POLÍTICA NACIONAL

Poderes devem se unir para proteger crianças indígenas, aponta debate na CDH

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A necessidade de união dos três Poderes da República para proteger as crianças e adolescentes indígenas foi uma das conclusões de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta quinta-feira (16). O debate enfatizou problemas enfrentados por essa população, a exemplo de falta de acesso à educação e saúde, ausência de documentos pessoais como a certidão de nascimento, além da exploração sexual que persiste em garimpos.

Autora do requerimento para a audiência, a presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), pontuou que  crianças e adolescentes indígenas sofrem diversos outros tipos de dificuldades, incluindo casos de bullying e preconceito. Ela cobrou o enfrentamento da situação pelos órgãos públicos e disse que a infância, em seu inteiro teor, precisa de um olhar especial das autoridades.

— Essa agenda convoca o Estado brasileiro a enfrentar desigualdades persistentes e a assegurar que a infância indígena seja protegida com respeito à identidade, ao território, à cultura e às formas próprias de organização social dos povos originários.

Exploração sexual

Coordenadora do Grupo de Trabalho Povos Indígenas da Defensoria Pública da União (DPU), a a defensora Diana Freitas de Andrade apontou problemas graves enfrentados pelas crianças e adolescentes indígenas, a exemplo da falta de acesso a documentos, como a certidão de nascimento, e violações de direitos quanto ao ensino. De acordo com ela, muitas crianças indígenas são matriculadas em escolas sem professores bilíngues que consigam se comunicar em seu idioma materno.

Outro desafio mencionado por Diana são as denúncias reiteradas de exploração sexual nos garimpos. Segundo ela, há omissões do Estado e ausência de fiscalizações efetivas do poder público nos territórios indígenas, além de falta de acolhimento adequado para as famílias.

— O abuso sexual é a pior forma de trabalho infantil. Há crianças sendo exploradas sexualmente em troca de alimentos e mercadorias, em violações que representam um grave e direto desrespeito ao que diz a nossa Constituição.

O defensor público Eduardo Valadares de Brito afirmou que violações de direitos humanos na temática indígena são históricas. Segundo ele, até mesmo ao relatarem as violações de seus direitos junto à DPU, muitas lideranças indígenas “olham para o Estado com desconfiança”.

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Ao reforçar que especialmente as crianças indígenas sofrem uma “superposição de violações de direitos”, Brito considerou que o quadro precisa ser exposto “em alto e bom som” para toda a sociedade brasileira.

— São violações sanitárias, culturais e estruturais. Por sua própria natureza, as crianças são muito mais vulneráveis do que os adultos e, nesse contexto, temos no DPU diversas atuações em nome de diversas etnias. A gente tem um histórico de não cumprimento de deveres, inclusive morais, com os nossos povos originários, então o nosso dever de reparação é também histórico.

Mês especial

Damares ressaltou que a concentração de discussões sobre direitos dos indígenas ocorre em abril, por ser um mês de maior atividade sobre o tema no Congresso Nacional, em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado no dia 19. A senadora manifestou preocupação com as estatísticas públicas de violações de direitos de crianças e adolescentes indígenas e defendeu atenção diferenciada para esse público.

Dados do Censo Demográfico de 2022, citados pela parlamentar, apontam 1.694.836 pessoas indígenas no Brasil, o equivalente a 0,83% da população do país. Segundo o levantamento, mais da metade dos indígenas vive em áreas urbanas, “o que revela a complexidade contemporânea da pauta indígena”.

— O próprio IBGE mostrou, ainda, que mais de um milhão de indígenas vivem em condições de precariedade de saneamento, com déficits de coleta de lixo, abastecimento de água e esgotamento sanitário, fatores que incidem de forma especialmente grave sobre a infância.

Direitos humanos

No campo das violações de direitos, Damares afirmou que o quadro também exige reação institucional firme: O Disque 100 registrou 657,2 mil denúncias de violação de direitos humanos em 2024, um aumento de 22,6% em relação a 2023. Desse total, 289,4 mil referiam-se a crianças e adolescentes.

