POLÍTICA NACIONAL

Presidente do Sindnapi permanece calado em depoimento à CPMI do INSS

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O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Milton Baptista de Souza Filho, não respondeu a nenhuma das perguntas feitas nesta quinta-feira (9) por senadores e deputados federais na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Milton não explicou a movimentação de R$ 1,2 bilhão pela entidade, que é vinculada à Força Sindical. Também não falou nada sobre o envolvimento de pessoas apontadas no caso, nem mesmo sobre o rápido aumento dos descontos em aposentadorias e pensões.

O depoente compareceu à reunião com um habeas corpus, concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, para não ser obrigado a responder aos questionamentos dos parlamentares.

Ele alegou que não teria condições psicológicas de responder aos parlamentares em razão da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, e que teve o Sindnapi como alvo.

No início da sessão, o relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) fez uma série de perguntas ao depoente, mas ficou sem respostas. Gaspar disse que o Sindnapi foi a terceira entidade que mais recebeu dinheiro no esquema de fraudes no INSS: aproximadamente R$ 600 milhões nos últimos 11 anos, segundo o deputado. De acordo com o relator, os beneficiários buscavam empréstimos consignados e eram automaticamente filiados ao Sindnapi, que passava a descontar deles as mensalidades, sem autorização.

“Organização criminosa”

Para Gaspar, “não resta a menor dúvida” de que o caso envolve uma organização criminosa.

— Não é por menos que a Polícia Federal hoje [quinta-feira] amanheceu no Sindnapi. Já deveria ter feito isso há um ano. Mas antes tarde do que nunca. A CPMI está colocando holofotes nessas transações completamente criminosas, com dinheiro do povo brasileiro, prejudicando aposentados e pensionistas que não mereciam ser vitimas de crimes dessa natureza.

O deputado também afirmou que há indícios de envolvimento de familiares dos dirigentes do Sindnapi nos descontos irregulares.

— Há muitos pagamentos no próprio eixo familiar do atual presidente do Sindnapi e do ex-presidente do sindicato, o que demonstra indício fortíssimo de desvio de recursos. Além disso, há um fluxo de dinheiro totalmente desproporcional à atividade do sindicato [relacionado] a uma corretora de empréstimo consignado. E há mais de 200 mil denúncias de supostos associados dizendo que nunca deram autorização para que houvesse descontos associativos no sindicato, de acordo com a própria CGU [Controladoria-Geral da União].

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Frei Chico

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou mais cedo que colocará em votação na próxima quinta-feira (16) os requerimentos de convocação de José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Gaspar declarou que a possibilidade de ouvir Frei Chico “não foi uma escolha do relator”, mas um “caminho natural” nas investigações.

— O presidente do Sindnapi calou a verdade. Na hierarquia, a segunda pessoa [no sindicato] é o Frei Chico. Se ele [Milton] tivesse aqui esclarecido os fatos, possivelmente não teríamos essa necessidade, mas ele optou por calar. Então, a segunda pessoa na hierarquia que pode esclarecer os fatos é o Frei Chico – disse o deputado.

Em um dos raros momentos em que se manifestou — em resposta ao deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e contrariando seu próprio advogado —, Milton afirmou que Frei Chico “nunca teve função administrativa ou financeira no sindicato, nunca teve papel administrativo, só político, de representação sindical, nada mais do que isso, e não precisei em nenhum momento solicitar a ele que abrisse qualquer porta do governo”.

Porém, quando o senador Sérgio Moro (União-PR) indagou qual é a remuneração de Frei Chico no Sindnapi, Milton permaneceu em silêncio. Moro afirmou que o Sindnapi recebeu R$ 599 milhões de benefícios descontados de aposentados e pensionistas, e que 247 mil associados já pediram restituição dos descontos.

— Houve um crescimento da arrecadação dos descontos em 2023 e 2024. A falta de resposta [do depoente] gera uma sombra e uma suspeita enorme sobre Frei Chico e o Sindnapi — afirmou Moro.

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) defendeu Frei Chico. Ela disse que o vice-presidente do Sindnapi “é um homem integro, que tem uma trajetória franciscana, desprovida do patrimonialismo, que lutou contra a ditadura militar e que apoia o aprofundamento das investigações por parte da CPMI”.

