POLÍTICA NACIONAL

Instituição espanhola cita IFI como referência em comunicação

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A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado que auxilia na fiscalização das contas públicas e das políticas fiscais, foi qualificada como referência em comunicação pela Autoridade Independente para a Responsabilidade Fiscal (AIReF), sua contraparte na Espanha. A menção veio em um relatório da Comissão Europeia, que citou a IFI como um exemplo de boas práticas na área de comunicação.

O relatório destaca como pontos positivos da IFI a relação próxima com a imprensa, a adoção de linguagem simplificada nas estratégias de comunicação e a parceria com a Secretaria de Comunicação do Senado (Secom) na divulgação de seus relatórios, estudos e notas técnicas.

O contato com os jornalistas tem trazido bons resultados, segundo a assessora de imprensa da IFI, Carmensita Corso. De janeiro a junho deste ano, foram feitas 965 menções à IFI na mídia, número já próximo às 1.127 menções em todo o ano de 2024.

— Fizemos uma intensa aproximação com a imprensa de modo geral e com profissionais especializados dos diversos veículos. Passamos a publicar, em nossas redes, matérias, artigos, editoriais e entrevistas com menções à instituição — explica ela.

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Sobre o uso de linguagem simplificada, Carmensita explica as ações que foram implementadas para facilitar a compreensão do texto técnico pelo público.

— Traduzimos o “economês” em toda a nossa comunicação direta: nos releases, nas entrevistas dos nossos diretores e nas redes sociais. Lançamos uma hashtag #ifitraduz e iniciamos a publicação de cards para traduzir as expressões usadas em nossas publicações e na economia de modo geral  explica.

A coordenadora-geral da Secom, Luciana Rodrigues, reforça a importância da parceria institucional com a IFI e do papel da Secom de divulgar à sociedade as ações do Senado.

 Consideramos muito importante o papel da IFI de dar transparência fiscal às contas públicas do país. Isso nos imbui do dever de ampliar o alcance desse trabalho, por meio da divulgação das informações que a IFI produz em todos os nossos canais institucionais de comunicação: Agência Senado, TV Senado, Rádio Senado e Comunicação Interna. São informações de muita qualidade e relevância à disposição dos cidadãos e servidores — destaca.

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O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, ressalta a importância da troca de saberes e experiências entre as instituições fiscais de vários países como forma de aprimoramento dessas organizações.

 O intercâmbio entre instituições fiscais independentes é fundamental para o nosso processo de aprendizagem e amadurecimento institucional, incorporando conhecimento, experiência e metodologias de outros países  observa.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

IA entra na mira do TSE e pode ser proibida em vídeos de campanha nas eleições

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O uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais entrou no centro das discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte avalia alternativas para conter abusos envolvendo vídeos produzidos ou modificados por IA, em um debate que pode estabelecer novos limites para a propaganda política nas eleições de 2026.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ainda não definiu publicamente como deverá votar em um processo que envolve um vídeo produzido com inteligência artificial e atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso ganhou relevância porque envolve a reprodução de uma mensagem de Bolsonaro durante uma convenção do Partido Liberal.

A discussão ocorre justamente quando a tecnologia permite criar vídeos e áudios cada vez mais próximos de conteúdos reais. O principal desafio para a Justiça Eleitoral é estabelecer mecanismos capazes de combater manipulações sem transformar a fiscalização eleitoral em uma restrição desproporcional à utilização legítima de novas ferramentas.

As regras eleitorais de 2026 já tratam especificamente de conteúdo sintético produzido por inteligência artificial. A regulamentação do TSE prevê mecanismos para responsabilização e, em determinadas situações, permite que o juiz determine a inversão do ônus da prova quando a comprovação técnica da manipulação for excessivamente difícil. Nessa hipótese, quem produziu ou divulgou o conteúdo pode ser obrigado a demonstrar como a IA foi utilizada e comprovar a veracidade da informação divulgada.

O próprio TSE também estabeleceu que os tribunais eleitorais poderão firmar acordos com universidades e instituições especializadas em perícia digital e inteligência artificial para auxiliar na análise de possíveis ilícitos durante o processo eleitoral.

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A possível discussão sobre uma proibição mais ampla, portanto, representa um passo além das regras atualmente estabelecidas. Em vez de apenas exigir transparência ou responsabilizar conteúdos considerados ilícitos, a Corte poderá discutir se determinadas formas de utilização da tecnologia devem ser impedidas durante a campanha.

O caso envolvendo Bolsonaro pode se tornar um dos primeiros testes relevantes desse novo cenário. A decisão deverá ajudar a estabelecer parâmetros para situações em que uma pessoa pública aparece dizendo algo que não disse, especialmente quando o material é distribuído nas redes sociais com potencial de alcançar milhares ou milhões de eleitores em poucas horas.

A preocupação não se limita aos vídeos. A Justiça Eleitoral também terá de lidar com áudios clonados, imagens manipuladas e outros conteúdos capazes de simular declarações ou acontecimentos que nunca ocorreram.

Pesquisas também entram na pauta

Além da inteligência artificial, outro tema relacionado diretamente à disputa presidencial está sob análise de Nunes Marques: a pesquisa AtlasIntel que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.

Em junho, o ministro determinou liminarmente a suspensão da divulgação da pesquisa após pedido apresentado pelo PL. Nunes Marques apontou suspeitas de indução dos entrevistados por causa da metodologia utilizada no levantamento. A decisão, entretanto, é liminar e depende de análise do plenário do TSE.

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A AtlasIntel contestou a decisão e afirmou que o questionário havia sido concluído antes da exposição dos entrevistados ao áudio relacionado ao caso Dark Horse, defendendo a regularidade da metodologia.

Os dois episódios colocam o TSE diante de uma questão que deverá acompanhar toda a campanha de 2026: qual é o limite entre fiscalização necessária para proteger o eleitor e restrição ao debate político?

No caso da inteligência artificial, a resposta poderá ter impacto direto na forma como partidos e candidatos produzirão conteúdo eleitoral. A tecnologia pode ser usada para criação e edição de materiais, mas a utilização de recursos capazes de fabricar declarações, acontecimentos ou informações falsas coloca a Justiça Eleitoral diante de um dos desafios mais complexos da próxima eleição.

O calendário oficial do TSE estabelece 15 de agosto como prazo final para o registro das candidaturas às eleições gerais de 2026. A partir daí, a disputa entra em uma etapa ainda mais intensa, aumentando também a pressão sobre a Corte para definir rapidamente os limites aplicáveis à propaganda digital.

O julgamento sobre o uso de inteligência artificial, portanto, não deverá tratar apenas de um vídeo específico. A decisão poderá criar um precedente para toda a campanha eleitoral e determinar como a Justiça Eleitoral pretende enfrentar uma tecnologia que já faz parte da disputa política.

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