— Esses números, por si, já demonstram a centralidade da agenda da infância no sistema nacional de proteção. Quando o recorte recai sobre crianças indígenas, a vulnerabilidade é agravada pela sobreposição entre pobreza, barreiras territoriais, insuficiência de serviços públicos, racismo estrutural e descontinuidade de políticas específicas. Mas acredito que os números devem ser muito maiores por haver uma subnotificação das denúncias.

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Fortalecimento em rede

O conselheiro tutelar Lucas Martins disse que o fortalecimento do diálogo entre o Senado, a Defensoria Pública, o governo federal e o próprio Conselho Tutelar é fundamental para a garantia de direitos das crianças e adolescentes, especialmente os indígenas.

Coordenador nacional da Pasta de Administração do Fórum Colegiado Nacional dos Conselheiros Tutelares (FCNCT), Martins defendeu o direito à vida e o respeito às tradições e culturas de cada etnia, por meio de uma escuta ativa de cada população.

— A escuta qualificada é essencial: das crianças, das famílias, das lideranças. São essas pessoas que conhecem suas próprias realidades e sabem quais são suas necessidades. Precisamos ver quais são as demandas de cada um, para que cada conselheiro possa atuar da melhor forma, sem impor, sem desumanizar, sem falta de empatia. A gente precisa respeitar os modos de viver de cada um, e agir em rede é sempre a melhor construção.

O debate também teve a participação da secretária-adjunta da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Putira Sacuena, do diretor de Proteção da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Fábio Meirelles, e da coordenadora de Políticas para a Juventude Indígena do Ministério dos Povos Indígenas, Larissa Pankararu, que mostraram ações do Executivo para esse público.

Larissa afirmou que ainda existem “desafios estruturais importantes” para essa população. Ela disse, no entanto, que o governo tem atuado para qualificar os serviços públicos municipais, estaduais e federal junto aos territórios indígenas ao redor do país.

Segundo Damares, a CDH promoverá outra audiência pública sobre os direitos das crianças e adolescentes indígenas, em data a ser definida.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Justiça suspende direitos políticos de Garotinho: entenda a decisão

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A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira (10), que o candidato ao governo do estado, Anthony Garotinho (Republicanos), deve cumprir uma sentença por improbidade administrativa. A decisão, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, manda comunicar a suspensão dos direitos políticos dele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). O principal efeito dessa medida é a inelegibilidade, que será analisada pelos tribunais eleitorais.

  • Garotinho foi condenado por desvio de R$ 234 milhões na Saúde, quando era secretário do governo de sua esposa, Rosinha.
  • O Ministério Público Estadual pediu a execução da pena após o fim dos recursos, tornando a condenação definitiva.
  • A defesa do ex-governador afirma que a suspensão dos direitos políticos já terminou e que ele pode concorrer.
  • Garotinho continua com a candidatura e critica a decisão, dizendo que é apenas um pedido, não uma decisão final.
  • A Justiça Eleitoral será a responsável por decidir se o registro da candidatura de Garotinho será aceito.

Essa medida atende a um pedido do Ministério Público feito no último dia 6. O órgão afirmou que os recursos apresentados por Garotinho nos tribunais superiores acabaram e que não havia mais nenhuma decisão suspendendo os efeitos da sentença. Com isso, a pena se tornou definitiva e deve ser cumprida. O ex-governador, que governou o Rio entre 1999 e 2002, foi condenado em 2018 por desvios de R$ 234 milhões na área da Saúde, quando era secretário de Governo de sua própria mulher, Rosinha.

Na época, a defesa de Garotinho recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que as provas eram ilegais. Em uma decisão temporária, o ministro Cristiano Zanin suspendeu os efeitos da condenação sobre a inelegibilidade, devolvendo os direitos políticos do ex-governador enquanto o processo era analisado. Porém, após essa nova determinação, a defesa reforçou que a suspensão dos direitos políticos terminou em 1º de agosto de 2026.