Defesa semelhante foi feita pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). Ele declarou que Frei Chico “nunca acumulou riquezas, não tem posses, é humilde, simples e deveria servir de orgulho para qualquer um aqui”.

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Seletividade

O senador Izalci Lucas (PL-DF), por sua vez, apontou seletividade por parte da Controladoria-Geral da União (CGU), já que o Sindnapi e a Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag) ainda não foram investigadas. Ele também apontou “influência política” na cobrança dos descontos e disse que Frei Chico agia como uma espécie de “relações públicas, de relações comerciais” em todo o processo.

O senador Jorge Seif (PL-SC) lamentou que Milton tenha obtido um habeas corpus “para omitir respostas, desviar-se da verdade e tratar o Parlamento brasileiro como mera plateia”. Ele declarou que “já está comprovado pela Polícia Federal que quem lesou aposentados e pensionistas mais pobres hoje está blindado pelos tribunais superiores”.

Por outro lado, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) apontou a omissão do governo Bolsonaro diante das denúncias sobre o INSS. Contarato pediu que a relatoria da CPMI não seja “seletiva” e defendeu a criminalização de todos os responsáveis pelas práticas criminosas, independentemente da sua filiação partidária.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), argumentou que “empresas familiares recepcionaram e lavaram recursos”.

— A Previdência foi invadida por quadrilhas organizadas por sindicatos de trabalhadores e também por picaretas. Temos um conluio que buscou se locupletar. Pessoas que ocuparam postos relevantes se associaram com aqueles que operaram o sistema — enfatizou o líder da oposição.

Marinho também afirmou que é preciso normatizar o direito de oposição aos descontos. No entanto, ressaltou ele, “o governo do PT quer impedir que isso aconteça porque quer continuar financiando esse desconto sindical”.

Prisão preventiva

Durante a sessão, o presidente da CPMI, Carlos Viana, informou que reforçou, durante encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, o pedido de prisão preventiva do advogado Nelson Wilians.

Caso a prisão não seja decretada, Viana sugeriu ao STF que retenha o passaporte de Nelson Wilians e proíba o contato do advogado com outros envolvidos nas investigações.

O presidente da CPMI também pediu a André Mendonça que reveja o habeas corpus que permitiu ao empresário Maurício Camisotti não ser ouvido na comissão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Justiça suspende direitos políticos de Garotinho: entenda a decisão

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A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira (10), que o candidato ao governo do estado, Anthony Garotinho (Republicanos), deve cumprir uma sentença por improbidade administrativa. A decisão, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, manda comunicar a suspensão dos direitos políticos dele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). O principal efeito dessa medida é a inelegibilidade, que será analisada pelos tribunais eleitorais.

  • Garotinho foi condenado por desvio de R$ 234 milhões na Saúde, quando era secretário do governo de sua esposa, Rosinha.
  • O Ministério Público Estadual pediu a execução da pena após o fim dos recursos, tornando a condenação definitiva.
  • A defesa do ex-governador afirma que a suspensão dos direitos políticos já terminou e que ele pode concorrer.
  • Garotinho continua com a candidatura e critica a decisão, dizendo que é apenas um pedido, não uma decisão final.
  • A Justiça Eleitoral será a responsável por decidir se o registro da candidatura de Garotinho será aceito.

Essa medida atende a um pedido do Ministério Público feito no último dia 6. O órgão afirmou que os recursos apresentados por Garotinho nos tribunais superiores acabaram e que não havia mais nenhuma decisão suspendendo os efeitos da sentença. Com isso, a pena se tornou definitiva e deve ser cumprida. O ex-governador, que governou o Rio entre 1999 e 2002, foi condenado em 2018 por desvios de R$ 234 milhões na área da Saúde, quando era secretário de Governo de sua própria mulher, Rosinha.

Na época, a defesa de Garotinho recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que as provas eram ilegais. Em uma decisão temporária, o ministro Cristiano Zanin suspendeu os efeitos da condenação sobre a inelegibilidade, devolvendo os direitos políticos do ex-governador enquanto o processo era analisado. Porém, após essa nova determinação, a defesa reforçou que a suspensão dos direitos políticos terminou em 1º de agosto de 2026.

