POLÍTICA NACIONAL
Marco do licenciamento ambiental é aprovado na CMA
Publicado em
20 de maio de 2025por
Da Redação
A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou nesta terça-feira (20) o projeto da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/2021). O texto, que abarca normas gerais e diretrizes, pretende uniformizar os procedimentos para emissão de licença ambiental em todo o país e simplificar a concessão de licenças para os empreendimentos de menor impacto. O projeto agora será analisado na Comissão de Agricultura (CRA) e, em seguida, será enviado para votação no Plenário do Senado.
A bancada do PT e a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) registraram voto contrário à matéria, que foi aprovada em votação simbólica.
Presidente da CMA, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) chamou atenção para “a complexidade e a gravidade” da questão.
— Nós sabemos que o direito ao meio ambiente, que é um direito constitucional previsto no artigo 225, de que todos temos direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, é um direito da sociedade brasileira. E quem é o guardião desse direito? É o Estado brasileiro. E uma das formas de o Estado brasileiro efetivar e proteger esse direito constitucional é o licenciamento ambiental — expôs Fabiano.
Relator da matéria na CMA, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) fez inicialmente a complementação de seu relatório, que havia sido lido no dia 7 de maio. Ainda na manhã desta terça-feira, a proposta recebeu novas emendas, aumentando o total para 121.
De acordo com Confúcio Moura, o texto aprovado partiu de 70 a 80 divergências iniciais do parecer da senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora da matéria na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), e chegou a poucos itens que deverão ser destacados em Plenário.
— Não ficou nem tanto ao mar nem tanto à terra. Ficou o que foi possível; o possível. (…) Essa lei geral visa regulamentar o artigo 225 da Constituição. A gente vem navegando neste tempo todo com centenas de legislações paralelas — disse o relator.
Ao defender a proposta, Tereza Cristina lembrou que o texto foi discutido por um ano e meio com o governo e a sociedade. A parlamentar declarou que o “Senado vai dar um fim ao cipoal legislativo” composto por leis que, segundo ela, confundem e paralisam os processos. Além disso, a senadora argumentou que, muitas vezes, essas leis sobrepõem competências de União, estados e municípios, causando insegurança jurídica.
— É claro que o meio ambiente precisa de ser preservado, mas a lei que nós estamos discutindo não revoga nenhuma punição por crime ambiental. Nenhuma. Muito pelo contrário, até dobra a pena para quem insistir em realizar atividades sem licenciamento. Crime ambiental continuará sendo crime. Essa lei não modifica isso. A lei não fragiliza o licenciamento. As atividades poluidoras de alto impacto continuarão a ter de passar por uma série de exigências — enfatizou a senadora.
Voto contrário
Entre os que se opõem à proposta, a senadora Eliziane Gama foi a primeira a manifestar voto contrário na reunião desta terça-feira. Ela declarou que “esta legislação [do marco do licenciamento ambiental] será fatalmente barrada no Supremo Tribunal Federal por vício de inconstitucionalidade”. Sua posição foi acompanhada pelo senador Beto Fato (PT-PA).
— Nós estamos aprovando aqui [na CMA] um conjunto infraconstitucional sobre o qual já existe decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal [STF]. Nós já temos decisão sobre quatro ações diretas de inconstitucionalidade no STF, com decisão proferida pela inconstitucionalidade. Ou seja, o que nós temos aqui, com a aprovação desta proposta, se ela for finalizada pelo Congresso Nacional, é que fatalmente nós teremos várias outras ações no STF que poderão derrubar este projeto de lei que nós estamos a aprovar — protestou Eliziane.
Para a senadora, o projeto de lei abre brechas “gigantes” que podem permitir que tragédias como a de Brumadinho (MG) — ocorrido em 2019, quando houve o rompimento de uma barragem e cerca de 270 pessoas perderam a vida — voltem a acontecer.
— Se nós não considerarmos todo o processo ambiental, o licenciamento ambiental como tem de ser, nós poderemos, em função de um lucro, em função de uma competitividade, infelizmente, ceifar novas vidas — alertou ela.
Fabiano Contarato citou questões que considera importantes, entre elas o que chamou de “enfraquecimento” do Sisnama [Sistema Nacional do Meio Ambiente], que organiza a gestão ambiental no país.
— Com o esse enfraquecimento do Sisnama vai haver uma verdadeira guerra ambiental entre estados e municípios, porque, se você autoriza apenas o Executivo a dizer, sem a participação da sociedade civil, ali, efetivamente, que determinado município vai ser flexível e outros não, nós vamos ter uma guerra ambiental no Brasil com as suas peculiaridades e suas diferenças — ponderou o presidente da CMA.