Veja a nota na íntegra:

“A defesa de Anthony Garotinho contesta, com veemência, a decisão proferida em 10 de agosto de 2026, pelo Juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública da Capital, que determinou a comunicação da suspensão dos direitos políticos ao TRE-RJ e ao TSE.

Aquele r. Juízo foi informado por nós, em defesa, que o título condenatório transitou em julgado, juridicamente, em 1º de agosto de 2018. Os recursos seguintes foram inadmitidos por intempestividade, de modo que as decisões posteriores dos Tribunais Superiores possuem natureza meramente declaratória e efeitos anteriores (ex tunc), conforme pacífica orientação do Supremo, do STJ e do próprio Tribunal Superior Eleitoral. A suspensão dos direitos políticos, portanto, se exauriu em 1º de agosto de 2026.

Conforme informado por nós, àquele Juízo, repita-se, a certidão formal de trânsito em julgado não cria o marco temporal; apenas o documenta. Sendo assim persistir na execução de uma pena já exaurida viola o art. 20 da Lei de Improbidade, viola a segurança jurídica e também viola a própria limitação temporal fixada no título.

A defesa assim reitera sua convicção de que o sr. Anthony Garotinho está em pleno gozo dos seus direitos políticos, circunstância esta que certamente será reconhecida quando da apreciação do registro de sua candidatura ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, pela Justiça Eleitoral do Brasil”.

O processo tramita em segredo de Justiça.

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Garotinho garante candidatura

Nas redes sociais, Garotinho garantiu sua candidatura ao governo do estado e criticou o pedido da Justiça. “O que foi pedido pelo juiz de uma Vara da Fazenda Pública não significa que foi decidido. Uma coisa é um pedido, outra é uma decisão. Vamos deixar bem claro e pontuar aqui todas as questões que envolvem essa situação. Primeiro, a estranheza de um fato ocorrido em 2005 vir à tona agora. Segundo, lamentar que algumas autoridades se prestem a determinado tipo de situação, como se fossem cabos eleitorais de candidatos”, disse.

O ex-governador frisou que ficou inelegível até 2018, a pedido do Ministério Público, mas afirmou estar dentro da lei. “O próprio MPRJ pediu a impugnação da minha candidatura e juntou um documento dizendo que eu estava inelegível até 2018. Qualquer decisão diferente disso vai contra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e contra o que escreveu o próprio MPRJ. Esse fato me causou bastante perplexidade porque as pessoas estão dando um pedido como se fosse uma decisão. Mas pedir qualquer um pode. Quem decide se o registro é ou não apto, se o candidato pode ou não disputar a eleição, não é um juiz de Fazenda Pública, é a Justiça Eleitoral”, destacou.

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Garotinho ainda criticou os candidatos Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). “Eu até entendo o desespero de alguns articulistas e jornalistas. Afinal de contas, eu não sou o candidato deles ou do sistema. Um fez um papelão no debate, fingindo que não era o candidato do governo. Se negava a dizer que era candidato do Castro, embora tenha sido, durante um grande período, secretário do Castro. E o outro fugiu, o fugitivo. Então, essa notícia não tem o menor fundamento. Eu estou entrando com o registro da minha candidatura hoje e não haverá nenhum problema para que eu possa disputar a eleição”, afirmou.

O candidato também negou as acusações de improbidade administrativa, disse que é inocente e acusou os adversários de estarem com medo da concorrência. “Estão com muito medo da minha candidatura. Os senhores sabem que, além da minha vida como repórter, eu denunciei muita gente importante, políticos, empresários, muitos políticos envolvidos com organização criminosa. As instituições estão contaminadas em parte, não em toda. Não há nada que impeça minha candidatura. Estou enfrentando candidatos envolvidos com organização criminosa (…) Não existe possibilidade de o meu registro ser negado. Eu não fiz nada do que está escrito ali, mas, se tivesse feito, isso teria terminado em 2018. Nada vai impedir minha candidatura. Estou dentro da lei”, reforçou.

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