Veja a nota na íntegra:

“A defesa de Anthony Garotinho contesta, com veemência, a decisão proferida em 10 de agosto de 2026, pelo Juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública da Capital, que determinou a comunicação da suspensão dos direitos políticos ao TRE-RJ e ao TSE.

Aquele r. Juízo foi informado por nós, em defesa, que o título condenatório transitou em julgado, juridicamente, em 1º de agosto de 2018. Os recursos seguintes foram inadmitidos por intempestividade, de modo que as decisões posteriores dos Tribunais Superiores possuem natureza meramente declaratória e efeitos anteriores (ex tunc), conforme pacífica orientação do Supremo, do STJ e do próprio Tribunal Superior Eleitoral. A suspensão dos direitos políticos, portanto, se exauriu em 1º de agosto de 2026.

Conforme informado por nós, àquele Juízo, repita-se, a certidão formal de trânsito em julgado não cria o marco temporal; apenas o documenta. Sendo assim persistir na execução de uma pena já exaurida viola o art. 20 da Lei de Improbidade, viola a segurança jurídica e também viola a própria limitação temporal fixada no título.

A defesa assim reitera sua convicção de que o sr. Anthony Garotinho está em pleno gozo dos seus direitos políticos, circunstância esta que certamente será reconhecida quando da apreciação do registro de sua candidatura ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, pela Justiça Eleitoral do Brasil”.

O processo tramita em segredo de Justiça.

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Garotinho garante candidatura

Nas redes sociais, Garotinho garantiu sua candidatura ao governo do estado e criticou o pedido da Justiça. “O que foi pedido pelo juiz de uma Vara da Fazenda Pública não significa que foi decidido. Uma coisa é um pedido, outra é uma decisão. Vamos deixar bem claro e pontuar aqui todas as questões que envolvem essa situação. Primeiro, a estranheza de um fato ocorrido em 2005 vir à tona agora. Segundo, lamentar que algumas autoridades se prestem a determinado tipo de situação, como se fossem cabos eleitorais de candidatos”, disse.

O ex-governador frisou que ficou inelegível até 2018, a pedido do Ministério Público, mas afirmou estar dentro da lei. “O próprio MPRJ pediu a impugnação da minha candidatura e juntou um documento dizendo que eu estava inelegível até 2018. Qualquer decisão diferente disso vai contra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e contra o que escreveu o próprio MPRJ. Esse fato me causou bastante perplexidade porque as pessoas estão dando um pedido como se fosse uma decisão. Mas pedir qualquer um pode. Quem decide se o registro é ou não apto, se o candidato pode ou não disputar a eleição, não é um juiz de Fazenda Pública, é a Justiça Eleitoral”, destacou.

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Garotinho ainda criticou os candidatos Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). “Eu até entendo o desespero de alguns articulistas e jornalistas. Afinal de contas, eu não sou o candidato deles ou do sistema. Um fez um papelão no debate, fingindo que não era o candidato do governo. Se negava a dizer que era candidato do Castro, embora tenha sido, durante um grande período, secretário do Castro. E o outro fugiu, o fugitivo. Então, essa notícia não tem o menor fundamento. Eu estou entrando com o registro da minha candidatura hoje e não haverá nenhum problema para que eu possa disputar a eleição”, afirmou.

O candidato também negou as acusações de improbidade administrativa, disse que é inocente e acusou os adversários de estarem com medo da concorrência. “Estão com muito medo da minha candidatura. Os senhores sabem que, além da minha vida como repórter, eu denunciei muita gente importante, políticos, empresários, muitos políticos envolvidos com organização criminosa. As instituições estão contaminadas em parte, não em toda. Não há nada que impeça minha candidatura. Estou enfrentando candidatos envolvidos com organização criminosa (…) Não existe possibilidade de o meu registro ser negado. Eu não fiz nada do que está escrito ali, mas, se tivesse feito, isso teria terminado em 2018. Nada vai impedir minha candidatura. Estou dentro da lei”, reforçou.

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