POLÍTICA NACIONAL

Flávio e Lula empatam na rejeição e pesquisa acende alerta para 2026

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A disputa presidencial de 2026 começa a revelar uma contradição que pode ser decisiva nas urnas: os nomes mais conhecidos da polarização são também os que carregam os maiores índices de rejeição. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira (8) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 50% e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 49% de rejeição.

Na prática, significa que aproximadamente metade do eleitorado afirma que não votaria em nenhum dos dois de jeito nenhum. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, Flávio e Lula estão tecnicamente empatados.

O resultado coloca o senador à frente numericamente, mas também revela o tamanho do desafio para qualquer candidatura identificada diretamente com os dois maiores polos políticos do país.

Para o campo da direita, o levantamento apresenta um cenário particularmente relevante. O sobrenome Bolsonaro continua mobilizando um eleitorado fiel e ideologicamente identificado, mas a pesquisa demonstra que uma candidatura associada ao grupo também enfrenta uma barreira de rejeição elevada.

Do outro lado, Lula aparece praticamente no mesmo patamar, mostrando que o presidente também encontra um teto importante entre eleitores que já decidiram que não votarão nele.

Rejeição de Lula chega ao mesmo patamar de Flávio

Os números permaneceram praticamente congelados em relação à pesquisa anterior, realizada em 31 de agosto. Flávio continuou com 50% e Lula com 49%.

A estabilidade indica que os índices de rejeição dos dois não são apenas uma fotografia isolada do momento. Eles permanecem elevados mesmo em um cenário de pré-campanha e podem se transformar em um dos principais obstáculos para uma eventual disputa de segundo turno.

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O dado também reforça uma questão estratégica para a direita: ter um eleitorado fiel não significa, necessariamente, conseguir ampliar a votação. Em uma eleição nacional, a capacidade de conquistar quem não está no núcleo duro de nenhum dos lados pode ser determinante.

Zema e Caiado ficam atrás

Na sequência aparecem nomes que, embora conhecidos nacionalmente, apresentam níveis de rejeição menores.

Renan Santos registra 43%, seguido por Romeu Zema, com 42%. Ronaldo Caiado aparece com 36%.

Entre os governadores, as mudanças em relação à rodada anterior foram pequenas. Zema passou de 41% para 42%, enquanto Caiado recuou de 37% para 36%, variações que estão dentro da margem de erro.

Renan Santos foi quem apresentou a maior alta no período, passando de 40% para 43%.

Augusto Cury é o menos rejeitado

O nome com maior margem potencial de crescimento é Augusto Cury. O escritor aparece com apenas 29% de rejeição, o menor índice entre os candidatos testados.

Em outras palavras, 71% dos entrevistados não afirmam rejeitá-lo de forma definitiva. O resultado coloca Cury em uma posição diferente daquela ocupada por Lula e Flávio e pode favorecer uma candidatura que tente alcançar eleitores cansados da guerra política entre os dois principais campos.

Caiado aparece logo depois, com 36%.

A diferença chama atenção porque, em uma eventual disputa de segundo turno, a capacidade de atrair votos de eleitores que não possuem preferência ideológica consolidada pode ser tão importante quanto o tamanho da base eleitoral de cada candidato.

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O recado para a direita

A pesquisa também traz um recado para o campo conservador. A direita continua tendo um eleitorado expressivo e altamente mobilizado, mas o levantamento mostra que a estratégia eleitoral não pode depender apenas da manutenção do voto já conquistado.

Com Flávio Bolsonaro chegando a 50% de rejeição, qualquer candidatura de direita precisará encontrar uma forma de ampliar sua conversa para além do eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.

O mesmo problema aparece no campo petista. Lula mantém sua base, mas carrega uma rejeição de 49%, praticamente o mesmo patamar do principal nome associado à direita.

Isso cria uma oportunidade para candidaturas que consigam se apresentar como alternativa à velha disputa entre Lula e Bolsonaro.

2026 pode ser decidida por quem consegue rejeição menor

O levantamento mostra que a eleição ainda está longe de ser definida e que a rejeição poderá ser uma das variáveis mais importantes da corrida presidencial.

Enquanto Flávio Bolsonaro e Lula aparecem praticamente empatados no topo do ranking negativo, candidatos como Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema possuem uma parcela maior do eleitorado que não os descarta antecipadamente.

Em uma eleição marcada pela polarização, esse espaço pode se transformar em vantagem competitiva.

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores entre 4 e 7 de setembro de 2026, por telefone, pelo sistema CATI. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual S.A. e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06790/2026.

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POLÍTICA NACIONAL

Mendonça afirma que relatório usado por Moraes prejudicou investigações da PF

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a produção e a divulgação de relatórios da Polícia Federal utilizados no contexto das investigações envolvendo o Banco Master acabaram prejudicando diligências que ainda estavam em andamento.

Segundo Mendonça, a exposição antecipada das informações teria permitido que potenciais alvos de medidas cautelares e de outras ações investigativas tomassem conhecimento prévio das movimentações da Polícia Federal, comprometendo a eficácia das diligências planejadas.

Na decisão, o ministro fez duras críticas aos documentos e questionou tanto a origem quanto a qualidade técnica do material. Mendonça classificou os relatórios como “amorfos, estapafúrdios e anômalos” e apontou “absoluta impropriedade técnica e ilicitude” na forma como teriam sido produzidos.

Para o magistrado, os problemas seriam tão graves que os documentos não poderiam ser considerados adequados sequer para sua finalidade original, relacionada à atividade de inteligência.

Um dos pontos citados por Mendonça envolve uma operação que estaria pendente de decisão judicial e teria como alvos dirigentes do União Brasil, entre eles ACM Neto e Antônio Rueda. Na avaliação do ministro, a divulgação antecipada dessas informações poderia comprometer medidas que ainda não haviam sido executadas.

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O episódio foi considerado por Mendonça entre os fundamentos para determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O delegado Leandro Almada, então diretor de Inteligência Policial da corporação, também foi afastado temporariamente.

A decisão determina ainda que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os fatos identificados pelo ministro.

CRISE NO CASO MASTER

A decisão ocorre em meio ao agravamento do embate entre ministros do STF em torno das investigações relacionadas ao Banco Master e ao seu antigo controlador, Daniel Vorcaro.

O caso ganhou novos contornos após Alexandre de Moraes pedir que Mendonça fosse investigado por supostos indícios de crimes relacionados à atuação do colega em inquéritos sob sua relatoria.

Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que registrava uma troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes.

Desde então, documentos produzidos pela área de inteligência da PF passaram a ocupar o centro da disputa entre os ministros.

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Mendonça sustenta que, além dos questionamentos sobre a origem e a consistência técnica dos relatórios, a circulação do material produziu consequências concretas para investigações que ainda estavam em curso.

O episódio amplia a crise institucional envolvendo STF e Polícia Federal e coloca sob escrutínio os procedimentos utilizados na produção, circulação e divulgação de informações de inteligência dentro da corporação.

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