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também concordou com a posição apresentado pela senadora Eliziane e pelo Ministério do Meio Ambiente e do Clima — de que há questões inconstitucionais. Segundo ele, “o governo ainda não está com uma posição definitiva”, porque o texto ainda será examinado na CRA e no Plenário do Senado, retornado depois à Câmara dos Deputados.
Jaques Wagner reconheceu que houve avanços nas negociações, mas avalia que ainda há questões divergentes que serão discutidas durante a tramitação restante do projeto. Ele declarou, por exemplo, que desconsiderar a posição de órgãos técnicos, como a Funai, “é fragilizar demais o processo”.
Licença por adesão
Vários senadores manifestaram preocupação com a questão da licença por adesão e compromisso (LAC). Autodeclaratória, essa licença já existe em âmbito estadual, e o projeto em análise no Senado prevê essa licença pela primeira vez em norma federal.
De acordo com o texto aprovado na CMA, a LAC caberá apenas nas atividades ou nos empreendimentos qualificados e de pequeno ou médio porte e baixo ou médio potencial poluidor.
— Quem começou a LAC no Brasil fui eu, quando era governador. Só que lá a gente faz só para baixo impacto. A proposta aqui fala de baixo e médio impacto e risco. Se você vai construir uma barragem, como é que não faz um EIA/Rima [Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental], um licenciamento ambiental? E ela [a barragem] é tida como de porte médio. Eu acho um risco — expôs Jaques Wagner.
Fabiano Contarato enfatizou que o Supremo Tribunal Federal já declarou que a LAC só é possível nas atividades de pequeno impacto e baixo impacto.
— Se o Poder Judiciário for provocado para dizer o direito, (…) e a autorização do licenciamento por adesão ou compromisso está ofendendo a Constituição Federal, vai ser declarada a inconstitucionalidade. É simples dessa forma — ressaltou o presidente da CMA, lembrando que o artigo 225 da Constituição prevê que todos têm o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Por sua vez, Tereza Cristina salientou que as LACs já existem em vários estados e não são uma “jabuticaba desse projeto”.
— O licenciamento é importante sobretudo para as cidades. No campo, nós temos o Código Florestal, que é uma lei rígida que demorou dez anos nesta Casa sendo discutida até ser aprovada, e que se mantém. Não há liberação de desmatamento de vegetação nativa neste projeto, nem para pecuária intensiva de grande porte — ressaltou ela.
Apoio
Entre os senadores que apoiam o projeto está Jayme Campos (União-MT). Durante a reunião da CMA, ele afirmou que o Brasil sofre uma “agonia profunda” por falta de segurança jurídica diante do emaranho de leis ambientais.
— Esse projeto foi discutido amplamente lá na Câmara. Não tem nada para prejudicar. Estamos dando a possibilidade de que este país ande para frente e se desenvolva de forma sustentável — argumentou Jayme Campos.
Outro defensor da proposta é o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS). Segundo ele, “nenhum país do mundo tem hoje a legislação que existe no Brasil” nessa área.
— O Brasil precisa de desenvolvimento; precisamos do licenciamento ambiental. O país está parado, está travado — disse Heinze.
Também manifestaram apoio ao projeto os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Zequinha Marinho (Podemos-PA), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Jorge Seif (PL-SC) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Justiça suspende direitos políticos de Garotinho: entenda a decisão
Published
16 horas agoon
11 de agosto de 2026By
ana barros
A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira (10), que o candidato ao governo do estado, Anthony Garotinho (Republicanos), deve cumprir uma sentença por improbidade administrativa. A decisão, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, manda comunicar a suspensão dos direitos políticos dele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). O principal efeito dessa medida é a inelegibilidade, que será analisada pelos tribunais eleitorais.
- Garotinho foi condenado por desvio de R$ 234 milhões na Saúde, quando era secretário do governo de sua esposa, Rosinha.
- O Ministério Público Estadual pediu a execução da pena após o fim dos recursos, tornando a condenação definitiva.
- A defesa do ex-governador afirma que a suspensão dos direitos políticos já terminou e que ele pode concorrer.
- Garotinho continua com a candidatura e critica a decisão, dizendo que é apenas um pedido, não uma decisão final.
- A Justiça Eleitoral será a responsável por decidir se o registro da candidatura de Garotinho será aceito.
Essa medida atende a um pedido do Ministério Público feito no último dia 6. O órgão afirmou que os recursos apresentados por Garotinho nos tribunais superiores acabaram e que não havia mais nenhuma decisão suspendendo os efeitos da sentença. Com isso, a pena se tornou definitiva e deve ser cumprida. O ex-governador, que governou o Rio entre 1999 e 2002, foi condenado em 2018 por desvios de R$ 234 milhões na área da Saúde, quando era secretário de Governo de sua própria mulher, Rosinha.
