro. Ele começa a mil maravilhas, um mar de rosas, e aí começa o controle e a demonstração de ciúmes. É importante buscar ajuda nesses primeiros sinais”, destacou.

Algumas formas de controle citadas pela delegada incluem ordens para não se maquiar ou usar determinados tipos de roupas, como um batom vermelho e uma saia curta; proibir de ver amigos e parentes ou até pedidos frequentes para verificar o celular.

“São todos atos que, em um primeiro momento, as pessoas tendem a romantizar. Acham que é um ato de amor, que é bonito ser cuidado, mas não é na realidade. É um ato de controle e de dominação que vai evoluir para xingamentos, ameaça e agressão. Nós temos que formar pessoas com bons conceitos, para que toda relação tem que ser sadia”, destacou.

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Mariell também fez um alerta para amigos e familiares que observam a violência de uma mulher. “Temos todos que compreender que o enfrentamento a violência doméstica não é papel só do Estado; é de todos. Então, os amigos e familiares que cercam essa mulher podem buscar ajuda, fazer uma denúncia anônima, ninguém vai saber que você buscou ajuda. O seu comportamento pode evitar que a mulher sofra um feminicídio”, ressaltou.

Onde buscar ajuda?

São vários mecanismos que a mulher pode buscar ajuda e romper o ciclo da violência, segundo a delegada Mariell. As delegacias, incluindo as especializadas em defesa contra a mulher e as municipais, são a porta de entrada para o registro de casos de forma presencial.

Mariell também conta que a mulher também pode registrar, de casa, um boletim de ocorrência e solicitar uma medida protetiva diretamente pelo celular ou computador, por meio da Delegacia Digital – clique aqui para acessar.

Também está disponível o aplicativo SOS Mulher, que permite acesso a um botão do pânico virtual e um meio rápido de pedir ajuda das forças policiais em situação de risco. O aplicativo está disponível na versão Android e IOS.

Ainda é possível também realizar denúncias, incluindo de forma anônima, pelos números 180, 190 e 197.

“Essas denúncias chegarão a delegacia e teremos condições de tomar uma providência para ajudar essa mulher”, conclui.

Fonte: Governo MT – MT

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Mato Grosso

Bombeiros resgatam mulher com vida após vários dias perdida em área de mata

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O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) localizou com vida, nesta sexta-feira (1º.5), uma mulher de 37 anos que estava desaparecida na região da Terra Indígena Sararé, no município de Pontes e Lacerda (a 444 km de Cuiabá).

As buscas foram conduzidas pelas equipes da 8ª Companhia Independente Bombeiro Militar (8ª CIBM) e tiveram início no dia 28 de abril, quando um familiar comunicou o desaparecimento da mulher. As informações repassadas indicavam que ela estaria perdida na mata desde o dia 25, após se separar da irmã, com quem estava acompanhada. Ela não foi vista desde então.

Para a operação de busca, foram empenhadas equipes terrestres e um binômio cinotécnico (condutor e cão de busca), capaz de localizar pessoas mesmo em áreas de difícil acesso, além do apoio da Força Nacional, que utilizou um drone equipado com sensor térmico para auxiliar no trabalho, e de voluntários.

Durante a operação, as equipes enfrentaram grande dificuldade devido à mata fechada, ao relevo irregular e à presença de morros, cânions com cursos d’água ativos, várias quedas d’água e trechos bastante úmidos e escorregadios. Mesmo diante das condições adversas, as equipes mantiveram as buscas de forma contínua até localizar a mulher em um local de difícil acesso.

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A vítima estava viva, porém debilitada e com dificuldade de locomoção. Após localizá-la, imediatamente, os bombeiros realizaram o atendimento pré-hospitalar inicial, incluindo avaliação, estabilização e preparação para a retirada da mata. A mulher foi acondicionada em maca tipo envelope, garantindo sua estabilidade durante o transporte terrestre até a viatura dos bombeiros.

Devido ao terreno íngreme, os bombeiros precisaram utilizar técnicas de salvamento em altura, com instalação de sistemas de ancoragem e cabos de sustentação, para assegurar a segurança da equipe e da vítima durante todo o percurso terrestre. O resgate durou aproximadamente 4 horas e 20 minutos, em razão da vegetação densa, do relevo acidentado e à necessidade de atravessar cursos d’água.

Após o resgate, a vítima foi encaminhada a uma unidade hospitalar para receber os cuidados médicos.

Fonte: Governo MT – MT

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