Na época, a defesa de Garotinho recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que as provas eram ilegais. Em uma decisão temporária, o ministro Cristiano Zanin suspendeu os efeitos da condenação sobre a inelegibilidade, devolvendo os direitos políticos do ex-governador enquanto o processo era analisado. Porém, após essa nova determinação, a defesa reforçou que a suspensão dos direitos políticos terminou em 1º de agosto de 2026.
Veja a nota na íntegra:
“A defesa de Anthony Garotinho contesta, com veemência, a decisão proferida em 10 de agosto de 2026, pelo Juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública da Capital, que determinou a comunicação da suspensão dos direitos políticos ao TRE-RJ e ao TSE.
Aquele r. Juízo foi informado por nós, em defesa, que o título condenatório transitou em julgado, juridicamente, em 1º de agosto de 2018. Os recursos seguintes foram inadmitidos por intempestividade, de modo que as decisões posteriores dos Tribunais Superiores possuem natureza meramente declaratória e efeitos anteriores (ex tunc), conforme pacífica orientação do Supremo, do STJ e do próprio Tribunal Superior Eleitoral. A suspensão dos direitos políticos, portanto, se exauriu em 1º de agosto de 2026.
Conforme informado por nós, àquele Juízo, repita-se, a certidão formal de trânsito em julgado não cria o marco temporal; apenas o documenta. Sendo assim persistir na execução de uma pena já exaurida viola o art. 20 da Lei de Improbidade, viola a segurança jurídica e também viola a própria limitação temporal fixada no título.
A defesa assim reitera sua convicção de que o sr. Anthony Garotinho está em pleno gozo dos seus direitos políticos, circunstância esta que certamente será reconhecida quando da apreciação do registro de sua candidatura ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, pela Justiça Eleitoral do Brasil”.
O processo tramita em segredo de Justiça.
Garotinho garante candidatura
Nas redes sociais, Garotinho garantiu sua candidatura ao governo do estado e criticou o pedido da Justiça. “O que foi pedido pelo juiz de uma Vara da Fazenda Pública não significa que foi decidido. Uma coisa é um pedido, outra é uma decisão. Vamos deixar bem claro e pontuar aqui todas as questões que envolvem essa situação. Primeiro, a estranheza de um fato ocorrido em 2005 vir à tona agora. Segundo, lamentar que algumas autoridades se prestem a determinado tipo de situação, como se fossem cabos eleitorais de candidatos”, disse.
O ex-governador frisou que ficou inelegível até 2018, a pedido do Ministério Público, mas afirmou estar dentro da lei. “O próprio MPRJ pediu a impugnação da minha candidatura e juntou um documento dizendo que eu estava inelegível até 2018. Qualquer decisão diferente disso vai contra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e contra o que escreveu o próprio MPRJ. Esse fato me causou bastante perplexidade porque as pessoas estão dando um pedido como se fosse uma decisão. Mas pedir qualquer um pode. Quem decide se o registro é ou não apto, se o candidato pode ou não disputar a eleição, não é um juiz de Fazenda Pública, é a Justiça Eleitoral”, destacou.
Garotinho ainda criticou os candidatos Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). “Eu até entendo o desespero de alguns articulistas e jornalistas. Afinal de contas, eu não sou o candidato deles ou do sistema. Um fez um papelão no debate, fingindo que não era o candidato do governo. Se negava a dizer que era candidato do Castro, embora tenha sido, durante um grande período, secretário do Castro. E o outro fugiu, o fugitivo. Então, essa notícia não tem o menor fundamento. Eu estou entrando com o registro da minha candidatura hoje e não haverá nenhum problema para que eu possa disputar a eleição”, afirmou.
O candidato também negou as acusações de improbidade administrativa, disse que é inocente e acusou os adversários de estarem com medo da concorrência. “Estão com muito medo da minha candidatura. Os senhores sabem que, além da minha vida como repórter, eu denunciei muita gente importante, políticos, empresários, muitos políticos envolvidos com organização criminosa. As instituições estão contaminadas em parte, não em toda. Não há nada que impeça minha candidatura. Estou enfrentando candidatos envolvidos com organização criminosa (…) Não existe possibilidade de o meu registro ser negado. Eu não fiz nada do que está escrito ali, mas, se tivesse feito, isso teria terminado em 2018. Nada vai impedir minha candidatura. Estou dentro da lei”, reforçou.
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